Boa Midia

Alessandra é nome pela familiocracia e não por Rondonópolis

Eduardo Gomes

andrade@eduardogomes

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Alessandra em São Félix do Araguaia

No final de semana a pré-candidata a deputada estadual Alessandra Ferreira (Podemos) e seu marido, o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), percorreram municípios do Vale do Araguaia em sua área mais ao Norte. Estamos no período pré-eleitoral, onde realmente as eleições ganham rumo. Nele, políticos reviram Mato Grosso ao avesso em busca de apoio, e mesmo face a essa realidade vi a caminhada de Alessandra como atípica por jogar por terra o discurso de Cláudio Ferreira que à lançou sobre a argumentação da defesa de Rondonópolis na Assembleia, com a força das urnas  rondonopolitanas como uma espécie de voto distrital.

Na segunda-feira (15) pela manhã recebi uma mensagem de um conhecido que reside em São Félix do Araguaia falando sobre a peregrinação de Alessandra em sua cidade. Hoje, deparo no Facebook com vídeos dela em São Félix do Araguaia, Água Boa, Confresa e Vila Rica. Não há ilegalidade eleitoral na caminhada da pré-candidata, mas cada passo seu é uma pá de cal na fala de Cláudio Ferreira que a lançou pré-candidata por Rondonópolis, para defender aquele município, que segundo ele não tem voz na Assembleia.


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Portanto, Alessandra não é a essência da candidatura de Rondonópolis por Rondonópolis. É um nome a mais, dentre tantos que percorrem os municípios à cata de votos. Político em situação assim, quando se elege tem o dever de direcionar sua atuação parlamentar às cidades que o apoiaram. Mais didático ainda: caso seja deputada Alessandra não terá atuação exclusiva para Rondonópolis, pois como ela mesma nos mostra, sua base eleitoral em São Félix do Araguaia, Água Boa, Alto Boa Vista, Porto Alegre do Norte, Confresa, Vila Rica e outros municípios do Araguaia está em construção. Assim, não é difícil entender que a fala de Cláudio Ferreira não foi em busca de meios para defender Rondonópolis, e sim pela instalação de seu grupo familiar no poder.

Também sobre Alessandra no Araguaia: ela percorreu municípios que têm pré-candidatos a deputado estadual. Em São Félix do Araguaia, sua correligionária e ex-prefeita Janailza Taveira; em Porto Alegre do Norte, o ex-prefeito Daniel do Lago (PSDB); em Água Boa, o deputado estadual Dr. Eugênio (Republicanos). Naturalmente haverá a recíproca em relação a Rondonópolis, à exceção do Dr. Eugênio, esse sim, parlamentar com atuação inteiramente voltada para o Araguaia, região que recebe sua atenção e todas as suas emendas parlamentares.

Alessandra travará uma dura disputa em seu município com os pré-candidatos locais a deputado estadual Nininho (Republicanos), Sebastião Rezende (UP), Zé do Pátio e Júnior Mendonça (ambos Fé Brasil), Gilmar Fabris (PSD), Neles Farias (Avante), Luciana Horta (PL) e Thiago Silva (MDB). O município tem 177.492 eleitores, nem todos votarão nos nomes rondonopolitanos e a abstenção nunca é inferior a 27%. Essa realidade leva Alessandra em busca de apoio fora do polo de Rondonópolis e consequentemente toma o discurso bairrista de Cláudio Ferreira, que ao proferi-lo ofendeu todos os deputados estaduais de sua terra, quando justificou a indicação de sua mulher, por falta de presença parlamentar em defesa de seu município.

No Podemos Alessandra disputará votos com os deputados estaduais Max Russi, Beto Dois a Um e Fábio Tardin, e com os ex-prefeitos Rafael Machado (Campo Novo do Parecis) e Adelcino Lopo (Pontal do Araguaia), dentre outros.

Reunião de Alessandra em Água Boa

Gostaria que Rondonópolis elegesse o maior número possível de deputados estaduais, pois tanto quanto sua grandeza é o tamanho das suas demandas. Que Alessandra esteja entre os vencedores, mas que não fique dúvidas quanto à origem de sua votação, que – a pedido dela em suas andanças – não será exclusivamente rondonopolitana. Porém, para que ela apresente razão suficiente para ser votada precisará de uma proposta de atuação parlamentar, pois o regionalismo está descartado e em seu currículo não há histórico de prestação de serviço público que justifique o voto. Quanto à fala de Cláudio Ferreira sobre a ausência de voz rondonopolitana na Assembleia, ele somente pode falar por si, pois em 2022, pelo PTB,  foi eleito deputado estadual e renunciou ao cargo ao suplente Chico Guarnieri (PSDB) para assumir a Prefeitura de Rondonópolis.

Acompanho a presença de políticos rondonopolitanos no Parlamento Estadual, onde sempre defenderam a Terra de Daniel Moura, ainda que em algum momento tenham falhado, o que é inerente ao ser humano. Desconsiderar o que os deputados locais fizeram no passado e que fazem agora, é desrespeitá-los – alguns lamentavelmente não estão mais entre nós.

Digo viva aos ex-deputados estaduais e deputados estaduais Afro Stefanini, Ana Carla Muniz, Antônio Schommer, Barreto, Carlos Bezerra, Candinho Borges Leal, Cláudio Ferreira, Clóvis Roberto Balsalobre de Queiroz, Edmilson Paulista, Ferreirinha Neto, Gilmar Fabris, Luthero Lopes, Marildes Ferreira, Moacir Gonçalves, Moisés Feltrin, Nininho, Percival Muniz, Roni Magnani, Sebastião Rezende, Teté Bezerra, Thiago Silva, Vilma Moreira dos Santos, William Dias, Zanete Cardinal, Zeca D’Ávila e Zé Carlos do Pátio. Todos empunharam e empunham a bandeira de Rondonópolis. Que a eles se juntem mais nomes, mas que se elejam sabendo que não há representação parlamentar distrital, o que derruba o discurso bairrista de Cláudio Ferreira e nos mostra que a pré-candidatura de Alessandra está ancorada na tradição da familiocracia, nesse caso, matrimonial.

Fotos: Facebook de Alessandra Ferreira

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