Moretto, contrato de 200 milhões e o ‘vício de linguagem’
Eduardo Gomes
@andradeeduardogomes
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Na terça-feira (17), o deputado estadual Valmir Moretto (Republicanos) comemorou com vivas e socos para o ar, uma licitação vencida por uma empresa ligada a ele, para as obras do Hospital Regional de Pontes e Lacerda. O motivo para a comemoração é que a ordem de serviço – segundo ele ao pé do ouvido com o governador Mauro Mendes e sem saber que havia um microfone ligado – é de quase 200 milhões de reais.
O vídeo viralizou e Moretto tratou de explicar alegando que usou ‘vício de linguagem’ pois a empresa não é mais dele e, sim de um irmão. Do outro lado da vibração, o governador Mauro Mendes foi cauteloso e questionou sobre a obra e quais empresas venceram a concorrência. O deputado informou que são três, sendo duas a Agrimat e a outra, dele.
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O episódio foi dantesco e merece investigação profunda. Porém, Mauro Mendes, que responde pelo Estado, que é o contratante, não se manifestou nem foi cobrado pela Imprensa. Em silêncio, também permanece o secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo. A Assembleia não deverá investigar o caso, pois sequer conseguiu instalar sua Comissão de Ética. O Ministério Público Estadual nos últimos anos não levou adiante nenhuma apuração sobre possível favorecimento em contratação de obra ou algo parecido. O Tribunal de Contas do Estado é o TCE que todos conhecem bem e ao longo de sua trajetória conseguiu aprovar todas as contas do ex-deputado José Riva, na Assembleia, e de Silval Barbosa, no governo.
Não está claro sobre o contrato para a obra. Mas, aparentemente a vencedoria seria a G. Moretto, sucessora da VL Moretto. Sobre a G. Moretto: em 26 de fevereiro de 2019, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em sua sede, em Nova Lacerda, durante a Operação Trapaça, deflagrada por ordem do Tribunal Federal da 1ª Região em Brasília, para apurar – como o nome da operação sugeria – trapaça numa licitação vencida pela VL Moretto para realizar obras municipais em Salto do Céu. À época da operação, Moretto já gozava de foro privilegiado, pois exercia mandato de deputado estadual tendo sido eleito no ano anterior. Moretto na ocasião negou as acusações. Aquele caso, como tantos outros, foi jogado na galeria do esquecimento.
Foto:
ALMT