Capítulo 89 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto focaliza a pré-candidata a deputada federal Rosana Tereza Martinelli (MDB).
Bonita, charmosa e discreta. Mulher de verdade, tão paranaense quanto a maioria da população de Sinop, a futura capital de Mato Grosso do Norte, que é porta-voz do sonho de emancipação do Nortão, a região mais próspera do Brasil e um dos pilares da política de segurança alimentar mundial.
Sinop teve apenas uma prefeita: ela – Rosana Martinelli.
Entrevistando a então prefeita Rosana
Para os padrões mato-grossenses Rosana Martinelli é novata em política, mas nem por isso menos turista partidária, pois já assinou ficha de filiação no PSB, PR (rebatizado PL) e agora no MDB. Na vida pública foi secretária de Indústria e Comércio e Turismo de Sinop, quando Nilson Leitão exercia mandato de prefeito.
Em 2012, pelo PSB, Rosana se elegeu vice-prefeita de Juarez Costa (PMDB). Sua grande vitória eleitoral aconteceu em 2016, pelo PR, quando foi eleita prefeita com 23.981 votos, superando Roberto Dorner (PSD), com 20.593 votos e Dalton Martini (PP), com 16.057 votos. Sua eleição foi pela coligação Amor por Sinop, formada pelo PR, PMDB, PV, PMB, PTB, PM, PTC, PCdoB, PTN, PROS e PT. Seu vice-prefeito foi Gilson de Oliveira.
Os irmãos Jaime e Rosana
Sua administração de foi água com açúcar. Sinop cresce tanto, que a prefeita (ou prefeito) não precisa fazer nada; basta não atrapalhar. Rosana não esteve diretamente envolvida em escândalo, mas seu irmão, Jaime Luiz Dallastra, que era secretário de Governo do município, foi preso em 1º de dezembro de 2020, acusado de furtar material fresado (um tipo e brita) da concessionária Rota do Oeste, que o havia depositado para reparos na rodovia BR-163, que explora em concessão. Dallastra teria levado o material para uma fazenda de Rosana, foi preso em flagrante e poucas horas depois a Justiça o botou em liberdade. O caso foi abafado e Rosana optou pelo silêncio.
Em 2020 Rosana não disputou a reeleição. Wellington Fagundes era senador, queria novo mandato em 2022 e descartou os suplentes Jorge Yanai e Manoel Motta, eleitos com ele no pleito anterior. Para o lugar de Yanai, Wellington lançou Mauro Carvalho (União), que é chefe da Casa Civil do governo estadual e carne e unha com o ex-governador Mauro Mendes; para a segunda suplência, ele trocou Manoel Motta, do PCdoB por Rosana; essa mudança, foi parte do plano de Wellington para tentar apagar a pecha de melancia: saiu o comunista Manoel Motta e entrou a liberal bolsonarista Rosana.
A chapa de Wellington com Mauro Carvalho e Rosana foi eleita com 825.229 votos. Em 2024 Wellington deixou o Senado para se submeter a uma cirurgia no ombro. Mauro Carvalho concordou e cedeu a vez para Rosana chegar ao plenário, onde foi um zero à esquerda.
MEMÓRIA:
Em 13 de junho de 2024 escrevi o artigo abaixo, no blogdoeduardogomes.com.br
Uma bandeira para Rosana no Senado
Imaginei que no plenário Rosana levantaria a bandeira da divisão territorial pela criação de Mato Grosso do Norte, mas ela fugiu desse tema. À época escrevi um artigo em defesa da emancipação do Nortão, torcendo para que Rosana assumisse essa bandeira em plenário.
Disse assim no texto: ” … Que todos os ventos democráticos soprem favoráveis a ela. Que o máximo de sua capacidade criativa de manifeste, e que ela, Rosana, defenda o Nortão com as bênçãos dos colonizadores Ênio Pipino, Ariosto da Riva. Claudino Francio, José Aparecido Ribeiro, Antônio Domingos Debastiani e Zé Paraná; do padre João Salarini e da Irmã Adelis; com a motivação esportiva de Ana Tiemi, Rogério Ceni e Joaninha; com a benemerência do Dr. Jorge Yanai e do Dr. Mário Nishikawa; com a ciência agronômica de Ângelo Maronezzi; com a ousadia de Munefumi Matsubara, Otaviano Pivetta e Paulo Japonês; com a beleza de Josiane Oderdengen Kruliskoski; com o humanismo de Jair Mariano; com a coragem de Wilson Clever Lima e William José Lima – os Irmãos Metralha; com a força transformadora dos pioneiros na região, dos seringueiros dos seringais nativos, dos garimpeiros do Ciclo do Ouro, dos produtores rurais e do conjunto dos habitantes dos 36 municípios do Nortão, que se estende de Nova Mutum a Guarantã do Norte na área compreendida entre a margem esquerda do Xingu e a direita do Juruena. Que sua presença no plenário do Senado, Rosana, não seja apenas a substituição do titular Wellington Fagundes (PL). Você é maior que o período que lhe é reservado para legislar. Sem ruptura com Wellington e o partido de vocês, faça de sua presença no Senado o hasteamento da bandeira de Mato Grosso do Norte, o Estado que implora para ser criado”.
