MT: Verso e reverso (72) – Dra. Natasha

EDUARDO GOMES
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Capítulo 72 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto focaliza Natasha Slhessarenko, pré-candidata a governadora.

Natasha Slhessarenko Fraife Barreto (PSD), médica pediatra, empresária do ramo da Saúde, professora-adjunta da Faculdade de Medicina da UFMT, onde se formou, cuiabana, mãe de Marina e Maria Eduarda, que exerce a medicina há 36 anos em Cuiabá, é apresentada por seu partido como se tivesse uma auréola – a cereja do bolo – diferente de seus três principais adversários, Jayme Campos (UP), Otaviano Pivetta (Republicanos) e Wellington Fagundes (PL) – todos com suas culpas em cartório adquiridas ao longo de suas trajetórias políticas. Será que esse conceito sobre a Dra. Natasha (é assim que ela gosta de ser chamada, sem o sobrenome Slhessarenko) é correto?

– Vejamos.

Se não exerceu cargo eletivo ou comissionado, a Dra. Natasha não tem erros cometidos na vida pública. Mas, e na vida cidadã, no exercício da profissão por alguém que quer governar a terra onde nasceu e que abraçou seus pais gaúchos, Leonardo Slhessarenko e Serys Slhessarenko?

Por esse ângulo, o Dr. Natasha é nota zero. Se ao longo de quase quatro décadas na medicina ela nunca atuou voluntariamente em prol da saúde do cidadão – do trabalhador que ela tanto menciona nessa pré-campanha – positivamente ela não é uma mulher com sensibilidade humana, mas uma empresária focada em ganhar dinheiro. Um perfil assim não é o mais indicado para alguém governar um Estado com a saúde pública precária, com milhares de famílias vivendo abaixo da linha

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da pobreza e onde o médico mais próximo costuma ser o “Dr. Ambulância” que se encarrega do turismo de saúde transportando pacientes dos pequenos municípios para os hospitais regionais.

Além da sensibilidade que ela nunca demonstrou, nem mesmo no amargo período da pandemia da covid-19, a Dra. Natasha chega com as mãos abanando, sem nada, no tocante ao seu engajamento em defesa de seus colegas médicos, dos trabalhadores, de Mato Grosso.

Ao longo de décadas cobri muitas manifestações do Sindicato dos Médicos e nunca a vi nos atos que seus colegas promoviam.

Quantas vezes servidores públicos se mobilizaram, inclusive em passeatas, por melhoria salarial, recebimento de RGA, contra demissões? As mulheres sempre se mobilizam contra a misoginia, a violência doméstica, o feminicídio. Os indígenas tentam chamar a atenção para as invasões de suas terras, o atentado à sua cultura. Negros lutam pelo tratamento igualitário entre as raças.

O movimento dos trabalhadores armou vários acampamentos em Cuiabá e outras cidades, ocupou prédios públicos, fez barricadas no trânsito, promoveu caminhadas e a Dra. Natasha nunca esteve ao lado dele.

As pautas dos povos indígenas são muitas e eles sempre tiveram apoio e solidariedade por parte dos políticos identificados com as causas populares, menos a voz da Dra. Natasha.

Bastava passar o olho pela multidão sobre as mais diversas manifestações e nunca se via a Dra. Natasha junto com Ságuas Moraes, Henrique Lopes, Gilmar Brunetto – Gauchinho, James Cabral, Professora Graciele, Wilson Santos, Juca Lemos, Gláucio de Abreu Castañon, Paulo Vinícius Barros de Assís, Altir Peruzzo, Valdir Correia, Laudicério Machado, Itamar Perenha, Girlene Ramos, Enock Cavalcanti, Adolfo Grassi, Zé Carlos do Pátio, Wendell Girotto, Ademir Brunetto, Gilney Viana, Maria Lúcia Cavalli Neder, Evelyn Hack Bidigaray, Rosenwal Rodrigues, Professor Tati, Edval Luiz Pereira Souza, Professor Santino, Antônio Wagner, Júlio Cesar Martins Viana, Adeildo Lucena, Jerônimo Sem Terra, Lúdio Cabral, Edmundo César, Jocilene Barboza dos Santos, Eliane Xunakalo, Valdir Barranco, Rosa Neide, Daiane Renner, Carmen Machado, Carlos Abicalil, Verinha Araújo, Enelinda Scala, Carlos Mesquita de Magalhães, Edna Sampaio e tantos outros batalhadores. Essa luta tem muitas frentes, é suprapartidária, mas não conta com os insensíveis, indiferentes.

