SÉRIE – Verso e reverso de Mato Grosso (8)
Eduardo Gomes
@andradeeduardogomes
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Oitavo capítulo da Série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente.
Uma surrada batina, a estola e uma mala com os poucos pertences de uso pessoal. Isso foi tudo que o padre capixaba João Salarini, da Diocese de Diamantino, levou em 1973 para o local onde o colonizador Ênio Pipino rasgava a floresta para construir Sinop. Naquela cidade padre João Salarini escreveu uma singular página de solidariedade humana, de abnegação e de evangelização.
Nos primórdios de Sinop a malária era hiperendêmica e o sacerdote tinha que se multiplicar ora atendendo vítimas daquela doença tropical ora evangelizando. Padre João Salarini soube bem ser plural na cidade que brotava no solo vermelho na calha do rio Teles Pires, no Nortão de Mato Grosso, que nós chamamos de Nortão, onde o isolamento era marca registrada ao lado da ausência do Estado.
Em 2006 o entrevistei. Ouvi relatos interessantes sobre a colonização de Sinop e da atuação da Igreja Católica naquela região. Figura humana expansiva, mesclava assuntos relevantes com tiradas de bom humor. Logo após me contar o drama de um peão que foi atingido por uma árvore durante uma derrubada com trator e que agonizava no leito da morte pedindo clemência a Deus por seus pecados, mudou de assunto focalizando sua popularidade na cidade. Disse-me que quando caminha pelas ruas até os cachorros dizem: “Lá vai o padre João Salarini”.

Avesso à ociosidade, sobre aposentadoria padre João Salarini dizia que sacerdote somente se aposenta quando morre. Um ataque cardíaco o aposentou aos 78 anos, dos quais 46 de sacerdócio, na madrugada de 3 de setembro de 2007, numa unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Santo Antônio, em Sinop.
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Do legado do padre João Salarini ao povo da metrópole que ajudou a construir à margem da Rodovia Cuiabá-Santarém (BR-163) na Amazônia Mato-grossense, consta a Matriz Santo Antônio e a Catedral Sagrado Coração de Jesus, cuja idealização e construção levam suas digitais.

Uma surrada batina, a estola e uma mala com os poucos pertences de uso pessoal. Isso foi tudo que o padre capixaba João Salarini, da Diocese de Diamantino, levou em 1973 para o local onde o colonizador Ênio Pipino rasgava a floresta para construir Sinop. Naquela cidade padre João Salarini escreveu uma singular página de solidariedade humana, de abnegação e de evangelização.