Boa Midia

MT: Verso e reverso (142) – Wellington troca bolsonarista pela esquerda

EDUARDO GOMES

@andradeeduardogomes
eduardogomes.ega@gmail.com

Galvan por Bolsonaro

Capítulo 142 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto destaca a fritura do pré-candidato ao Senado Antônio Galvan (Avante). O melhor título para este capítulo seria: PL de Wellington, em estado de traição explícita, troca um bolsonarista raiz pela esquerda.

Mato Grosso é um dos núcleos bolsonaristas mais expressivos. O bolsonarismo tem reconhecida força eleitoral, que no entendimento dos seus adeptos deveria ser convertida na eleição de senadores e deputados federais para enfrentar as correntes de esquerda, em Brasília. Em nome deste propósito, o deputado federal José Medeiros (PL) e o produtor rural Antônio Galvan (Avante) são pré-candidatos ao Senado. Naturalmentre os dois deveriam compartilhar o palanque de direita. Isso, porém, não acontecerá, pois o PL decidiu que ao invés de apoiar Galvan, trabalhará para a eleição da deputada estadual e presidente regional do MDB, Janaína Riva, para o Senado. Conclusão: ao invés de buscar este objetivo, a cúpula bolsonarista escolheu o caminho da divisão de forças.

A composição do PL com o MDB foi liderada pelo senador Wellington Fagundes (PL), pré-candidato a governador já homologado em convenção. Wellington cozinhou essa aliança em banho-maria, para não transparecer que sua preferência levava em conta o fato de ser sogro de Janaína Riva. O martelo sobre esta composição foi batido e anunciado no domingo (2), em Brasília, num encontro de Wellington com Flávio Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto.

Resumo: para seguir a orientação do PL, os bolsonaristas terão que votar em Janaína Riva, que não tem identificação com a direita e que é filiada a um partido tradicionalmente de matiz esquerdista. Para as duas chapas majoritárias os seguidores de Jair Bolsonaro se verão diante de dois nomes sem o perfil que defendem: Wellington é chamado de melancia por seu histórico de ligação com os governos dos presidentes Lula e Dilma Rousseff, o que lhe permitia controlar o Dnit em Mato Grosso e nomear seus superintendentes. Aos militantes de direita restará o nome de José Medeiros, esse sim, bolsonarista de carteirinha.

GALVAN – Gaúcho de Sananduva, nascido em 13 de novembro de 1957, Antônio Galvan cultiva em Sinop entre os pioneiros da sojicultura. Presidiu o Sindicato Rural daquele município e também a Aprosoja Mato Grosso e a Aprosoja Brasil. Galvan foi filiado a vários partidos. Pelo PTB, em 2022, recebeu a segunda maior votação para o Senado, com 337.003 votos (25,95%) e o pleito foi vencido por Wellington, que se reelegeu com 825.228 votos (63,54%).

Ao longo de sua militância bolsonarista, Galvan enfrentou denúncias do Ministério Público, mas nunca recuou. Organizou manifestações e sua voz nunca foi abafada: sempre gritou por Bolsonaro.

Ao trocar o apoio, deixando de lado Galvan e apoiando Janaína Riva, Wellington fortalece sua participação familiar no poder político. A tentativa de eleger a nora demonstra afinidade do senador com sua família, mas no plano político, sobretudo no campo bolsonarista, o entendimento do eleitorado pode ser outro.

Galvan vai levar adiante sua pré-candidatura. Até o momento, José Medeiros permanece calado. Ontem (2) a assessoria de Janaína Riva distribuiu nota sobre a aliança. Entre os líderes do PL, somente o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, se manifestou.

Abílio Brunini não aceita tal aliança e pediu para que o expulsassem do PL. Fundamentando seu posicionamento Abílio Brunini lembrou que o MDB foi oposição ao PL nas principais disputas por prefeituras em 2024: em Várzea Grande, o MDB com Kalil Baracat enfrentou Flávia Moretti; em Rondonópolis, com o deputado estadual Thiago Silva, o MDB lutou contra Cláudio Ferreira, e Janaína Riva foi uma das principais figuras emedebistas em defesa de Thiago Silva; em Primavera do Leste, o então prefeito Léo Bortolin (MDB) tentou derrotar a candidatura de Sérgio Machnic; e em Cuiabá, o deputado estadual Eduardo Botelho, então no União Brasil e agora no MDB disputou o mandato com ele, mas sequer chegou ao segundo turno.

O apoio de Wellington a Janaína Riva é também apoio ao pai da deputada, o ex-deputado José Riva, que desde 2014, quando foi alcançado pela Lei Ficha Limpa, condenado por corrupção e se tornou delator tendo assumido que chefiou um esquema que desviou 175 milhões dos cofres públicos. José Riva foi condenado a quatro anos de prisão em regime domiciliar e a devolver 94 milhões, e  estava fora do noticiário político. Porém, nesta pré-campanha José Riva percorre municípios pedindo apoio para sua filha Jéssica Riva (MDB), pré-candidata a deputada estadual.

Em suma: A aliança do PL com o MDB não tem viés bolsonarista. Dependendo do resultado das urnas poderá ser bom no plano familiar, mas independentemente de vitória ou derrota de Janaína Riva a chapa Sogro & Nora montada por Wellington não contribuirá em nada para os planos  do fortalecimento do bolsonarismo no Congresso Nacional, exceção que se faz a José Medeiros, que se eleito será uma voz a mais no Senado por Bolsonaro.

PS – Continuem lendo a série. Na quarta-feira (05 de agosto), o capítulo 142.

Em capítulos anteriores a série focalizou:

Zé do Pátio (PV federado com o PT e o PCdoB)

Neri Geller (Podemos)

Nilson Leitão (UP)

Dilmar Dal Bosco (UP)

Procurador Mauro (PSD)

Lúdio Cabral (PT federado com o PCdoB e o PV)

Valdir Barranco (PT federado com o PCdoB e o PV)

Gisela Simona (UP)

Moisés Franz (PSOL)

Cezare Pastorello (PT federado com o PCdoB e o PV)

Natasha Slhessarenko (PSD)

Gilberto Cattani (PL)

Victorio Galli (Podemos)

Carlos Ernesto Augustin, o Teti (PSB)

Wellington Fagundes (PL)

Carlos Fávaro (PSD)

Rosana Martinelli (MDB)

Thiago Silva (MDB)

José Medeiros (PL)

Dr. Eugênio (Republicanos)

Mauro Mendes (UP)

Janailza Taveira (Podemos), Abmael Borges (PL) e Daniel do Lago (PSDB) 

Max Russi (Podemos)

Odílio Balbinotti (PL)

Padre Sebastião Coracy (PSD)

1 comentário
  1. Inacio Roberto Luft Diz

    Uma vergonha.

Comentários estão fechados.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está bem com isso, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia Mais

Política de privacidade e cookies