MT: Verso e reverso (160 ) APM Manso não cumpriu compromisso de irrigação

Eduardo Gomes

@andradeeduardogomes

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Capítulo 159 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto aborda o descompromisso de Manso com Mato Grosso.

Manso tinha quatro compromissos com Mato Grosso, mas não os cumpre ao pé da letra. Aquela que é uma importante hidrelétrica mato-grossense deixa de lado duas de suas responsabilidades: o controle da vazão do rio Cuiabá e a irrigação de 50 mil hectares em Chapada dos Guimarães, Santo Antônio de Leverger e Cuiabá.

Quando da retomada das obras da hidrelétrica do rio Manso, afluente do Cuiabá e 86 quilômetros acima da capital, nos municípios de Chapada dos Guimarães e Nova Brasilândia, no final dos anos 1990, aquele empreendimento ganhou novo nome: Aproveitamento Múltiplo de Manso – APM Manso . “Múltiplo”, pois, além da geração de energia ele teria outros três pilares: o incremento do turismo, o controle da vazão do rio Cuiabá e a irrigação de propriedades rurais – principalmente de pequenas áreas inseridas ou não ao programa de reforma agrária. Além da mudança da denominação o represamento do rio ganhou novos donos. Até então era da Eletronorte, e passou para Furnas e o consórcio PROMAN, formado pelas empresas Odebrecht (rebatizada Novonor, após a Operação Lava Jato), Servix e Pesa. A estatal responde por 70% e o consórcio por 30% do empreendimento.

Manso começou a ser construído em 1988, mas por falta de recursos, de interesse político e de pressões ambientais, foi paralisado. Para a retomada foi decisiva a participação do então governador Dante de Oliveira, que era ligado ao presidente Fernando Henrique Cardoso, que o inaugurou em 2000. Dante também contou com apoio no Congresso Nacional.

A retomada aconteceu num clima de mudança total. O passado deveria ser sepultado – assim pensava Furnas, que rotineiramente levava jornalistas ao canteiro de obras e detalhava a construção.

Descompromisso

O Aproveitamento Múltiplo de Manso alcança dois objetivos que faziam parte de seus compromissos: gerar energia, mas sem nunca alcançar sua capacidade máxima de 210 MW. E abrir portas ao turismo no entorno e no lago com 42.700 hectares de lâmina d’água – 98% em Chapada e 2% em Nova Brasilândia. A estrutura hoteleira, as marinas e a utilização da área para lazer respondem por esse compromisso, que é plenamente alcançado.

A parte negativa de Furnas fica por conta do controle da vazão do rio Cuiabá e a falta da irrigação prometida.

Com as corriqueiras estiagens prolongadas e a drástica redução do nível do rio Cuiabá são acesas todas as luzes de advertência. O índice hidrológico  do rio é considerado ‘crítico’” por especialistas e preocupa autoridades, pois a diminuição da água agrava ainda mais a questão ambiental por conta do esgoto in natura lançado no rio pela capital mato-grossense e Várzea Grande. Furnas tem compromisso de assegurar razoável vazão, para evitar essa situação, mas sistematicamente não o faz. A assessoria de Furnas nunca responde mensagens com questionamentos a esse respeito.

A irrigação dos 50 mil hectares saiu de cena no dia em que o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, acionou a primeira turbina do empreendimento. Nenhum político cobra esse compromisso e não se sabe sequer se ele consta em documento.

SILÊNCIO – A classe política faz silêncio sobre a quebra dos compromissos do APM Manso.

A irrigação que deveria ser executada pelo APM Manso é um projeto muito grande para a dimensão da classe política mato-grossense desde seu anúncio. Não aconteceu nada nesse sentido e nenhum voz de cobrança se ouve. Pena que o zeloso Ministério Público  permanece em silêncio, que a classe política finja que não tem conhecimento nesta terra em que a Imprensa é mera linha auxiliar  dos donos do poder.

PS – Continuem acessando a série. Amanhã (26), o capítulo 161.

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