Capítulo 112 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto focaliza Moisés Martins.
Poeta, compositor de mão cheia, músico, arranjador, cantor, escritor com assento na Academia Mato-grossense de Letras e na Academia Mato-grossense Maçônica de Letras, Moisés Martins é figura onipresente nos movimentos culturais cuiabanos.
Considerado um dos ícones da chamada cuiabania, Moisés Mendes Martins Júnior nasceu em Campo Grande (MS). Dentista por formação acadêmica, poeta por inspiração e cuiabano por opção e paixão, Moisés Martins é guardião da cultura de Cuiabá e uma das reservas morais da cidade que adotou fervorosamente. Sua sensibilidade artística o leva a compor clássicos que retratam a alma do povo que vive na quase tricentenária cidade fundada pelo bandeirante Moreira Cabral no centro geodésico do continente.
Enquanto dentista foi o primeiro presidente do Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso/CRO (1967/71). Após seu mandato o CRO transferiu sua sede para Campo Grande (à época Mato Grosso), onde permaneceu até a divisão territorial que criou Mato Grosso do Sul.
Com o músico, instrumentista e cantor Pescuma – do Trio Pescuma, Henrique & Claudinho – Moisés Martins compôs os clássicos “Pixé”, “Furrundu” e “Tipos Populares”.
Moisés Martins deu voz musical aos personagens do povo em “Tipos Populares”, onde também reproduz o bordão do radialista e jornalista João Alves de Oliveira, fundador do Jornal Diário de Cuiabá, “A cidade vive dos que vivem nela”. Essa música é a mais pura expressão do sotaque carregado e cantado do povo cuiabano de ‘tchapa’ e ‘crux’. Diz a letra:
Toda cidade tem seu tipos /
Cuiabá também os tem /
Uma cidade sem eles /
Vive cheia de ninguém… /
A cidade vive dos que vivem nela /
Já dizia o grande locutor /
Sem eles qualquer cidade /
Seria um jardim faltando flor… /
Tipos populares, boêmios sem fim /
Nos bares, becos e esquinas /
Vivem felizes, sim! /
Viva, cobra fumano /
Maria Peta, Zé Bolo Flô /
Em cada esquina uma saudade /
Em cada canto uma canção de amor /
Sua obra literária é vasta e transformou-se em permanente fonte de consulta sobre os temas que aborda. Moisés Martins é presença obrigatória em Cuiabá quando o assunto é cultura, literatura e música.
DIGNIDADE – Em 1976, com 1.056 votos, Moisés Martins foi eleito vereador por Cuiabá filiado à Aliança Renovadora Nacional (Arena) para mandato de quatro anos. Enquanto exercia a vereança o governo federal prorrogou os mandatos municipais em dois anos, para que as eleições coincidissem com o pleito estadual em 1982.
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Moisés Martins não aceitou a prorrogação, porque a mesma não tinha o respaldo das urnas. Cumpriu o mandato até o último dia dos quatro anos e renunciou – usando uma figura política, apresentou seu pedido de exoneração ao presidente. Nenhum outro vereador cuiabano o imitou – no Brasil somente dois vereadores tiveram tal atitude: ele e um colega de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Seu suplente, Nélio Carvosier o substituiu.
Em suma Moisés Martins é um grande cidadão capaz de encantar a todos com sua versatilidade artística e de despertar sentimento democrático com seu gesto de grandeza ao abrir mão da prorrogação de seu mandato.
PS – Continuem lendo a série. Na quarta-feira (1º de julho), o capítulo 113.
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