Jayme Campos pisou na bola e pagou caro
EDUARDO GOMES
@andradeeduardogomes
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Jayme Campos (UP) é político tarimbado, mas pisou na bola ao participar e discursar na feira Norte Show, em Sinop, na quarta-feira (22), onde foi vaiado. Esse episódio será explorado por seus opositores, aparentemente de modo indefensável – o famoso batom na cueca.
Oficialmente a feira em Sinop não é um evento partidário nem ideológico. Porém a visita do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro a transformou num grande palanque da chamada direita bolsonarista mato-grossense. O senador Wellington Fagundes (PL) pré-candidato ao governo, mobilizou cabos eleitorais locais e da região para seu nome ser gritado e aplaudido na presença de Flávio Bolsonaro. Jayme intempestivamente foi ao parque de exposições, onde a cuíca da feira ronca. Lá, as vaias o receberam. A situação de Jayme somente não ficou pior, porque o presidenciável chegou ao seu lado e com um gesto de mão deu ordem para parar a gritaria e os assovios.
Nada disso teria acontecido se Jayme fizesse política com razoabilidade e não com intempestividade. Convenhamos: o momento era de Wellington, adversário de Jayme – o que ele foi procurar na Norte Show?
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A classe política mato-grossense age sempre assim. Recentemente Max Russi promoveu um evento de filiação ao Podemos (inclusive ele se filiou) no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá. O recinto foi tomado por suas excelências filiadas a outros partidos: Jayme Campos num discurso convidou Andreia Wagner, mulher de Max, para ser sua companheira de chapa ao governo. Carlos Avallone (PSDB) correu atrás de filiados. Mauro Mendes (UP) tentou ser o centro das atenções. Claúdio Ferreira (PL) falou representando os prefeitos. Janaína Riva (MDB) sentou-se no chão para ser fotografada ao lado de crianças. Elizeu Nascimento (Novo) circulou entre os presentes se desmanchando em sorrisos. Abílio Brunini (PL) abraçava indistintamente. Juca do Guaraná (à época MDB e agora PSDB) era a imagem da felicidade. Não, política não se faz assim. É preciso respeitar o contraditório e não há lisura em adversário ser penetra em atos partidários.
Dentre todos os participantes do ato com Flávio Bolsonaro em Sinop, poucos fizeram por aquela região tanto quanto Jayme fez. Não foi o povo de Sinop, de Cláudia, Marcelândia, Vera, Santa Carmem, Feliz Natal, União do Sul, Itaúba, Nova Santa Helena, Terra Nova do Norte, Nova Guarita, Colíder, Nova Canaã do Norte, Carlinda, Alta Floresta, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Santa Rita do Trivelato, Nova Ubiratã, Boa Esperança do Norte, Itanhangá, Ipiranga do Norte, Porto dos Gaúchos, Novo Horizonte do Norte, Juara, Peixoto de Azevedo, Guarantã do Norte, Novo Mundo, Paranaíta, Apiacás, Nova Monte Verde, Nova Bandeirantes e Matupá que o vaiou. A vaia foi orquestrada e facilitada por seu açodamento.
Tomara que todos os políticos que tentarem aparecer em eventos de adversários sejam vaiados. Em política é imprescindível clareza sobre posicionamentos, correntes de pensamento, partidos e propostas, para que o eleitor possa decidir, sem dúvida, em quem votar ou em quem não votar.