“O que vale na vida não é o ponto de partida, e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.” As sábias palavras de Cora Coralina inspiram a reflexão deste mês dedicado às mulheres. Elas nos recordam que a transformação não acontece por acaso, mas pelo compromisso diário com valores que constroem pontes e ampliam horizontes.
Isso é fundamental em 2026, cujo um dos eixos de atuação definidos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) é o enfrentamento ao feminicídio e à violência doméstica e sexual contra meninas e mulheres.
A atuação do Sistema de Justiça tem sido firme nesse sentido, dando resposta célere aos processos, com índice de 100% de atendimento aos processos de feminicídio ajuizados em 2025, no âmbito do Poder Judiciário de Mato Grosso, e de 99,4% aos processos sobre violência doméstica. No ano passado, foram ajuizados 19.918 processos novos, julgados 12.804 e baixados 28.708. Destaca-se, ainda, que, no âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), foram ajuizadas 21.346 medidas protetivas em 2025, em um universo de 945.506 em todo o país.
Esses números revelam um cenário preocupante no país e em Mato Grosso, com o registro de 1.470 casos (dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública) no país e 54 no Estado (dados do Observatório Caliandra do Ministério Público do Estado de Mato Grosso), além de 3,7 milhões de ocorrências de violência doméstica ou familiar, conforme levantamento do Instituto DataSenado.
A resposta atenta do Poder Judiciário atende a uma parte do problema, que tem origem em razões socioeconômicas e culturais, cuja resolução e transformação não são simples, mas possíveis.
A caminhada pela valorização e respeito às mulheres é, antes de tudo, um exercício de semeadura. Quando cultivamos respeito, equidade e reconhecimento, colhemos ambientes mais justos, produtivos e seguros, e a forma mais eficaz disso acontecer é por meio da educação, que avalio que deveria acontecer com a introdução do tema na grade curricular como disciplina, cultivando esse valor desde a infância.
De igual modo é de suma importância a participação dos homens na construção da cultura de respeito e valorização das mulheres, pois, sua contribuição ativa fortalece a transformação social e amplifica os resultados que buscamos de equidade e sem violência.
Com isso, reputo que sigamos firmes nessa caminhada, certos de que garantir a plenitude de direitos, respeito e vida é uma escolha ética, institucional e profundamente humana. Eis a colheita que queremos fazer.
*Eulice Jaqueline da Costa Silva Cherulli é juíza de Direito, presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (AMAM) e da Associação Brasileira de Mulheres Juízas (ABMJ) e subcoordenadora da região Centro-Oeste da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB)
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