E essa tal logística que políticos desconhecem

EDUARDO GOMES
@andradeeduardogomes
eduardogomes.ega@gmail.com

 

No encontro do Tapajós com o Amazonas

Neste mês de julho tive a honra de participar pela segunda vez do podcast PodBedelhar, apresentado às quartas-feiras, em Cuiabá, pelo casal Rosana Leite e Gonçalo de Barros, ela defensora pública e ele juiz de direito – ambos escritores. Num dos trechos da minha fala abordei a geração de energia solar e a Hidrovia Tapajós-Amazonas. Alguns dias após o programa, leio no Diário de Cuiabá um material focalizando entraves naturais para a navegação no trecho do Tapajós entre Miritituba (de Itaituba) a Santarém, com extensão de 147,8 milhas náuticas, o correspondente a 273,7 km.

Miritituba, como sabemos, é um porto estratégico para o escoamento de commodities agrícolas mato-grossenses. Situado no Baixo Tapajós, livre de cachoeiras, corredeiras e pedrais, sua navegação, pelo calado médio é considerada marítima tanto quanto a do Amazonas. Porém, o assoreamento natural e as adversidades climáticas, sobretudo em anos atingidos pelo fenômeno El Niño, pode colocar em risco a fluidez dos navios.

Pois bem. No PodBedelhar, ao falar sobre geração de energia solar lembrei que Mato Grosso avança muito nessa área e que em pouco tempo será possível banir a geração por fonte hídrica, tornando-se assim, desnecessárias, as hidrelétricas como matrizes geradoras. Acrescentei que uma vez alcançada a autonomia com energia solar os grandes lagos artificiais no Teles Pires e em afluentes do Juruena – os rios que formam o Tapajós – poderiam servir como alimentadores do Baixo Tapajós nos picos de estiagem.

Claro que a abordagem foi superficial, pois não há números nem dados disponíveis  para tal procedimento. Porém, no cruzamento de dados interdisciplinares de órgãos do governo com apoio da iniciativa privada é possível dimensionar tanto a necessidade quanto a capacidade de resposta. Por maior que seja o verão – é assim que a estiagem é chamada na Amazônia – o período não é por demais prolongado. Superada a falta de chuva, as comportas voltariam a ser fechadas e os lagos seriam refeitos para eventuais emergências, além, é claro, de sua utilização para irrigação, turismo e a criação de peixes.

Digo isso mesmo sabendo que Mato Grosso lê pouco, mas independentemente do número de leitores é preciso que alguém se debruce sobre temas dessa natureza, pois infelizmente a questão logística mato-grossense não está na pauta da quase totalidade dos pré-candidatos ao governo, Senado, Câmara e Assembleia. As figurinhas que disputam esses cargos, quase sempre se dedicam a estampar sorrisos angelicais, a abraçar eleitores, beijar criancinhas e procuram por todos os meios esconder sua paternidade para que não sejam associadas ao modus operandi corruptos de berço.

O Pod Bedelhar tem uma hora e vinte de duração. Nos primeiros minutos, por falta de edição, não tem som, mas seu transcorrer é muito bem editado. Assistam. Vou postar o link em Vídeos, na capa do blogdoeduardogomes.com.br

Comentários (0)
Add Comentário