Boa Midia

MT: Verso e reverso (112) – Moisés Martins

Eduardo Gomes

@andradeeduardogomes

eduardogomes.ega@gmail.com

Capítulo 112 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto focaliza Moisés Martins.

Poeta, compositor de mão cheia, músico, arranjador, cantor, escritor com assento na Academia Mato-grossense de Letras e na Academia Mato-grossense Maçônica de Letras, Moisés Martins é figura onipresente nos movimentos culturais cuiabanos.

Considerado um dos ícones da chamada cuiabania, Moisés Mendes Martins Júnior nasceu em Campo Grande (MS). Dentista por formação acadêmica, poeta por inspiração e cuiabano por opção e paixão, Moisés Martins é guardião da cultura de Cuiabá e uma das reservas morais da cidade que adotou fervorosamente. Sua sensibilidade artística o leva a compor clássicos que retratam a alma do povo que vive na quase tricentenária cidade fundada pelo bandeirante Moreira Cabral no centro geodésico do continente.

Enquanto dentista foi o primeiro presidente do Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso/CRO (1967/71). Após seu mandato o CRO transferiu sua sede para Campo Grande (à época Mato Grosso), onde permaneceu até a divisão territorial que criou Mato Grosso do Sul.

Com o músico, instrumentista e cantor Pescuma – do Trio Pescuma, Henrique & Claudinho – Moisés Martins compôs os clássicos “Pixé”, “Furrundu” e “Tipos Populares”.

Moisés Martins deu voz musical aos personagens do povo em “Tipos Populares”, onde também reproduz o bordão do radialista e jornalista João Alves de Oliveira, fundador do Jornal Diário de Cuiabá, “A cidade vive dos que vivem nela”. Essa música é a mais pura expressão do sotaque carregado e cantado do povo cuiabano de ‘tchapa’ e ‘crux’. Diz a letra:

Toda cidade tem seu tipos /

Cuiabá também os tem /

Uma cidade sem eles /

Vive cheia de ninguém… /

A cidade vive dos que vivem nela /

Já dizia o grande locutor /

Sem eles qualquer cidade /

Seria um jardim faltando flor… /

Tipos populares, boêmios sem fim /

Nos bares, becos e esquinas /

Vivem felizes, sim! /

Viva, cobra fumano /

Maria Peta, Zé Bolo Flô /

Em cada esquina uma saudade /

Em cada canto uma canção de amor /

Sua obra literária é vasta e transformou-se em permanente fonte de consulta sobre os temas que aborda. Moisés Martins é presença obrigatória em Cuiabá quando o assunto é cultura, literatura e música.

DIGNIDADE – Em 1976, com 1.056 votos, Moisés Martins foi eleito vereador por Cuiabá filiado à Aliança Renovadora Nacional (Arena) para mandato de quatro anos. Enquanto exercia a vereança o governo federal prorrogou os mandatos municipais em dois anos, para que as eleições coincidissem com o pleito estadual em 1982.


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Moisés Martins não aceitou a prorrogação, porque a mesma não tinha o respaldo das urnas. Cumpriu o mandato até o último dia dos quatro anos e renunciou – usando uma figura política, apresentou seu pedido de exoneração ao presidente. Nenhum outro vereador cuiabano o imitou – no Brasil somente dois vereadores tiveram tal atitude: ele e um colega de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Seu suplente, Nélio Carvosier o substituiu.

Em suma Moisés Martins é um grande cidadão capaz de encantar a todos com sua versatilidade artística e de despertar sentimento democrático com seu gesto de grandeza ao abrir mão da prorrogação de seu mandato.

PS – Continuem lendo a série. Na quarta-feira (1º de julho), o capítulo 113.

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