Capítulo 142 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto destaca a fritura do pré-candidato ao Senado Antônio Galvan (Avante). O melhor título para este capítulo seria: PL de Wellington, em estado de traição explícita, troca um bolsonarista raiz pela esquerda.
Mato Grosso é um dos núcleos bolsonaristas mais expressivos. O bolsonarismo tem reconhecida força eleitoral, que no entendimento dos seus adeptos deveria ser convertida na eleição de senadores e deputados federais para enfrentar as correntes de esquerda, em Brasília. Em nome deste propósito, o deputado federal José Medeiros (PL) e o produtor rural Antônio Galvan (Avante) são pré-candidatos ao Senado. Naturalmentre os dois deveriam compartilhar o palanque de direita. Isso, porém, não acontecerá, pois o PL decidiu que ao invés de apoiar Galvan, trabalhará para a eleição da deputada estadual e presidente regional do MDB, Janaína Riva, para o Senado. Conclusão: ao invés de buscar este objetivo, a cúpula bolsonarista escolheu o caminho da divisão de forças.
A composição do PL com o MDB foi liderada pelo senador Wellington Fagundes (PL), pré-candidato a governador já homologado em convenção. Wellington cozinhou essa aliança em banho-maria, para não transparecer que sua preferência levava em conta o fato de ser sogro de Janaína Riva. O martelo sobre esta composição foi batido e anunciado no domingo (2), em Brasília, num encontro de Wellington com Flávio Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto.
Resumo: para seguir a orientação do PL, os bolsonaristas terão que votar em Janaína Riva, que não tem identificação com a direita e que é filiada a um partido tradicionalmente de matiz esquerdista. Para as duas chapas majoritárias os seguidores de Jair Bolsonaro se verão diante de dois nomes sem o perfil que defendem: Wellington é chamado de melancia por seu histórico de ligação com os governos dos presidentes Lula e Dilma Rousseff, o que lhe permitia controlar o Dnit em Mato Grosso e nomear seus superintendentes. Aos militantes de direita restará o nome de José Medeiros, esse sim, bolsonarista de carteirinha.
GALVAN – Gaúcho de Sananduva, nascido em 13 de maio de 1957, Antônio Galvan cultiva em Sinop entre os pioneiros da sojicultura. Presidiu o Sindicato Rural daquele município e também a Aprosoja Mato Grosso e a Aprosoja Brasil. Galvan foi filiado a vários partidos. Pelo PTB, em 2022, recebeu a segunda maior votação para o Senado, com 337.003 votos (25,95%) e o pleito foi vencido por Wellington, que se reelegeu com 825.228 votos (63,54%).
Ao longo de sua militância bolsonarista, Galvan enfrentou denúncias do Ministério Público, mas nunca recuou. Organizou manifestações e sua voz nunca foi abafada: sempre gritou por Bolsonaro.
Ao trocar o apoio, deixando de lado Galvan e apoiando Janaína Riva, Wellington fortalece sua participação familiar no poder político. A tentativa de eleger a nora demonstra afinidade do senador com sua família, mas no plano político, sobretudo no campo bolsonarista, o entendimento do eleitorado pode ser outro.
Galvan vai levar adiante sua pré-candidatura. Até o momento, José Medeiros permanece calado. Ontem (2) a assessoria de Janaína Riva distribuiu nota sobre a aliança. Entre os líderes do PL, somente o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, se manifestou.
Abílio Brunini não aceita tal aliança e pediu para que o expulsassem do PL. Fundamentando seu posicionamento Abílio Brunini lembrou que o MDB foi oposição ao PL nas principais disputas por prefeituras em 2024: em Várzea Grande, o MDB com Kalil Baracat enfrentou Flávia Moretti; em Rondonópolis, com o deputado estadual Thiago Silva, o MDB lutou contra Cláudio Ferreira, e Janaína Riva foi uma das principais figuras emedebistas em defesa de Thiago Silva; em Primavera do Leste, o então prefeito Léo Bortolin (MDB) tentou derrotar a candidatura de Sérgio Machnic; e em Cuiabá, o deputado estadual Eduardo Botelho, então no União Brasil e agora no MDB disputou o mandato com ele, mas sequer chegou ao segundo turno.
O apoio de Wellington a Janaína Riva é também apoio ao pai da deputada, o ex-deputado José Riva, que desde 2014, quando foi alcançado pela Lei Ficha Limpa, condenado por corrupção e se tornou delator tendo assumido que chefiou um esquema que desviou 175 milhões dos cofres públicos. José Riva foi condenado a quatro anos de prisão em regime domiciliar e a devolver 94 milhões, e estava fora do noticiário político. Porém, nesta pré-campanha José Riva percorre municípios pedindo apoio para sua filha Jéssica Riva (MDB), pré-candidata a deputada estadual.
Em suma: A aliança do PL com o MDB não tem viés bolsonarista. Dependendo do resultado das urnas poderá ser bom no plano familiar, mas independentemente de vitória ou derrota de Janaína Riva a chapa Sogro & Nora montada por Wellington não contribuirá em nada para os planos do fortalecimento do bolsonarismo no Congresso Nacional, exceção que se faz a José Medeiros, que se eleito será uma voz a mais no Senado por Bolsonaro.
PS – Continuem lendo a série. Na quarta-feira (05 de agosto), o capítulo 142.
Em capítulos anteriores a série focalizou:
Zé do Pátio (PV federado com o PT e o PCdoB)
Neri Geller (Podemos)
Nilson Leitão (UP)
Dilmar Dal Bosco (UP)
Procurador Mauro (PSD)
Lúdio Cabral (PT federado com o PCdoB e o PV)
Valdir Barranco (PT federado com o PCdoB e o PV)
Gisela Simona (UP)
Moisés Franz (PSOL)
Cezare Pastorello (PT federado com o PCdoB e o PV)
Natasha Slhessarenko (PSD)
Gilberto Cattani (PL)
Victorio Galli (Podemos)
Carlos Ernesto Augustin, o Teti (PSB)
Wellington Fagundes (PL)
Carlos Fávaro (PSD)
Rosana Martinelli (MDB)
Thiago Silva (MDB)
José Medeiros (PL)
Dr. Eugênio (Republicanos)
Mauro Mendes (UP)
Janailza Taveira (Podemos), Abmael Borges (PL) e Daniel do Lago (PSDB)
Uma vergonha.