Capítulo 108 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto focaliza a queda de um jato da Varig em São José do Xingu.
Um voo da Varig, de São Paulo para Belém, com a tripulação despreparada para a evolução da navegação aérea com a incorporação da computadorização na definição da rota resultou na queda de um Boeing 737-200 em São José do Xingu causado a morte de 12 e ferimentos em 42 dos 54 ocupantes da aeronave.
Em 3 de setembro de 1989, o jato de prefixo PP-VMK fazia a rota de Guarulhos a Belém, após escalas em Uberaba e Uberlândia (ambas em Minas Gerais), Goiânia, Brasília, Imperatriz (MA) e Marabá (PA). No último trecho da viagem o comandante bateu cabeça por desconhecer a modernização do plano de voo que a Varig iniciou pouco antes, e que continha todas as informações para o voo, como frequência de rádio das torres dos aeroportos e um conjunto de normas a ser seguido. Até aquele fatídico dia os aviões utilizavam apenas três dígitos para inserir a orientação do rumo que deveria ser seguido. Com a mudança, esse campo ganhou mais um dígito. Deu no que deu.
Na etapa final do voo prevista para 50 minutos entre Marabá e Belém, e iniciada no final da tarde, a aeronave foi reabastecida, mas a desorientação pela mudança com a incorporação do quarto dígito deixou perdidos o comandante Cezar Augusto Pádula Garcez e o copiloto Nilson de Souza Zille.
O Boeing ao invés de seguir para Belém voou rumo a São José do Xingu e quando ocorreu a pane seca pousou na copa das árvores.
Logo após o acidente, jornais davam conta de que a tripulação estaria acompanhando o jogo da seleção brasileira contra os chilenos, no Maracanã, pelas eliminatórias da Copa de 1990. Comandante e copiloto foram condenados a quatro anos de prisão, cada, mas suas penas se converteram em prestação de serviço comunitário.
BANGUE- BANGUE – O noticiário sobre a queda do Boeing ganhou um tom estranho, pois o local da queda era citado como São José do Bangue-bangue, no Vale do Araguaia, em Mato Grosso. Bangue-bangue foi o primeiro nome de São José do Xingu, à época distrito. A denominação nada tem a ver com violência na região: ela deriva da referência regional, a Fazenda Bangue-bangue à margem da Estrada da Bituca, que liga a agora cidade à malha rodoviária estadual.
PS – Continuem lendo a série. Amanhã, sexta-feira (26), o capítulo 108.