Capítulo 144 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto focaliza o empresário e político Pedro Satélite.
Pedro Satélite perdeu a luta contra um câncer no pâncreas, que enfrentou por mais de dois anos. Na madrugada da sexta-feira, 5 de janeiro de 2024, aos 68 anos, o ex-deputado estadual fechou os olhos para sempre no Hospital São Mateus, em Cuiabá, onde estava internado. Ora titular, ora suplente, Pedro Satélite esteve no plenário da Assembleia Legislativa, de 1991 a 2022.
Pedro Inácio Weigert, o Pedro Satélite, nasceu em Dionísio Cerqueira (SC) em 8 de setembro de 1955, e era um jovem empresário do transporte rodoviário de passageiros, que em 1978 trocou Santa Catarina, sua terra, pela aventura de consolidar juntamente com familiares linhas de ônibus estaduais e interestaduais na rodovia BR-163, a Cuiabá-Santarém, em Mato Grosso e no Pará. Os negócios prosperaram e a empresa Satélite ganhou destaque regional. Quatro anos depois ele transferiu sua residência do Sul para Guarantã do Norte. Catarinense de Dionísio Cerqueira, Pedro Inácio Weigert nasceu em 8 de setembro de 1955.
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Em 1982 Guarantã do Norte, na divisa com o Pará, fervilhava pela emancipação política e naquele ano escolheu seus dirigentes. Pedro Inácio Weigert foi eleito vice-prefeito, mas deixou de lado o sobrenome, pois a sabedoria popular passou a chamá-lo de Pedro Satélite, em alusão a empresa de ônibus Satélite, de sua família, comandada por ele, e o apelido ficou.
Por um curto período Pedro Satélite assumiu a prefeitura e em 1990 deu o grande salto político. Disputou a eleição para deputado estadual ficando na primeira suplência, mas chegou ao plenário pelo sistema de rodízio parlamentar.
As eleições foram acontecendo. Em 1994, 1998 e 2002 foi deputado estadual. Em 2006 ficou na primeira suplência. Em 2010 e 2014 conquistou mais dois mandatos. Em 2018, quando de sua última candidatura a deputado estadual, não se reelegeu. Pedro Satélite filiou-se a vários partidos, mas sempre disputou as eleições com seu número de candidatura junto ao Tribunal Regional Eleitoral mantendo a centena 163 – em alusão à Cuiabá-Santarém. Pelo PSDB foi 45163; pelo PMDB, 15163; pelo PPS, 23163 etc.
Filiado ao PSD do senador Carlos Fávaro, Pedro Satélite candidatou-se a deputado federal em 2022, mas seu partido sequer conseguiu legenda para a Câmara dos Deputados.
Sua linha parlamentar foi governista. Ou se filiava ao partido do governador ou integrava sua base. Sua principal bandeira parlamentar foi a Cuiabá-Santarém, a rodovia que o trouxe para Mato Grosso. Além da defesa da BR-163 em plenário, Pedro Satélite lutava em Brasília pela pavimentação dela.
Ligado ao deputado José Riva, que durante 20 anos controlou a Assembleia e que no período promoveu escândalos de desvio de recursos públicos, Pedro Satélite também teve envolvimento naquele vergonhoso ciclo, e quando morreu estava no centro de um escândalo investigado pelo Ministério Público Estadual, que o denunciou e ao deputado estadual Dilmar Dal Bosco (UP) por suposto recebimento de propina para impedir uma nova licitação no setor de transporte intermunicipal de passageiros.
ADEUS – O corpo de Pedro Satélite foi velado no Teatro Zulmira Canavarros, da Assembleia Legislativa, com guarda de honra. O sepultamento aconteceu, no Cemitério Parque Bom Jesus de Cuiabá, em Cuiabá. Parentes, amigos e políticos de vários partidos foram ao enterro.
Em nota, o governador Mauro Mendes reverenciou a memória do ex-deputado. Os prefeitos de Cuiabá e Rondonópolis, respectivamente Emanuel Pinheiro e Zé Carlos do Pátio, ambos ex-colegas de Parlamento de Pedro Satélite, lamentaram sua morte.
PS – Continuem lendo a série. Amanhã (7 de agosto), o capítulo 145.
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