Baixa visão na infância: especialista alerta para diagnóstico precoce
Paula Laboissière – Enviada especial*
BRASÍLIA
Ao contrário do que muitos pensam, a visão na infância é considerada fator de suma importância para o desenvolvimento global da criança, incluindo o motor, o cognitivo, a comunicação e o social.
A perda visual precoce pode interferir não apenas no aprendizado escolar, mas em todo o processo de desenvolvimento da criança. Nesses casos, quanto mais cedo a intervenção, maior a chance de usar a chamada visão residual para desenvolver estratégias funcionais para o futuro.

O alerta foi feito pela oftalmologista Maria de Fátima Neri, que participa, em Salvador, do 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), que termina neste sábado (12). A médica destacou que, quando se fala de baixa visão na infância, não se trata de uma simples diminuição da acuidade visual.

“A baixa visão pode comprometer a percepção visual, a exploração do ambiente, o desenvolvimento motor, a aprendizagem, a comunicação, a autonomia e a participação dessa criança no mundo”, disse. “Precisamos avaliar e entender o que a criança faz com o resíduo visual que tem.”
Segundo Maria de Fátima, dentre as principais causas de baixa visão na infância figuram:
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retinopatias causadas por infecção por sífilis, toxoplasmose e citomegalovírus;
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catarata congênita;
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glaucoma congênito;
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anomalias do nervo óptico;
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albinismo;
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distrofias hereditárias da retina;
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alta miopia;
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doenças neurológicas;
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deficiência visual cortical ou cerebral;
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prematuridade.
A oftalmologista reforçou que, além do diagnóstico, é preciso avaliar as funções visuais da criança, incluindo a acuidade visual, além de entender, junto aos pais, o que ela consegue fazer e como a baixa visão interfere nas atividades diárias.
Na investigação junto com a família, a seguinte investigação deve ser feita:
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A criança reconhece rostos?
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Consegue localizar objetos?
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Consegue brincar com autonomia?
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Como ela se comporta em diferentes condições de iluminação?
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O que ela deixou de fazer por causa da baixa visão?
Os sinais de alerta, segundo Maria de Fátima, incluem:
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A criança não acompanha objetos.
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Não fixa os olhos ou mantém pouca fixação.
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Aproxima excessivamente objetos dos olhos.
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Esbarra ou tropeça com frequência.
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Tem dificuldade em ambientes poucos iluminados.
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Apresenta fotofobia ou busca intensa por luz.
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Demonstra dificuldade para reconhecer pessoas e objetos.
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Apresenta atraso no desenvolvimento sem causa definida.
O trabalho de habilitação, nesses casos, deve incluir áreas como estimulação visual funcional, recursos ópticos, recursos não ópticos, tecnologia assistiva, orientação e mobilidade, terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, pedagogia e orientação familiar.
“O desenvolvimento visual está relacionado ao visual, mas também ao motor, ao cognitivo, à linguagem e à interação. A visão participa da construção de toda a experiência da criança. Por isso, alterações visuais importantes e não reconhecidas podem repercutir no desenvolvimento global dela”, avaliou a oftalmologista.
Ao contrário do que muitos pensam, a visão na infância é considerada fator de suma importância para o desenvolvimento global da criança, incluindo o motor, o cognitivo, a comunicação e o social.