MT: Verso e reverso (51) – Hortêncio Paro
Eduardo Gomes
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Quinquagésimo primeiro capítulo da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente.
Agrônomo formado pela Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, pesquisador, extensionista, incansável, Hortêncio Paro trabalha em Mato Grosso desde 1972, pois naquele ano ao trocar o Paraná, onde vivia, por uma experiência no Centro-Oeste, desembarcou em Fátima do Sul, que mais tarde passaria a pertencer a Mato Grosso do Sul. Ainda naquele Estado desmembrado do território mato-grossense, Paro trabalhou em Dourados e Três Lagoas. Em 1976, a Associação de Crédito e Assistência Rural de Mato Grosso (Acarmat) o levou para seus quadros de pesquisadores, em Cuiabá.
Mal chegou, a Acarmat foi extinta, nascendo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Mato Grosso (Emater), empresa pública, vinculada ao governo estadual. Em 1992, a Emater foi engolida pela Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), que nasceu da fusão da Emater com a Empresa de Pesquisa Agropecuária (Empa) e a Companhia de Desenvolvimento Agrícola (Codeagri). Oriundo da Emater, Paro acompanhou as mudanças nas empresas e permaneceu nos quadros da Empaer até a aposentadoria em 2021, quando aderiu ao Plano de Demissão Voluntária (PDV).
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Em Cuiabá, Paro entrou em cena para criar a cultura da soja em Mato Grosso. Foi ele quem trouxe os primeiros cultivares, desenvolvidos pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC). O primeiro agricultor assistido e orientado foi o pioneiro no cultivo da soja mato-grossense, Adão Riograndino Mariano Salles, da fazenda São Carlos, em Rondonópolis, e a primeira safra comercial em 1977.
Desde que chegou, Paro nunca descansou um dia sequer. Esteve presente em todas as regiões, difundindo a soja e outras lavouras. Quando Munefumi Matsubara resolveu cultivar a leguminosa abaixo do Paralelo 13, na fazenda Progresso, em Sorriso, Paro estava ao seu lado.
É incansável pesquisador e incentivador do cultivo do trigo em Mato Grosso. Promove palestras e dias de campo para difundir a lavoura tritícola, e assessorou a Assembleia Legislativa nessa área.
Paro vê no trigo a terceira lavoura para a mesma área ao longo do ano, dentro do calendário agrícola, sem prejuízo ao cultivo da leguminosa, e da rotação de culturas com algodão ou milho. A chamada lavoura três em um, defendida por Paro completa-se com o trigo irrigado, semeado em maio e colhido em setembro, período que coincide com o vazio sanitário da soja em razão da ferrugem asiática. O mesmo ciclo é adotado com trigo de sequeiro.
A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) sempre foi um de seus destinos. “Colaborei permanentemente com ela (UFMT), mas nunca fui seu professor formalmente“, revela com naturalidade.
Reconhecido nos meios dos produtores e entidades rurais, Hortêncio Paro é paulista de berço, nascido em Piacatu, no dia 25 de janeiro de 1943, mas por erro cartorial a data de seu nascimento consta como sendo em 25 de janeiro de 1944.
Cartório à parte, Hortêncio Paro é Cidadão Mato-grossense pela Assembleia Legislativa, desde 1994, por iniciativa dos então deputados Jaime Muraro, Paulo Moura e Humberto Bosaipo, e reside em Cuiabá. Caso esqueçam seu nome, podem chamá-lo de Senhor Soja ou Senhor Trigo.
PS – Continuem lendo a série. Na terça-feira (21) o capítulo 52.