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MT: Verso e reverso (62) – Adão Riograndino Mariano Salles

Eduardo Gomes

@andradeeduardogomes

eduardogomes.ega@gmail.com

Capítulo 62 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto focaliza o pioneiro da soja mato-grossense, Adão Riograndino Mariano Salles.

Produtores sulistas que cultivavam soja na região de Dourados, à época Mato Grosso e agora Mato Grosso do Sul, deram grande empurrão na lavoura dessa leguminosa de origem chinesa, em Rondonópolis, pouco antes da divisão territorial que criou Mato Grosso do Sul em 1977. Mas, o pioneirismo não foi deles, e sim do gaúcho Adão Riograndino Mariano Salles, quando a sojicultura era tão estranha para ele quanto para Rondonópolis. Lançando mão de cultivares adaptados aos Estados Unidos, Adão Riograndino Mariano Salles venceu apesar dos revezes que enfrentou.

Principal cadeia econômica e fator de desenvolvimento social. Responsável por boa parte da ocupação do vazio demográfico e abre-alas para a miscigenação. Em Mato Grosso a soja é tudo isso e muito mais. Essa leguminosa chinesa de nome botânico Glycine max não chegou por acaso na Terra de Rondon. Mais cedo ou mais tarde chegaria, porque o cerrado é talhado para ela, mas em 1973 quando seus primeiros grãos foram colhidos não se tratou de coincidência: foi resultado da ousadia, teimosia e investimento de seu pioneiro estadual – ou pai, como queiram – o gaúcho Adão Riograndino Mariano Salles, que semeou em Rondonópolis a lavoura que revolucionaria a economia do Brasil rural.

O pioneirismo de Adão Riograndino foi protagonizado na fazenda São Carlos e data de 1973, quando a soja era tão estranha para ele quanto para Rondonópolis. Lançando mão de cultivares adaptados aos Estados Unidos, Adão Riograndino Mariano Salles enfrentou revezes, mas venceu.

Os canteiros de Adão Riograndino Salles, com produtividade perto de zero e nos primeiros anos cultivados praticamente sem nenhuma tecnologia, viraram lavouras. Ultrapassaram as divisas de sua propriedade, se espalharam pelo município, por Itiquira, Jaciara, Alto Garças, por Mato Grosso.

Quando Adão Riograndino Mariano Salles lançava suas primeiras sementes no solo de Rondonópolis, seu filho Álvaro cursava Agronomia na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. Hortêncio Paro, agrônomo ligado à UFMT e uma das referências na pesquisa nacional sobre a agricultura tropical, ia à fazenda dos Salles e dava assistência agronômica ao cultivo daquela lavoura completamente estranha na região.

A fazenda onde tudo começou estava mesmo fadada a escrever um importante capítulo da soja nacional. Com o passar do tempo, não somente o pioneiro, mas seus filhos, também, descobriram o universo da leguminosa que é a Rainha do Cerrado. Assim, a família criou uma empresa sementeira, a Sementes Salles Agropecuária – com sede em Rondonópolis – que desenvolveu e multiplicou variedades de cultivares. A Salles virou uma das referências nacionais em sua área de atuação.

O casal Salles: Albina e Adão

Juntamente com a mulher Albina e os filhos José Rogério, Álvaro, Luis Ortolan, Cleonice, Maria do Carmo, Salete e Neuza, genros, noras e netos, em mais de quatro décadas Adão Riograndino Salles ajudou a reescrever a história de Mato Grosso, que tem duas etapas distintas: o antes e o depois da soja.

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O filho Rogério foi duas vezes vice-prefeito de Rondonópolis, onde também exerceu mandato de prefeito. No plano estadual Rogério foi vice-governador e governador. A nora, Marília, casada com Rogério, também foi vice-prefeita rondonopolitana.

Atuantes na cadeia do agronegócio, os filhos de Adão Riograndino Salles participam da direção de instituições representativas dos produtores rurais em Mato Grosso.

ORIGEM – Filho do casal Ana Clara e Prudente Mariano, Adão Riograndino Mariano Salles nasceu em Carazinho, no Rio Grande do Sul, no dia primeiro de março de 1925. Comerciante por longo tempo em seu Estado, seguiu o exemplo de tantos conterrâneos e escolheu o Paraná para viver. Porém, um dia, em 1971, resolveu trocar o Sul pela aventura no cerrado mato-grossense. Vendeu seus bens, comprou uma fazenda de 10 mil hectares em Rondonópolis. Pegou a BR-163 e, sem que soubesse no momento inicial, virou uma página em Mato Grosso ao dar o pontapé inicial para o maior ciclo econômico de todos os tempos no Brasil interior.

Na madrugada de 7 de junho de 2009, aos 74 anos, na Santa Casa de Misericórdia de Rondonópolis, Adão Riograndino Salles fechou os olhos para sempre. Seu corpo foi sepultado naquela cidade que escolheu como sua e onde cultivou a lavoura pioneira da soja mato-grossense.

O ciclo da vida humana é curto e o relógio biológico, implacável. Mas enquanto as plantadeiras lançarem sementes dessa famosa leguminosa ao solo e elas se espalharem pelos campos; enquanto as colheitadeiras continuarem com o balé da produção; enquanto sua cadeia econômica se movimentar gerando renda, distribuindo riquezas e desenvolvendo cidades; enquanto as carretas e o trem partirem de Mato Grosso rumo aos portos e o mercado nacional, abarrotados com o resultado das lavouras; e enquanto a balança comercial mato-grossense ancorada em seu mercado garantir a entrada dos dólares que direta e indiretamente chegam aos bolsos de milhares de mato-grossenses, Adão Riograndino Mariano Salles viverá, porque a criatura fala pelo criador.

PS – Continuem lendo a série. Na segunda-feira (4), o capítulo 63.

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