MT: Verso e reverso (141) – Fávaro frita candidatura de padre no PSD
EDUARDO GOMES
@andradeeduardogomes
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Capítulo 141 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto destaca a fritura do pré-candidato a deputado estadual Padre Sebastião Coracy (PSD).
Fritura de candidatura pelo próprio partido é tão natural como beber água estando com sede. Agora, fritar um sacerdote é algo atípico, porém é o que acontece com o Padre Sebastião Coracy, no PSD e pelo qual é pré-candidato a deputado estadual.
Pode parecer estranho falar em fritura do padre se a campanha sequer começou. Porém, é exatamente isso o que ocorre. O cacique Carlos Fávaro que não dorme com os olhos de ninguém, tratou de esconder que Sebastião Coracy relacionado para a chapa à Assembleia é padre. Fávaro – como se diz em Minas, onde nasceu o sacerdote – o amoitou, o que no dicionário mineirês significa o escondeu.
Vejamos: Todo partido tem seus queridinhos. Com o PSD não é diferente. Para a Assembleia, Fávaro sonha com a eleição de sua filha Rafaela Fávaro; do ex-presidente da Assembleia, Gilmar Fabris; e do deputado estadual Wilson Santos. Avalio que a legenda para conquistar três cadeiras precisará não somente de votos, mas de um milagre. Portanto, na visão de Fávaro, fortalecer o padre coloca em risco ao menos um dos queridinhos.
Nada melhor para fritar o Padre Sebastião Coracy, do que apresentá-lo apenas pelo nome: o Sebastião Coracy. Na visão politiqueira, seria arriscado divulgar que o pré-candidato é sacerdote nesta Terra de Rondon, onde a Santa Madre tem muita força e que se houver uma mobilização de fiéis, das pastorais e das comunidades eclesiais de base a eleição do Padre Sebastião Coracy não precisará de milagre – como agora precisa e muito.

Portanto, seguindo o rito da fritura, é melhor que o pré-candidato seja divulgado sem o título de padre.
O padre Sebastião Coracy é um dos muitos pré-candidatos a deputado estadual pelo Vale do Araguaia, onde se localiza seu município, Bom Jesus do Araguaia. Ao mantê-lo longe dos holofotes e escondendo sua batina, Fávaro protege os queridinhos e o sacerdote será um figurante eleitoral, daqueles que somam alguns votinhos preciosos para a legenda. Assim, além de queimar o Padre Sebastião Coracy no PSD, Fávaro ainda prejudica o Vale do Araguaia, pois a votação que será dada ao sacerdote contribuirá para aumentar a pulverização dos votos na região, que territorialmente é a maior de Mato Grosso e que conta com apenas um representante na Assembleia, o deputado Dr. Eugênio (Republicanos), que é médico domiciliado em Água Boa.

Padre Sebastião Coracy não é estreante em política. Em 2024, pelo partido Novo disputou a prefeitura de Querêcia, no Vale do Araguaia. Para tanto montou uma chapa partidária com a professora paranaense de Campo Mourão, Cristina Aparecida dos Santos, a Professora Cris, que todos em Querência conhecem até pelo caminhar. Sua derrota foi amarga, mas era previsível, pois naquele município dois grandes produtores rurais controlam o poder: Gilmar Wentz (PRD) que foi eleito prefeito naquele pleito, e Fernando Gorgen (PSDB) que transmitiu a faixa par Wentz e está de olho em Brasília sendo pré-candidato a deputado federal. Wentz foi eleito com 7.279 votos; em segundo lugar ficou Jean do Coutinho (União), com 3.937 votos; o Padre Sebastião Coracy recebeu 1.534 votos; e o Dr. Pablo (PDT) cravou 246 votos.
Cauteloso, o Padre Sebastião Coracy não comenta sobre as pressões que o retiraram de Querência. Com mais cautela ainda não toca na fritura. Integrante do clero prelatício, mas com paciência beneditina, ele bota fé no eleitorado e crê em milagre – num milagre muito grande que lhe faça vencer a manobra da força política de Querência que praticamente o expulsou daquele município, e de Fávaro, que é pai zeloso e amigo fiel e não quer que seus planos para a Assembleia sejam atropelados por alguém por conta de uma batina.
ELE – Nascido em Manhuaçu (MG) no dia 21 de agosto de 1986, Sebastião Coracy de Oliveira foi ordenado sacerdote em 19 de dezembro de 2020, na matriz Imaculada Conceição, em Querência, pelo então bispo prelado da Prelazia de São Félix do Araguaia, Dom Adriano Ciocca Vasino. Após a ordenação ele assumiu a matriz. Em 27 de janeiro de 2025, Padre Sebastião Coracy assumiu a Igreja Nossa Senhora Aparecida, em Bom Jesus do Araguaia, no Vale do Araguaia.
A transferência do Padre Sebastião Coracy de Querência para Bom Jesus do Araguaia foi determinada pelo bispo prelado Dom Lúcio Nicoletto, da Prelazia de São Félix do Araguaia, à qual pertencem as igrejas dos dois municípios, e teria sido quase uma imposição da classe política dominante em Querência. Com a nova igreja o número de católicos liderados pelo padre e político foi drasticamente reduzido: Querência tem 32 mil habitantes e Bom Jesus do Araguai, oito mil.
MEMÓRIA – Se eleito, padre Sebastião será o segundo padre católico prefeito em Mato Grosso após a divisão territorial que em 11 de outubro de 1977 criou Mato Grosso do Sul.
Em 2000, o padre Antonino Cândido Paixão (PSDB) elegeu-se prefeito de São José do Povo, na comarca de Rondonópolis. Teve um mandato tumultuado, abandonou a política, deixou a batina; é professor em Chapada dos Guimarães, onde nasceu
PS – Continuem lendo a série. Na terça-feira (04 de agosto), o capítulo 142.
Em capítulos anteriores a série focalizou:
Zé do Pátio (PV federado com o PT e o PCdoB)
Neri Geller (Podemos)
Nilson Leitão (UP)
Dilmar Dal Bosco (UP)
Procurador Mauro (PSD)
Lúdio Cabral (PT federado com o PCdoB e o PV)
Valdir Barranco (PT federado com o PCdoB e o PV)
Gisela Simona (UP)
Moisés Franz (PSOL)
Cezare Pastorello (PT federado com o PCdoB e o PV)
Natasha Slhessarenko (PSD)
Gilberto Cattani (PL)
Victorio Galli (Podemos)
Carlos Ernesto Augustin, o Teti (PSB)
Wellington Fagundes (PL)
Carlos Fávaro (PSD)
Rosana Martinelli (MDB)
Thiago Silva (MDB)
José Medeiros (PL)
Dr. Eugênio (Republicanos)
Mauro Mendes (UP)
Janailza Taveira (Podemos), Abmael Borges (PL) e Daniel do Lago (PSDB)
Max Russi (Podemos)
Odílio Balbinotti (PL)
Capítulo 141 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto destaca a fritura do pré-candidato a deputado estadual Padre Sebastião Coracy (PSD).
Materia maldosa, tendenciosa, mesquinha e desenformada. O que vale é o mome registrado no REGISTRO DE CANDIDATURA que vai para o Cartório Eleitoral e lá estará “Padre Sebastião “.
Perfeito
O Fávaro traiu o Bolsonaro