JP VELASCO – Um hermano em Santa Cruz
Eduardo Gomes
@andradeeduardogomes
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No governo de Santa Cruz, na Bolívia, Mato Grosso tem não somente um aliado, mas um irmão – ou hermano, como dizem. É JP Velasco, o boliviano mais mato-grossense do mundo

Mato Grosso ganhou um hermano em Santa Cruz da la Sierra, a capital do Estado de Santa Cruz, na Bolívia. E não se trata de um hermano qualquer, mas do governador Juan Pablo Velasco Dalence, o JP Velasco, que acaba de vencer a eleição àquele cargo numa chapa com a vice, a advogada, professora universitária e deputada Paola Aguirre Melgar, que de tão bela foi eleita Miss Derecho, quando universitária. O mano, quer dizer, o hermano, num gesto em busca da integração com o vizinho Mato Grosso veio a Cuiabá e foi a Lucas do Rio Verde, visitou os poderes políticos e não se desgrudou do empresário Eraí Maggi Scheffer, que facilitou sua viagem. JP Velasco é apaixonado pela Terra de Rondon, disse isso em suas falas por aqui, e escancara as portas de Santa Cruz aos investimentos mato-grossenses, rompendo assim uma absurda barreira que mantinha os dois lados da fronteira de costas um para o outro, como bem definiu esse cenário o ex-senador Márcio Lacerda. Resta agora o Palácio Paiaguás ver no vizinho um mercado potencial e uma rota segura aos portos chilenos e peruanos, e não somente um fornecedor de cocaína pelas incontáveis trilhas – cabriteiras – nos 730 km de marcos divisórios em solo firme e nos 253 km de separação por água numa vastidão com baixa densidade demográfica nos municípios de Poconé, Cáceres, Porto Esperidião, Vila Bela da Santíssima Trindade e Comodoro.
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JP Velasco é um empresário de 39 anos, que está a um passo de assumir o governo de um Estado com 370.621 km – área equivalente a Mato Grosso do Sul e pouco maior do que Goiás, para ficarmos em exemplos no Centro-Oeste – com 2,5 milhões de habitantes, dos quais, aproximadamente 2 milhões na capital Santa Cruz de la Sierra. Santa Cruz é a mola propulsora da Bolívia e seu jovem governante quer integrá-la ao mundo, começando por Mato Grosso – cujo modelo de desenvolvimento o inspira, segundo suas próprias palavras. Sua visita a Cuiabá foi articulada por Eraí Maggi, que investe no agronegócio boliviano seguindo uma legião de produtores rurais da região de Rondonópolis, que descobriu um verdadeiro filão na Bolívia, onde uma série de fatores faz da lavoura uma atividade mais rentável do que no Brasil.
O governante quer estimular investidores a optarem por Santa Cruz. JP Velasco disse isso com todas as letras. Mas, ele também quer que sua terra seja uma rota segura para Mato Grosso escoar commodities para o porto de Arica, no Pacífico chileno, e outros, no Peru. Para conseguir essa proeza, que reduzirá pela metade o tempo da viagem marítima do Brasil para a China, é preciso que seja pavimentado um trecho de 120 km de uma carretera no trajeto entre San Ignacio Velasco e Santa Cruz, e que do lado de Mato Grosso o governo conclua a pavimentação de 78 km de uma rodovia no município de Vila Bela da Santíssima Trindade – parte desse trecho está em obras. Do lado boliviano, JP Velasco busca parceriais internacionais pelo asfalto, e planeja dar a estrada em concessão. Uma fonte de sua comitiva revelou que um grupo chinês estaria interessado visando a exploração do pedágio.
A integração sonhada por JP Velasco inclui a rota aérea Santa Cruz de la Sierra-Cuiabá, mas ao longo de décadas ela foi tentada várias vezes, mas esbarrou na baixa procura, o que inviabiliza sua operacionalização, ainda que ofereça uma frequência semanal. Na década de 1990, o Lloyd Aéreo Boliviano experimentou a ligação utilizando o turboélice Avro. Depois, mais tentativas fracassaram. Nesse sentido não houve avanço nas conversações do governador visitante.

No governo de Santa Cruz, na Bolívia, Mato Grosso tem não somente um aliado, mas um irmão – ou hermano, como dizem. É JP Velasco, o boliviano mais mato-grossense do mundo
Em outubro do ano passado, o então governador Mauro Mendes inaugurou a Zona de Processamento de Exportação Engenheiro Adilson Domingos dos Reis (ZPE) criada há 30 anos. A ZPE permanece elefante branco, sem conseguir atrair indústrias. Não somente pela integração com a Bolívia, mas é preciso incrementá-la de olho nos mercados do Cone Sul e asiático.