Boa Midia

Canetas emagrecedoras podem reduzir o consumo de álcool?

Lívia Catalá*

CUIABÁ

Essa pergunta começou a ganhar atenção depois que pessoas em uso de semaglutida — medicação presente no Wegovy — passaram a relatar uma redução do interesse por bebidas alcoólicas. A observação chamou a atenção da comunidade científica e motivou novos estudos sobre o tema.

Um dos trabalhos mais recentes, publicado no The Lancet, avaliou pacientes com obesidade e dificuldade no controle do consumo de álcool que utilizaram semaglutida 2,4 mg durante 26 semanas. Os pesquisadores observaram redução da vontade de beber, menor quantidade de álcool ingerida e diminuição dos episódios de consumo excessivo.

Um dos dados mais relevantes foi a redução dos episódios de “heavy drinking” — padrão caracterizado pelo consumo exagerado de álcool em uma única ocasião — que apresentou queda significativamente maior entre os participantes que utilizaram semaglutida em comparação ao grupo placebo.

A hipótese dos pesquisadores é que a medicação possa atuar não apenas nos mecanismos relacionados ao apetite e à saciedade, mas também em áreas cerebrais ligadas à recompensa, impulsividade e comportamento aditivo, envolvendo circuitos relacionados à dopamina.

Isso ajuda a explicar por que os efeitos observados podem ir além da perda de peso e do controle metabólico.

Apesar dos resultados promissores, é importante destacar que a semaglutida ainda não é aprovada para o tratamento do alcoolismo. Os estudos atuais representam uma nova e importante linha de pesquisa, mas ainda são necessários trabalhos maiores e de longo prazo para confirmar esses achados e compreender melhor seus efeitos clínicos.

Mais do que buscar tratamentos isolados, o fundamental é realizar uma avaliação médica individualizada. Alterações hormonais, metabólicas e comportamentais podem estar interligadas, e o acompanhamento com endocrinologista é importante para investigar as necessidades de cada organismo e definir estratégias seguras e adequadas para promover saúde e bem-estar.

*Lívia Catalá é médica endocrinologista

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