– A política não deveria ser a arte de dominar, mas sim a arte de fazer justiça. – Aristóteles, filósofo grego.
Não tem jeito. Quando me veem zanzando para lá e para cá, em diferentes cantos da cidade, algumas pessoas não resistem em me perguntar, sendo eu quem sou e fazendo o que eu faço, o porquê de eu ainda não ter ingressado em um ou outro partido político e nunca ter sido candidato a nada, seja na edilidade, na municipalidade ou até mesmo na esfera estadual.
De praxe, a minha primeira reação é sorrir para, em seguida, tentar argumentar algo simples e direto como “isso não é para mim’, “o meu caminho é outro” ou, dependendo do meu humor, “para manter a minha sanidade”. Isso para não dizer que eu prefiro não andar com lobos em pele de cordeiro ou interesseiros, na sua quase totalidade.
Pois é essa a realidade do Brasil há muitas décadas, país onde ética, caráter e respeito a si mesmo e ao próximo caíram em desuso. Infelizmente, porém, a história, nos ensina que isso surgiu muito antes de nós, desde os tempos que antecederam gregos e romanos, quando integrantes de vários outros impérios, apesar do seu tamanho, força e glória alcançada, sucumbiram ao mestre supremo: o tempo. E essa é a minha certeza: estes que aí estão, seguros de si e da própria impunidade, confiantes nas suas armações e nos seus frequentes atos de corrupção ou certos de que não estão fazendo nada de errado aos olhos de Deus e dos homens, um dia passarão e pagarão por seus atos, aqui mesmo na Terra ou em algum outro lugar, caso ele exista.
Se antes a política, como acreditava Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.), era a “ciência da cidade”, atualmente ela está mais para o conceito do galês Bertrand Russell (1872-1970). Ou seja, ela é “a arte de conquistar, manter e exercer o poder, o governo”. Hoje, subentende-se que isso pode ocorrer (e geralmente ocorre) a todo custo, incluindo formas lícitas e ilícitas, éticas e antiéticas de convencer ou persuadir todo e qualquer cidadão. Algo, aliás, que os imperadores romanos já faziam com sagacidade, maestria e prazer.
Mas, tanto na vida como na arte, algozes podem se tornar vítimas e vice-versa. Como acreditasse que tenha ocorrido com Caius Iulius Caesar (100 a.C. – 44 a.C.) e depois com o gago, manco e ambicioso Claudius Caesar Augustus Germanicus (10 a.C. – 54), mais conhecido como Claudius. Seu fim? Ele foi supostamente assassinado por uma das esposas.
Por outro lado, como nos ensina a famosa observação atribuída (erroneamente?) ao advogado e filósofo alemão Karl Marx (1818-1883), “a história se repete”. Na forma de tragédia ou comédia, realidade ou farsa, fake ou fact (como tem sido dito ultimamente), os nomes e os acontecimentos podem ser surpreendentemente os mesmos. No entanto, o tempo (ou Shakespeare, se ele estivesse vivo) pode decidir alterar algo aqui ou ali nesse enredo. Quem sabe só assim a suposta fala dita a Brutus possa ser direcionada a Claudius e o papel de imperador não seja mais de um homem só, mas de toda uma coletividade composta por aproximadamente 250 mil pessoas.
Nos dias atuais, em que o real, o irreal e o surreal nos iludem ou nos inspiram, quem quer posar de imperador, quem não se reconhece narcisista, quem corta relações com o próprio vice, quem deixa de seguir as diretrizes do partido, quem lança a politicamente inexperiente companheira a candidata e comete muitos outros absurdos pode até enganar a si mesmo, mas há de se entender um dia com a Justiça.
*JERRY MILL é professor, escritor, sebista e associado honorário do Rotary Club de Rondonópolis
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