A voz da Dra. Natasha não se levantou pelo trabalhador e por Mato Grosso. O que teria acontecido para que de uma hora para outra, ela tão calada e distante, tente personificar a mãe zelosa da população, a heroína mato-grossense? Isso soa estranho.

A estranheza torna-se ainda maior quando se volta no tempo: em 2022, ela surgiu no cenário político querendo ser candidata ao Senado pelo PSB, então de Max Russi. A convenção homologou seu nome, porém Max lhe deu uma rasteira e ela perdeu o chão.

Na luta para ser senadora, por um breve período, a Dra. Natasha foi vista no meio do povo. Com seu sonho frustrado, ela sumiu. Desapareceu. De 2022 para cá aconteceram muitos fatos que mobilizaram políticos em defesa de categorias, mas a Dra. Natasha não abraçou nenhuma causa.

Recentemente a Dra. Natasha percorreu duas dezenas de municípios no Vale do Araguaia, numa caravana liderada pelo senador Carlos Fávaro (PSD), que tenta a reeleição e lhe deu legenda para concorrer ao governo. Assisti vários vídeos gravados por ela. Com naturalidade a Dra. Natasha se mostrava deslumbrada com o rio Araguaia, Cocalinho São Félix do Araguaia, com tudo que via. Ou seja, ela não conhece o povo – e a recíproca é verdadeira – nem Mato Grosso. Uma estranha em busca de votos do mesmo cidadão que no passado ela não socorreu com a ciência médica.

A Dra. Natasha sofre de amnésia familiar. Não destaca sua mãe, Serys Slhessarenko, política que iniciou a carreira no PV; aderiu ao PT, pelo qual foi deputada estadual por três mandatos consecutivos e           senadora; mais tarde deixou o partido de Lula, após protagonizar uma divergência partidária que resultou no impedimento para que disputasse a reeleição, o que a levou a se candidatar a deputada federal, em 2006, sem sucesso. Mesmo cumprindo mandato no Senado com Lula na presidência e o PT compartilhando o governo com Silval Barbosa (PMDB), Serys não ganhou destaque atuando em defesa de Mato Grosso e entrou em descompasso político perdendo eleição para prefeita de Cuiabá em 2016, pelo PRB ficando em quinto lugar na disputa, com 9.242 votos; hoje Serys assessora o deputado estadual Wilson Santos (PSD).

Berço familiar à parte, a Dra. Natasha terá – creio – dificuldade – para justificar junto ao eleitorado seu distanciamento das causas sociais, da defesa do trabalhador, da doação enquanto médica aos necessitados. O palanque não será dela, mas de Lula, que abraça as demandas da população, coisa que ela nunca fez.

Ao confrontá-la com Pivetta, Jayme e Wellington o eleitor não terá dúvida que os três cometeram erros, mas todos apresentam saldo positivo de suas ações na vida pública, enquanto ela nada fez a não ser errar por sua falta de relação com os ‘queridos eleitores que agora abraça efusivamente”.

Claro, que a opção pelo distanciamento da Dra. Natasha é um direito e deve ser respeitado. Porém, ao entrar no cenário político ela automaticamente expõe sua vida, para que o eleitor a analise. Afinal, o que ela quer é simplesmente ser procuradora do povo mato-grossense nos próximos quatro anos – para delegar poder nesse nível é imprescindível conhecer bem a figura que quer assumir essa representação.

PS – Continuem lendo a série. Amanhã (15), o capítulo 73.

Em capítulos anteriores a série focalizou:

Zé do Pátio (PV federado com o PT e o PCdoB)

Neri Geller (Podemos)

Nilson Leitão (UP)

Dilmar Dal Bosco (UP)

Procurador Mauro (PSD)

Lúdio Cabral (PT federado com o PCdoB e o PV)

Valdir Barranco (PT federado com o PCdoB e o PV)

Gisela Simona (UP)

Moisés Franz (PSOL)

Cezare Pastorello (PT federado com o PCdoB e o PV)

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