Tecnologia e justiça tarifária: um novo caminho para as concessões rodoviárias
Luiz Sette*
TAPURAH
O Brasil vive um momento decisivo de transformação na forma como planeja e administra sua infraestrutura rodoviária. Durante décadas, o modelo tradicional de pedágio foi fundamental para viabilizar investimentos, garantir a manutenção das estradas e oferecer serviços aos usuários. Agora, a tecnologia permite avançar para um sistema mais eficiente, moderno e, sobretudo, mais justo.
Essa é a proposta do Free Flow, sistema de pedágio eletrônico que elimina as tradicionais praças de cobrança e faz com que o motorista pague apenas pelo trecho efetivamente percorrido. À primeira vista, pode parecer uma simples mudança operacional, mas ela representa uma transformação significativa na relação entre o usuário e a rodovia.
No sistema convencional, um condutor que percorre poucos quilômetros muitas vezes paga o mesmo valor de quem utiliza longos trechos da estrada. Com o Free Flow, essa lógica muda. A tarifa passa a ser calculada de forma proporcional à distância percorrida, seguindo um princípio simples: quem utiliza menos a rodovia paga menos; quem percorre mais contribui de acordo com o uso da infraestrutura.
Essa é a essência da justiça tarifária. Além de tornar a cobrança mais equilibrada, o sistema oferece ganhos importantes para a mobilidade. A eliminação das paradas nas praças de pedágio reduz filas, melhora a fluidez do trânsito, diminui o consumo de combustível, reduz a emissão de poluentes e torna as viagens mais rápidas, especialmente em corredores logísticos de grande movimentação.
Em um estado como Mato Grosso, cuja economia depende diretamente da eficiência do transporte, discutir inovação nas rodovias é também falar de competitividade. Somos um dos maiores produtores de alimentos do mundo e precisamos de uma infraestrutura compatível com essa vocação. Cada minuto economizado no deslocamento, cada redução de custos operacionais e cada avanço em segurança refletem diretamente na capacidade de desenvolvimento do Estado.
Nesse cenário, a implantação do Free Flow na MT-130 representa muito mais do que uma nova forma de cobrança. Ela marca a entrada de Mato Grosso em uma nova geração de concessões rodoviárias, baseada em inovação, inteligência operacional e melhor experiência para o usuário. A rodovia que liga Primavera do Leste a Paranatinga está preparada para operar esse modelo e aguarda apenas a autorização da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) para iniciar essa nova etapa.
Ao mesmo tempo, o Free Flow abre espaço para outras soluções que já vêm transformando a mobilidade em diferentes regiões do Brasil e do mundo. Inteligência artificial, sistemas avançados de monitoramento, pesagem em movimento, telemetria e equipamentos capazes de ampliar a segurança e a eficiência operacional demonstram que o futuro da infraestrutura será cada vez mais conectado, automatizado e orientado por dados. Mato Grosso reúne todas as condições para acompanhar essa evolução e consolidar-se como referência em inovação logística.
É importante destacar que tecnologia e infraestrutura caminham lado a lado, mas a construção de um trânsito mais seguro depende do compromisso de todos. Concessionárias, poder público, órgãos de fiscalização e usuários compartilham a responsabilidade de fazer com que as rodovias cumpram seu papel de preservar vidas, impulsionar a economia e garantir deslocamentos cada vez mais seguros.
Modernizar uma rodovia vai muito além de investir em pavimento, sinalização ou equipamentos. Significa desenvolver soluções que coloquem o usuário no centro das decisões, oferecendo mais transparência, eficiência e uma cobrança compatível com a utilização real da via.
Mais do que uma inovação tecnológica, a justiça tarifária representa uma nova forma de compreender a mobilidade. É um avanço que valoriza quem utiliza a rodovia, amplia a eficiência das concessões e prepara Mato Grosso para enfrentar os desafios logísticos das próximas décadas. O futuro da infraestrutura já começou e ele passa, necessariamente, pela inovação.
*Luiz Sette é diretor-presidente da Rota dos Grãos, empresa responsável pela concessão da MT-130, que liga Primavera do Leste à Paranatinga