MT: Verso e reverso (135) – Irmã Luiza

Eduardo Gomes

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Capítulo 135 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto focaliza a Irmã Luiza.

Em Rondonópolis ninguém pedia com tanta convicção quanto ela. Ninguém pedia com tanta razão quanto ela. Ninguém sabia quanto ela porque estava pedindo. Ninguém recebia tanto ao pedir quanto ela. Afinal, Irmã Luiza cuidava e bem de mães e filhos retirados das ruas, de mães solteiras ou em risco, de doentes, de quem precisava da mão estendida do irmão.

Figura quase onipresente em empresas em Rondonópolis, Irmã Luiza rotineiramente visitava os empresários que a ajudavam na manutenção do Recanto Fraterno, a casa que acolhe necessitados de amparo, remédios ou de um simples alojamento  enquanto aguardam tratamento médico de parentes na cidade.

No centro da cidade Irmã Luiza caminhava pelas calçadas. Em sua bolsa levava balas de gengibre que fazia para reforçar o orçamento do Recanto Fraterno. Boa vendedora, não perdia a oportunidade do cumprimento para oferecer seu produtor artesanal.

Irmã Luiza nasceu em Pirajuí, interior paulista, e se chamava Luiza de Souza. Em 1950, na cidade de Lins (SP) optou pela vida religiosa. Entrou para a Congregação Filhas de Maria Auxiliadora (Selesianas). Seis anos depois, em Campo Grande (MS), fez a chamada profissão de fé passoando a vestir o hábito religioso.

Os primeiros passos de Irmã Luiza na vida religiosa que abraçou foram na Terra Indígena Merure, em Barra do Garças, em 1956, com os bororos – e a partir de 1957, também com os xavantes, que foram removidos para aqela área – e ali permaneceu até 1962. Naquele ano, foi transferida para a Terra Indígena Sangradouro/Volta Grande, perto de Merure, onde trabalhou até 1964.

Em 1964, Irmã Luiza trocou Sangradouro/Volta Grande pelo Colégio São Gonçalo, em Cuiabá. Em 1974 retornou para Sangradouro, onde permaneceu até 1984.

Em 1984, transferiu-se para o Instituto Pedagógico São Vicente, em Campo Grande. No ano seguinte, foi remanejada para o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, naquela cidade, e ali permaneceu até 1987, quando foi transferida para Rondonópolis.

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Transferida de Rondonópolis em 2000, para Vale do Paraíso, em Rondônia, Irmã Luiza contraiu malária, e ali permaneceu até maio de 2005, quando retornou para Rondonópolis. No ano seguinte, trabalhou no Externato São José, de Poxorréu.

Em 2007 Irmã Luiza voltou a trabalhar em Rondonópolis. Dividia o tempo entre o Educandário Santo Antônio , na Paróquia Bom Pastor, e o Recanto Fraterno, onde, além de assistir aos milhares que passam por aquela instituição de atendimento transitório, os ensinava a fazer tricô, bordados, tapetes, almofadas e uma série de outras atividades. “A melhor maneira de ajudar alguém é ensiná-los a trabvalhar para que ganha dinheiro”, disse certa vez quando a entrevistei.

O Recanto Fraterno nasceu numa casa alugada, no centro de Rondonópolis, e funcionou naquela instalação enquanto sua sede era construída.

Irmã Luiza conseguiu ajuda financeira da instituição alemã Mizereor para construir o Recanto Fraterno que foi conluído em 1994, originalmente com capacidade para atender 50 pessoas, mas esse número rotineiramente é extrapolado.

Regularmente a instituição recebe subvenção da prefeitura da prefeitura, e ocasionalmente da União e o Governo de Mato Grosso. Atende encaminhamento pelo Conselho Tutelar, Delegacia de Defesa da Mulher, hospitais Paulo de Tarso e Regional e outros orgãos e entidades.

Em Rondonópolis Irmã Luiza também dirigiu a Pastoral da Criança , onde ganhou notoriedade pelo combate à subnutrição infantil. Mobilizou a cidade, criou formas alternativas de alimentação e suplementação alimentar pra milhares de meninos e meninas que estavam condenados à fome e suas consequências.

Em meio às multiplas atividades e em razão delas, Irmã Luiza foi eleita pelo jornal A Tribuna, de Rondonópolis, Personalidade Feminina do Ano de 1992. Essa premiação é concedida anualmente desde 1983 e, juntamente com ela, o então deputado federal Wellington Fagundes foi escolhido Personalidade Masculina.

Em junho de 2011, Irmã Luiza sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), foi socorrida em Rondonópolis e encaminhada para Cuiabá. Não se recuperou totalmente e permaneceu acamada até 21 de março de 2013, quando fechou os olhos pra sempre numa unidade de terapia intensiva do Hospital Jardim Cuiabá.

Assim, aos 81 anos, partiu para junto de Jesus Cristo. Seu corpo foi velado na Inspetoria Nossa Senhora da Paz, no bairro Coxipó, em Cuiabá, e sepultada no cemitério daquele bairro. ]

Irmã Luiza escreveu uma bela página do verdadeiro cristianismo.

PS – Continuem lendo a série.  Amanhã (28 de julho) o capítulo 136.

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