Caminhada que continua aos 76 anos
Eduardo Gomes
@andradeeduardo gomes
eduardogomes.ega@gmail.com
Retire a mão submersa na água, feche os dedos – feche bem, muito bem – e mesmo assim não conseguirá impedir que todas as gotas saíam. Assim somos nós. Segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos e décadas passam sem que possamos parar o tempo. É o ciclo da vida, que todos sentimos, e ainda mais quando se está à véspera dos 76 anos, o meu caso.
A Bíblia nos ensina que a idade do ser humano é 70 anos e o que passa disso é exceção. Na prática, a Igreja Católica e a magistratura aplicam a expulsória aos religiosos e magistrados aos 75 anos. No contexto humano dos que trabalham sol a sol alguns avançam na faixa septuagenária em busca do amanhã, e louvo a Deus, também por fazer parte desse grupo, o que me permite assegurar o pão de cada dia que a minguada aposentadoria de jornalista não garante.
Septuagenário que a partir da segunda-feira, 28 de setembro, terá 76 anos, levo adiante a profissão que ocasionalmente abracei há décadas e da qual nunca me afastei. O jornalismo em si, na amplitude de seu exercício, é uma atividade mal remunerada, questionada e menosprezada, inclusive por muitos que a procuram quando sofrem algum tipo de perseguição ou têm seus direitos tolhidos. Pior ainda, em Mato Grosso, quando exercido com a espinha ereta, sem a bajulação que abre caminhos, garante assessorias e rende prestígio junto aos poderosos.

Retire a mão submersa na água, feche os dedos – feche bem, muito bem – e mesmo assim não conseguirá impedir que todas as gotas saíam. Assim somos nós. Segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos e décadas passam sem que possamos parar o tempo. É o ciclo da vida, que todos sentimos, e ainda mais quando se está à véspera dos 76 anos, o meu caso.