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MDB – Neste ano Rosana filiou-se ao MDB e está em cena com sua pré-candidatura a deputada federal. Seu partido tinha dois deputados federais: Juarez Costa, que migrou para o Republicanos; e Emanuel Pinheiro, que foi para o PSD. Seu nome consta entre os puxadores de votos do MDB ao lado do ex-prefeito de Várzea Grande, Kalil Baracat. Para chegar a Brasília ela terá que torcer para que seu partido alcance o quociente eleitoral para garantir uma vaga, e rezar para que esse nome seja o seu e não Kalil.
Em Sinop, município com 126.400 eleitores Rosana disputará votos com Nilson Leitão (UP) e Juarez Costa (Republicanos); ambos ex-prefeitos, Juarez é deputado federal e Leitão ex-deputado federal.
Rosana não terá dificuldades no palanque do MDB. Em sua trajetória ela nunca foi militante ideológica. Em Mato Grosso, tradicionalmente o MDB sempre foi aliado do PT, mas neste ano o partido do Dr. Ulysses Guimarães permanece num balanço imaginário que ora pende para Lula ora para o clã Bolsonaro.
Jéssica Riva, Rosana e José Riva em pré-campanha
A cúpula emedebista não definiu uma linha ideológica. Tudo que se sabe que a principal meta do MDB é eleger a deputada estadual Janaína Riva senadora; essa meta tornou-se mais abrangente no âmbito familiar com o anúncio da pré-candidatura de Jéssica Riva, irmã de Janaína Riva, para deputada estadual. As duas recebem o apoio do pai, o ex-deputado estadual José Riva, que durante 20 anos controlou a Assembleia Legislativa. Riva iniciou a peregrinação pelos municípios para apresentar Jéssica Riva e pedir apoio para as duas filhas.
Rosana ganhou destaque na Imprensa ao participar de um roteiro dos Riva por municípios do Vale do Arinos. O pai José Riva e a filha Jéssica Riva tiveram sua companhia. Portanto, independentemente do posicionamento que o partido adote para a disputa presidencial Rosana estará confortável por ser ambidestra.
ELA – Rosana Tereza Martinelli é de Palotina, no Oeste paranaense, mas chegou a Sinop ainda criança, no feriado nacional de 21 de abril de 1974, enfrentando uma carroceria do caminhão que levou sua família para a aventura de colonizar uma cidade embrionária na Floresta Amazônica, na calha do rio Teles Pires, cujo acesso era por estrada sem pavimentação, a energia gerada por conjunto estacionário e telefonia não havia nem em sonho.
Menina bonita e ousada, Rosana morou na zona rural com os país, mas na adolescência migrou para a cidade. Foi aluna da tradicional Escola Nilza Pipino, concluiu o curso de Técnica Contábil, bancária do Bradesco, instrumentista em fanfarra escolar e Miss do Carnaval de 1984 que teve ninguém menos do que o pioneiro e primeiro vereador de Sinop (que à época pertencia a Chapada dos Guimarães) Plínio Callegaro no papel de Rei Momo.
Rosana nunca rejeitou serviço. Foi babá e diz isso com orgulho. Trabalhou no comércio. Sempre se virou. A moça que teve a primeira bicicleta e a primeira moto em Sinop foi ela; por onde passava a rapaziada vibrava. Na agência bancária conheceu o galã e agrônomo Osmar Martinelli, que a levou ao altar e a fez trocar o sobrenome familiar Dallastra pelo dele, Martinelli. O casal Martinelli montou uma indústria madeireira. Osmar foi vereador e após complicações de saúde morreu em 25 de janeiro de 2021, quando não tinha mobilidade, não falava e permanecia preso a uma cama.
PS – Continuem lendo a série. Na quarta-feira (3 de junho), o capítulo 90.
Em capítulos anteriores a série focalizou:
Zé do Pátio (PV federado com o PT e o PCdoB)
Neri Geller (Podemos)
Nilson Leitão (UP)
Dilmar Dal Bosco (UP)
Procurador Mauro (PSD)
Lúdio Cabral (PT federado com o PCdoB e o PV)
Valdir Barranco (PT federado com o PCdoB e o PV)
Gisela Simona (UP)
Moisés Franz (PSOL)
Cezare Pastorello (PT federado com o PCdoB e o PV)