Juína, 44 anos
Eduardo Gomes
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Neste sábado, 9 de maio, Juína celebra 44 anos de emancipação
Grande, mas no segundo andar para efeito de atividade econômica. Assim é Juína, um dos mais importantes municípios de Mato Grosso, mas engessado por imensas reservas indígenas e áreas de preservação permanente, que ocupam 61% de seu território de 26.189,915 km².
Juína esbarra nas reservas indígenas e, na prática, para os padrões da atividade agropecuária mato-grossense, se torna pequeno município. Como se isso não bastasse, existe uma pressão contínua para a expansão de suas terras indígenas.
As terras indígenas ocupam 61% da superfície de Juína, com 13 mil km² pertencentes à etnia Cinta-Larga e 3 mil km² a Enawenê-Nawê. O município tem ainda outra grande área de preservação permanente. É a Estação Ecológica Iquê-Juruena com 188.274,10 hectares (ha).
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Em tese, excluindo-se as reservas indígenas e a estação ecológica, o município teria uma área agricultável de 10 mil km², mas na Amazônia Legal a legislação ambiental proíbe o corte raso em 80% da floresta. Com isso, na prática restam 2 mil km² à economia de Juína, dos quais se descontam ainda os perímetros urbanos da cidade e das vilas, os cursos das rodovias, as matas ciliares e as encostas.

É comum encontrar grupos indígenas que buscam atendimento num hospital destinado a eles, nas dependências administrativas da Funai e também nas ruas em perfeita harmonia com os moradores locais.
Índios também frequentam escolas urbanas e, mesmo sendo proibido, consomem bebidas alcoólicas.
Mesmo sufocada e sob permanente proposta de aumento das terras indígenas Juína resiste, muito embora sofra consequências do engessamento ambiental que impede a expansão agropecuária e cria instabilidade em propriedades vizinhas às aldeias
Juína tem 49 mil habitantes, seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é 0,716 numa escala de zero a um. A cidade é plana e parcialmente pavimentada. É polo regional de prestação de serviços de saúde e público, além de centro de distribuição de alimentose bens de consumo, e bancário. É sede de comarca e zona eleitoral, no município foram instalados uma Administração da Funai, Vara do Trabalho, Delegacia Regional de Polícia Civil e Corpo de Bombeiros Militar.
Município Amazônico, Juína faz divisa com Rondônia e são seus limites: Rondolândia, Aripuanã, Castanheira, Brasnorte, Sapezal e Comodoro. Sua bacia hidrográfica tem importantes rios a exemplo do Juruena, Vinte e Um, Juína-Mirim, Aripuanã, Iquê, Vermelho, rio do Sol, Furquim e Capitão Cardoso.
A base econômica é diversificada. A pecuária é forte e o município tem um dos maiores rebanhos bovinos mato-grossenses. A indústria madeireira é expressiva, mas sofre pressão ambiental, o que restringe seu funcionamento. Juína tem a maior reserva de diamante industrial do mundo, mas as grandes jazidas encontram-se em áreas indígenas sob tutela da Funai; fora da terra indígena há exploração do diamante, mas em escala infinitamente menor daquilo que seria sua extração nas reservas.
A extração de madeira e a cafeicultura foram as primeiras atividades esconômicas expressivas de Juína, mas logo após o começo de seu povoamento moradores descobriram diamante e a região foi literalmente invadida por garimpeiros de todas as partes do Brasil. O garimpo sofreu redução, mas a atividade mineradora permanece em atividade.
O garimpo causou muitas mortes na região, tanto por conflitos quanto por acidentes. Aos 54 anos, Hermes Bergamin morreu em 14 de novembro de 2018, soterrado num de seus garimpos de diamante na localidade de Terra Roxa, município de Juína. Seu corpo foi velado e sepultado naquela cidade.
Empresário rural, minerador e político, Bergamin foi prefeito de Juína de 2013 a 2016. e era suplente de deputado estadual.
A Expoju, que é a feira agropecuária do município, é o maior evento popular da região e seu rodeio figura entre os mais prestigiados do Brasil. Quem promove a Expoju é o Sindicato Rural.
O médico Ságuas Moraes foi prefeito de Juína em dois mandatos e depois deputado estadual, secretário de Estado e deputado federal.
A cidade é distante 730 quilômetros de Cuiabá por rodovia pavimentada via Tangará da Serra, Campo Novo do Parecis e Brasnorte. O aeroporto é pavimentado e sua pista tem 1.580 metros.
Memória: Juína nasceu nos anos 1970, do Projeto de Colonização do Alto Rio Aripuanã, de 2 milhões de hectares, no município de Aripuanã, implementado pela Companhia de Desenvolvimento de Mato Grosso (Codemat) – estatal agora extinta – em parceria com o governo federal como parte da proposta do governo militar de promover a ocupação civil da Amazônia em nome da integração nacional. Desse projeto derivou-se o Projeto Juína, que resultou na construção de uma vila com igual nome à margem da Rodovia AR-1 (Aripuanã 1) numa clareira e com área delimitada de 3 mil hectares. O planejamento urbano foi executado pelo engenheiro civil Hilton Campos, da Codemat, que mais tarde seria prefeito local e deputado estadual.
Quem idealizou a construção da cidade de Juína foi o governador José Manoel Fontanillas Fragelli, no começo dos anos 1970. Em sua homenagem o município tem o Distrito de Paz de Fontanillas, à margem do rio Juruena. Foi numa reunião num hotel de madeira em Fontanillas que Fragelli lançou as sementes de Juína.

O médico Ságuas Moraes foi prefeito de Juína em dois mandatos e depois deputado estadual, secretário de Estado e deputado federal.