MT: Verso e reverso (82) – Victorio Galli

Eduardo Gomes

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Capítulo 82 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto focaliza o pré-candidato a deputado federal Victorio Galli (PP federado com o União Brasil).

Quem é Galli? Victorio Galli Filho é paulista de Rosana, nascido em 30 de abril de 1961. É professor de Teologia e coordenador da Escola de Teologia do Grande Templo, da Igreja Assembleia de Deus, em Cuiabá.

Mickey na mira de Galli

Radical de direita confesso, Galli se declara cristão, pela família, moral e os bons costumes.  Em 2017, numa entrevista à Rádio Capital, Galli então deputado federal pelo PSC, disse que os Estúdios Disney e o travesso ratinho Mickey faziam apologia à homossexualidade e que ambos estavam acabando com a tradicional família brasileira. Pelo sim, pelo não, Mickey não inclui Mato Grosso em seus roteiros mundo afora.

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Por essa declaração Galli passou a ser chamado de inimigo do Mickey, a Defensoria Pública de Mato Grosso ingressou com uma ação civil pública contra ele por danos morais coletivos e a juíza Célia Regina Vidotti, da Vara Especializada de Ação Pública e Ação Popular de Cuiabá, o condenou ao pagamento de 100 mil reais de indenização por danos morais coletivos. Galli recorreu, mas não reverteu a sentença. No afunilamento da tramitação da ação, Galli alegou que não tinha liquidez para tal desembolso, pois seu salário líquido era de 16.298,87 reais por uma assessoria que fazia ao presidente Jair Bolsonaro.

Galli disputou cinco eleições para deputado federal.

Em 2006, pelo PMDB do cacique Carlos Bezerra recebeu 22.981 votos ficando na suplência. Em 2010, pelo mesmo partido chegou a 54.387 votos, mas não se elegeu. Finalmente, em 2014, filiado ao PSC, Galli chegou à Câmara com 64.691 votos, pela coligação Coragem e Atitude para Mudar, de seu partido com o Patriota, PP, DEM, PSDB, PSB, PPS, PTB, PSL e o PRB.

Em 2018 no PSL de Jair Bolsonaro voltou a amargar suplência. com 52.947 votos. Seu partido conquistou somente uma cadeira na Câmara, com Nelson Barbudo, que recebeu 126.249 votos, sendo o mais votado em Mato Grosso ao cargo naquele pleito. Em 2022 mais uma derrota; pelo PTB recebeu 15.570 votos.

Nas duas primeiras eleições Galli era liderado pelo cacique Carlos Bezerra, de posicionamento socialista, e perdeu. Na última, pela sigla de Bolsonaro, também foi atropelado; porém, sem mandato, o Mito o socorreu dando-lhe uma assessoria regiamente paga pelo contribuinte. Sua única vitória foi em 2014, pelo PSC ligado aos evangélicos.

Ou seja, Galli não se deu bem com os votos da esquerda nem da direita, porque sua base eleitoral não é ideológica, mas evangélica.

MITO – Galli conheceu Bolsonaro na Câmara, onde os dois cumpriam mandatos. Evangélicos, a igreja os aproximou. Bolsonaro era pré-candidato a presidente. Em 2018 Galli deixou-se seduzir por sua plataforma e abraçou sua campanha em Mato Grosso rompendo com seu passado sob a liderança de Bezerra.

FAMÍLIA – Em 2018, Galli deputado federal e presidente regional do PSL de Jair Bolsonaro tentou a reeleição, mas deu com os burros n’água. No contexto da família Galli a derrota foi maior, porque Elias Nascimento Galli, filho do parlamentar, também perdeu para deputado estadual pelo mesmo partido do pai.

Galli recebeu 52.947 votos. Elias cravou apenas 3.735.

A derrota de Elias em 2018 não causou surpresa, mas a queda do pai, sim, pois Galli era homem de confiança de Bolsonaro em Mato Grosso, e acreditava-se que seu nome colado ao do presidenciável facilitaria sua reeleição. Naquele pleito a juíza Selma Rosane Arruda se elegeu senadora pelo PSL de Bolsonaro, e Galli tentou por todos os meios convencê-la a apoiar Elias, mas ela não aceitou. Chateado, Galli filiou-se ao PTB e passou a comandá-lo, mas perdeu espaço e correu para o Democracia Cristã.

SUPLENTE – Em 2020 Galli disputou a eleição suplementar para o Senado, em razão da cassação da chapa da juínza Selma Rosane, por abuso de poder econômico. Galli foi candidato a primeiro suplente da Coronel Fernanda na chapa partidária do Patriota, que se completava com o segundo suplente Tenente Esteves. O pleito foi disputado por 11 chapas e vencido por Carlos Fávaro (PSD) com 371.857 votos; a Coronel Fernanda ficou em segundo lugar com 293.362 votos.

SONHO – Em 2024 Galli fez das tripas coração para ser candidato a vice-prefeito de Cuiabá na chapa de Eduardo Botelho (União), mas não viabilizou seu sonho, embora, pela lógica ela fosse estratégica para Botelho, pois Galli é membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, a mesma de Abílio Brunini (PL) que concorreu e venceu Botelho; Abílio tem forte apoio evangélico, mas Botelho não levou isso em conta.

PARLAMENTAR – Galli cumpriu mandato de quatro anos na Câmara dos Deputados, onde foi um zero à esquerda. Parlamentar do baixo clero, Galli não tem sequer uma lei de sua autoria para mostar ao eleitor.

CHAPA – Nada definido, mas aparentemente a federação União Brasil/PP (União Progressista) deverá disputar a Câmara com Victorio Galli, Gisela Simona, Nilson Leitão, Virgínia Mendes, Fábio Garcia e outros menos cotados.

PS – Continuem lendo a série. Na quarta-feira (27) o capítulo 83.

Em capítulos anteriores a série focalizou:

Zé do Pátio (PV federado com o PT e o PCdoB)

Neri Geller (Podemos)

Nilson Leitão (UP)

Dilmar Dal Bosco (UP)

Procurador Mauro (PSD)

Lúdio Cabral (PT federado com o PCdoB e o PV)

Valdir Barranco (PT federado com o PCdoB e o PV)

Gisela Simona (UP)

Moisés Franz (PSOL)

Cezare Pastorello (PT federado com o PCdoB e o PV)

Natasha Slhessarenko (PSD)

Gilberto Cattani (PL)

 

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