Os Riva estão chegando

Eduardo Gomes

@andradeeduardogomes

eduardogomes.ega@gmail.com

 

Sites mato-grossenses fizeram a cobertura dos pedidos de registros de candidaturas no TRE mantendo um jornalismo  hermético e em alguns casos subalterno por alinhamento. Não li nada além dos nomes e elogios aos que interessam ao departamento comercial. O cerne da questão passou ao largo. Essa linha gutembergueana não contribui para a informação necessária chegar ao eleitor – a maioria não coabita nas páginas da internet e precisa que alguém, ainda que no boca a boca lhe repasse a realidade do mundo político mato-grossense. Diante disso focalizo o casamento do MDB com a Federação Renovação Solidária formada pelo PRD e o Solidariedade, que salvo melhor juízo é o fato que merecia maior destaque e que o trato como plano para a familiocratização do MDB.

Intervenção

 

Mauro Carvalho foi degolado

O suplente de senador Mauro Carvalho presidia a Comissão Provisória do PRD em Mato Grosso e conseguia importantes filiações. Porém, em março deste ano, no apagar das luzes para filiação de modo a garantir elegibilidade, a direção nacional do partido destituiu Mauro Carvalho. O PRD ficou à deriva. Em junho, portanto três meses depois, a sigla anunciou que Aluizio Lima foi nomeado seu presidente. Os sites estamparam em manchete “Ex-vereador assume PRD”.

O casamento 

Partido federado com o Solidariedade, o PRD criou a Federação Renovação Solidária, para disputar as eleições. Em sua convenção, Aluizio Lima anunciou que sua federação apoiaria a deputada estadual e presidente regional do MDB, Janaína Riva, para o Senado, que não lançaria candidaturas para a Assembleia e o governo, e que lançaria uma chapa para a Câmara dos Deputados.

Nora e sogro: chapas em família

Paralelamente ao que acontecia na federação, o MDB decidiu não lançar candidaturas à Câmara alegando que focaria nas disputas ao Senado e para a Assembleia. Em meio a isso tudo, tanto o MDB e o PL anunciavam que seriam aliados para o governo, com a candidatura do senador Wellington Fagundes (PL), que é sogro de Janaína Riva.

Assim, a federação e o MDB subiram ao altar do casamento político. Detalhes: MDB e a federação demonstrando afinidades, não concorrem entre si para os cargos proporcionais. O partido que um dia foi de Ulysses Guimarães não tem candidaturas para Câmara, e a federação não lançou nomes à Assembleia. Mais detalhes ainda: Aluizio Lima apoia a candidatura de Jéssica Riva (MDB) para deputada estadual; Jéssica Riva é irmã de Janaína Riva.

Jéssica Riva foi lançada candidata pelo pai, o ex-deputado estadual José Riva, que foi um dos maiores políticos de Mato Grosso tendo controlado a Assembleia por 20 anos, até ser alcançado pela Lei Ficha Limpa em 2014, condenado a quatro anos de prisão domiciliar e a devolver 94 milhões dos 175 milhões que ele assumiu em delação premiada ter desviado dos cofres públicos. Estrategista, com Jéssica Riva, José Riva quer manter uma cadeira na Assembleia. A eleição de Jéssica Riva é considerada ‘segura’ e seu nome figura em terceiro lugar no Top Cinco dos mais votados ao cargo: Max Russi (Podemos), Beto Dois a Um (Podemos), ela, Lúdio Cabral (PT) e Dilmar Dal Bosco (União), ou Zé do Pátio (PV) ou ainda Rafaela Fávaro (PSD).

Analistas avaliam que dificilmente algum partido conquistará quatro cadeiras na Assembleia, e caso isso ocorra, será o Podemos. Isso significa que Jéssica Riva ficará com uma das três cadeiras que ora o MDB tem na Assembleia, com Eduardo Botelho, Dr. João e Thiago Silva. Resumidamente Jéssica Riva mandará um deputado do MDB para a suplência, que sem prevalência de ordem deverá ser formada por um dos atuais deputados, Léo Bortolin e Silvano Amaral.

Familiocratização derrubou Rosana Martinelli

Dessa forma, com a filha recém-lançada no mundo político, José Riva continuará presente na Assembleia. Para o Congresso, o MDB deu um show de interesse familiar. Janaína Riva tem chance de ser eleita para o Senado, e sem nenhum nome de seu partido na bancada federal – além dela, é claro. Janaína Riva será a única voz do MDB no plano federal, graças a implosão de sua chapa ou a rasteira – como queiram – dada em Kalil Baracat, ex-prefeito de Várzea Grande, e Rosana Martinelli, ex-prefeita de Sinop e de posicionamentos fortes, pois ambos eram pré-candidatos à Câmara até o momento em que a chapa foi degolada.

O suplente

Aluizio Lima foi estratégico para o plano da familiocratização do MDB. De absoluta confiança de José Riva, Aluizio Lima foi um dos seus principais assessores na Assembleia, e nunca seu nome esteve envolvido nos incontáveis escândalos da chamada Era Riva. Em 2014, banido da vida pública pela Lei Ficha Limpa, Riva lançou Janaína Riva (PSD) candidata à Assembleia e ela recebeu a segunda maior votação ao cargo. O gabinete do pai foi transferido à filha, e alguns dos assessores dele foram para o gabinete dela, como é o caso de Aluizio Lima que assim, tornou-se seu articulador de ponta.

Caso eleja as duas filhas, José Riva será mais poderoso ainda do que em sua longa trajetória de deputado estadual que se revezava na Presidência e na Primeira Secretaria da Mesa Diretora da Assembleia. A isso ainda – no campo hipotético, dependendo das urnas – é preciso acrescentar que se Wellington Fagundes se eleger governador, o poder de José Riva será ainda maior (Wellington é sogro dela).

Toda chapa para o Senado tem dois suplentes. A de Janaína Riva é formada por Aluizio Lima e o vereador por Rondonópolis, Ibrahim Zaher (MDB), mas todos sabem que a segunda suplência tem peso zero ou perto disso. Uma observação: antes de compor a equipe de José Riva, Aluizio Lima foi vereador por Salto do Céu e presidiu a União das Câmara Municipais de Mato Grosso (UCMMAT).

Resumo

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Os textos sobre a candidatura de Janaína Riva são superficiais, ficam na chapa pela chapa, com a profundidade de um pires. Pena que Mato Grosso não tenha a oportunidade de ler sobre a composição que pode ressuscitar oficialmente o político José Riva, cujo passado é de domínio público e fortalecer a familiocracia na política.

 

 

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