MT: Verso e reverso (123) – A inusitada taxa do prefeito Candinho
EDUARDO GOMES
@andradeeduardogomes
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Capítulo 123 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto destaca a inusitada taxa criada pelo prefeito de Rondonópolis, Candinho.
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Boa praça, ligado ao futebol, de família tradicional e pioneira no ramo farmacêutico, Candinho se elegeu prefeito de Rondonópolis em 1972, pela Aliança Renovadora Nacional (Arena), e tomou posse em janeiro do ano seguinte, quando o município ainda não conhecia soja e a cidade carregava o título de Rainha do Algodão, o que enchia seus 54.028 habitantes de orgulho. No cargo, Candinho criou uma inédita taxa, que ganhou destaque na Imprensa nacional, por seu ineditismo: Sua Excelência passou a cobrar por audiência e atendimento concedidos em seu gabinete.
Candinho quer executar um governo inovador, que requeria muito, e inclusive tempo. Porém, sem gabinete era uma espécie de rota de romeiros, tamanha a quantidade de figuras que batiam à sua porta. Para otimizar a administração prefeito instituiu a taxa, o que afastou a multidão do endereço mais importante da cidade, que à época se localizava no cruzamento da avenida dos Bandeirantes com a rua Rio Branco. Assim Candinho administrou sem perder tempo.
Livre da moagem e as ‘facadas’, com o gabinete vazio, Candinho tocou a administração e Rondonópolis ganhou com sua decisão. Ao transmitir o cargo para Walter Ulysséa, seu sucessor, Candinho tinha um saldo administrativo digno de reconhecimento: foi ele quem pavimentou as primeiras ruas, instalou os primeiros semáforos, brigou pelas raízes da Universidade Federal de Rondonópolis e deixou em funcionamento a primeira rodoviária da cidade. Com seu apoio um grupo liderado por Lamartine da Nóbrega criou o União Esporte Clube, em 6 de junho de 1973. Além disso, mantinha intensa conversação com empresários e produtores rurais interessados no município, que dava sinais que seria a Capital Brasileira do Agronegócio.
Candinho era o apelido de Cândido Borges Leal Júnior, que nasceu em Pirajuí (SP) no dia 13 de maio de 1937 e faleceu em 2 de dezembro de 1996. Candinho era casado com Ana Dehemica Luz Borges Leal e foi patriarca do clã que por mais tempo administrou Rondonópolis. Ele foi prefeito por quatro anos, e seu genro Percival Muniz exerceu mandato de prefeito por três mandatos; Percival é casado com Ana Carla Luz Borges Leal Muniz, filha de Ana Dehemica e Candinho; o casal teve três filhos: Ana Carla, Gina e Rogério.
Na vida pública Candinho também foi deputado estadual na legislatura de 1979/82 e presidiu a estatal estadual Companhia de Desenvolvimento de Mato Grosso (Codemat), já extinta.
PS – Continuem lendo a série. Amanhã (14), o capítulo 124