O terminal de Dom Aquino e o ditado chinês

Eduardo Gomes

@andradeeduardogomes

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Um ditado chinês nos ensina que “Quando o dedo aponta para a lua, o medíocre olha para a mão”. Apenas por analogia e sem querer ferir os que criticam o governador Otaviano Pivetta pela filtragem que reduziu o número de pronunciamentos na inauguração do terminal da Rumo Logística, em Dom Aquino, no sábado (20), lembro que a conquista simbolizada por aquele ato dispensa todas as falas.

 


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De Rondonópolis para Dom Aquino o trem avançou 162 km rumo Norte, na ferrovia que mais dia menos dia ligará os portos de Santos e Miritituba (de Itaituba/PA) , que será o maior corredor ferroviário brasileiro, a principal rota de transporte de commodities agrícola do mundo e uma das parte do multimodal hidro-ferroviário de Sumaré (SP) para a Zona Franca de Manaus e vice-versa.

Mato Grosso precisa participar e vibrar mais ao invés de reclamar que o senador Jayme Campos  e o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, não “fizeram uso da palavra”. Avalio que entre os poucos que falaram, o senador Carlos Fávaro foi um corpo estranho.

Entendo que tanto Jayme quanto Max são merecedores de deferências e que ambos têm trabalho prestado a Mato Grosso, mas nem esse histórico nem as funções que exercem seriam fundamentação para que o microfone lhes fosse entregue no ato onde o único barulho que deveria ser ouvido seria o apito do trem debaixo de palmas.

No final deste ano, quando o terminal de Dom Aquino entrar em operação, mais um importante passo será dado para a construção da grande ferrovia, que de Sinop a Miritituba receberá o nome de Ferrogrão. O corredor de transporte que está em obras será o maior avanço logístico nacional nas últimas décadas. Ao invés de chororô por esse ou aquele que não falou, Mato Grosso deveria clamar por mais ações políticas de seus representantes, para prepará-lo para a realidade que nos espera no amanhã com o trem ligando Santos a Miritituba, e com Miritituba ligada a Manaus pela Hidrovia Tapajós-Amazonas.

Que o trem avance para Lucas do Rio Verde, como prevê a concessão estadual. Que ao invés do grande investimento para ligar Juscimeira a Cuiabá como parte da Ferrovia Senador Vicente Emílio Vuolo – a mesma que inaugurou o terminal em Dom Aquino – o projeto seja revisto e, ao invés do ponto mais ao Norte dos trilhos ser Lucas do Rio Verde, que eles avancem até Sinop, onde começará a Ferrogrão. Esse, sim, é o pronunciamento que falta, pois não se faz logística com o coração nem com interesses politiqueiros – Cuiabá não produz carga contínua para alimentar um terminal como o moderno sistema ferroviário requer: Dom Aquino inicialmente embarcará 10 milhões de toneladas anuais.

No episódio em Dom Aquino – avalio – a única falha foi a fala do senador Carlos Fávaro, que tem zero de contribuição para a ferrovia. Creio que ele foi bajulado por Alckmin, que tem interesse em sua reeleição ao Senado, e do qual foi colega de ministério. No mais, que o trem seja bem-vindo, pois Mato Grosso precisará muito de sua movimentação nos dois sentidos, para gerar receita tributária de modo a garantir o vergonhoso empreguismo, os irreais duodécimos de instituições caquéticas e a nababesca vida da classe política que mantém a química de desaparecer por três anos e de ressurgir no quarto, em busca do voto – e em alguns casos escondendo seu berço para não ter seu nome associado aos esquemas corruptos amnesicamente descartados, pois essa prática nem mesmo nesta Terra de Rondon, caracterizada pela bajulação aos poderosos, é aceita.

     

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