Boa Midia

MT: Verso e reverso (83) – Carlos Ernesto Augustin, o Teti

Eduardo Gomes

@andradeeduardogomes

eduardogomes.ega@gmail.com

Capítulo 83 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto focaliza o pré-candidato a primeiro suplente de senador Carlos Ernesto Augustin, o Teti (PSB).

Teti é pré-candidato a primeiro suplente na chapa ao Senado que deverá ser encabeçada por Pedro Taques (PSB) pertence a ala elitizada do Partido dos Trabalhadores. De berço petista, Teti nunca participou dos movimentos sociais em Rondonópolis, onde reside, e nunca assumiu bandeira de trabalhador. A escolha de seu nome para a disputa segue a lógica política: ele é milionário com recursos que podem ser despejados na campanha e por ser um dos barões do agronegócio poderá dividir a força de seu seguimento impedindo que ela se concentre no também pré-candidato a primeiro suplente de senador Odílio Balbinotti (PL), que segundará José Medeiros (PL).

Na avaliação da cúpula do grupo lulista, Teti na chapa de Taques minará o deputado federal José Medeiros, que quer ser senador, e o estrago eleitoral- na avaliação do grupo de Lula – será ainda mais expressiva por acontecer em Rondonópolis, onde em tese José Medeiros seria mais forte.

Sempre petista, mas nunca candidato. Com Teti sempre foi assim, porém em 2024 seu nome foi ventilado para disputar a Prefeitura de Rondonópolis e ele chegou a se entusiasmar, mas diante do cenário recuou, o que fez seu partido jogar a toalha no pleito disputado por Cláudio Ferreira (PL) – vencedor -, Thiago Silva (MDB) e Paulo José (PSB). Recentemente, por razões eleitorais, Teti trocou o PT pelo PSB de Taques e foi nomeado vice-presidente regional de sua Comissão Provisória em Mato Grosso.

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Em 2024 ao invés de palanque Teti preferiu continuar no cargo de assessor especial do Ministério da Agricultura (Mapa), então comandado por Carlos Fávaro (PSD) e com vários mato-grossenses em sua cúpula. No período, a estrutura do Mapa foi palco do escândalo do arroz, também chamado de Escândalo Nerizzo – mistura de Neri (Geller) com arroz em italiano,’rizzo’.

ESCÂNDALO – Quando do Nerizzo, Mato Grosso controlava o Mapa: Fávaro, de Lucas do Rio Verde, era o ministro; Irajá Lacerda (PSD), de Cáceres, secretário-executivo; Neri (PP), de Lucas do Rio Verde, secretário de Política Agrícola; Teti (PT), de Rondonópolis, assessor especial; Rosa Neide (PT), de Cuiabá, diretora Administrativa, Financeira e de Fiscalização da Conab; Thiago José dos Santos (PP), de Nortelâdia, diretor de Abastecimento da Conab; e Jônatas Pulquério (PP), de Cuiabá, diretor de Gestão de Riscos do Mapa.

A tentativa intempestiva da importação do arroz foi duramente criticada por orizicultores e entidades de classe do agro. Tal operação não passava pelo assessor Especial, no caso Teti, mas não é fácil convencer a população que o compartilhamento do poder e o grau de relacionamento entre os mato-grossenses no Mapa não teria feito com que todos soubessem detalhes.

RELEMBRE – Em 2024 enchentes assolaram o Rio Grande do Sul e a Conab anunciou que pretendia importar 300 mil toneladas de arroz para assegurar a demanda nacional. Porém, ela reduziu a compra para 263,37 mil toneladas do cereal, pelo montante de R$ 1,316 bilhão. A tentativa de concretização dessa operação comercial virou escândalo nacional com Neri no epicentro do caso.

A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul  (Federarroz) estranharam o plano para importar o cereal, protestaram e distribuíram nota assegurando que não haveria desabastecimento porque a produção gaúcha é suficiente para a demana interna. O deputado federal Marcel van Hattem (Novo/RS), outros parlamentares federais e deputados estaduais representaram na Justiça Federal contra a importação. A Imprensa nacional divulgou várias matérias mostrando que ao invés de necessidade de buscar o produto no exterior, havia sim, muitas estranhas coincidências na operação, que pesavam contra Neri. O escândalo levou o presidente Lula a suspender a compra e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro demitiu Neri, que deixou o Mapa rompido com Fávaro.  Teti fazia assessoramento especial ao Mapa quando tudo isso aconteceu.

ELECarlos Ernesto Augustin, o Teti, nasceu em Carazinho (RS) no dia 17 de agosto de 1957. É engenheiro agrônomo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul na turma de 1982. É empresário rural do segmento sementeiro e produtor rural na fazenda Farroupilha, na Serra da Petrovina, município de Pedra Preta, no polo de Rondonópolis, desde 1984, e sua sede comercial é estabelecida em Rondonópolis. Foi assessor especial do Mapa e presidente do Conselho de Administração da Embrapa (Consad), Teti é um dos fundadores da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat), do Instituto Pensar o Agro (IPA), do Fórum Agro MT e da Associação Brasileira dos Produtores de Semente de Soja (DF). É vice-presidente da Aprosmat e do Fórum Agro MT, e membro dos Conselhos Consultivos da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (AMPA) e do IPA. Teti foi presidente da AMPA, do IPA e da Aprosmat

O irmão de Teti, o economista Arno Augusto Augustin Filho, foi secretário do Tesouro Nacional do segundo governo do presidente Lula da Silva e no primeiro governo de Dilma Rousseff.

A intempestiva tentativa de importação do arroz foi duramente criticada por orizicultores e entidades de classe do agro. Tal operação não passa pelo assessor Especial, no caso Teti, mas não é fácil convencer a população que o compartilhamento do poder e o grau de relacionamento entre os membros da República de Mato Grosso não teria feito com que todos soubessem detalhes.

PS – Continuem lendo a séria. Amanhã (28), o capítulo 84.

 

Em capítulos anteriores a série focalizou:

Zé do Pátio (PV federado com o PT e o PCdoB)

Neri Geller (Podemos)

Nilson Leitão (UP)

Dilmar Dal Bosco (UP)

Procurador Mauro (PSD)

Lúdio Cabral (PT federado com o PCdoB e o PV)

Valdir Barranco (PT federado com o PCdoB e o PV)

Gisela Simona (UP)

Moisés Franz (PSOL)

Cezare Pastorello (PT federado com o PCdoB e o PV)

Natasha Slhessarenko (PSD)

Gilberto Cattani (PL)

Victorio Galli (Podemos)

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