MT: Verso e reverso (49) – Deputado Mário Juruna

EDUARDO GOMES
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Quadragésimo nono capítulo da Série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente.

Líder indígena Xavante, Mário Juruna caiu como luva para Leonel Brizola, que anistiado, voltava do exílio e tentava se eleger governador do Rio de Janeiro, pelo PDT, nos braços do populismo, o que conseguiu. Brizola o lançou candidato a deputado federal por seu partido. O Rio deu o mandato a ele em 1982, com rechonchudos 31 mil votos.

Juruna ficou famoso nacionalmente por andar com um gravador – novidade tecnológica à época – e gravar compromissos de políticos, que nunca eram cumpridos.

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Juruna e o dinheiro da propina

No final de 1984 Juruna exibiu na Câmara, 30 milhões de cruzeiros, que lhe teriam sido repassados pelo empresário Calim Eid, que coordenava a campanha de Paulo Maluf para presidente com eleição pelo Colégio Eleitoral. Juruna explicou que o dinheiro lhe foi entregue como pagamento por seu voto para Maluf, em janeiro do ano seguinte. Disse ainda que Eid assegurou que se ele sofresse algum tipo de punição e tivesse que retornar à sua aldeia, lhe daria mais 370 milhões de cruzeiros. Juruna devolveu a dinheirama e o caso foi abafado. Eid negou o fato.

Em 1986 Juruna tentou a reeleição e foi derrotado. Em 1990 e 1994 novamente concorreu para deputado federal, sem sucesso.

Nascido em 3 de setembro de 1943 na aldeia Namunkurá, na Terra Indígena São Marcos, perto de Barra do Garças,  Mário Dzuruna Butsé, o Mário Juruna, morreu na noite de 17 de julho de 2002, aos 59 anos, no Hospital Santa Lúcia, em Brasília – onde morava – vítima de complicações renais e pneumonia em decorrência do diabetes e deixou 10 filhos de dois casamentos.

Juruna saiu da aldeia, entrou na política e chegou ao folclore. Indivíduos com biótipo parecido com o dele, invariavelmente são apelidados com seu nome.

Indiferente a Juruna, que foi o primeiro índio eleito para o Congresso Nacional, Mato Grosso não reverencia sua memória. Foi jogado na galeria do esquecimento.

PS – Continuem lendo a série. Amanhã (18) o capítulo 50.