Boa Midia

Elas e suas candidaturas laços de família

EDUARDO GOMES
@andradeeduardogomes
eduardogomes.ega@gmail.com

Considerável parte das candidaturas femininas tem origem na familiocracia. Claro que nenhuma das pré-candidatas admite isso, e algumas, inclusive, omitem seus berços para que seus nomes não sejam chamuscados pelos escândalos de corrupção que seus pais promoveram em Mato Grosso. Não há impedimento para mulher disputar eleição pelo fato de pertencer a essa ou aquela família, mas é visível o interesse paterno e matrimonial na eleição ou reeleição delas.

Dentre as que concorrerão às eleições de outubro, várias são resultado de articulações familiocratas, que em alguns casos provocam rupturas partidárias e jogam por terra o sentido de grupo político. Eis algumas das pré-candidatas e quem as lançou na vida pública:

 

As Slhessarenko – mamãe Serys e a filha Natasha

Natasha Slhessarenko é médica, empresária da saúde, professora universitária  e nunca disputou eleição. É pré-candidata ao governo pelo PSD – é filha de Serys Slhessarenko, que foi secretária municipal em Cuiabá e de Estado, deputada estadual e senadora, e que militou no PV, PT e em outros partidos.

Rafaela Fávaro é jornalista e foi candidata a vice-prefeita de Cuiabá em 2024 na chapa encabeçada por Lúdio Cabral (PT) e o pleito foi vencido por Abílio Brunini (PL) no segundo turno.

Rafaela é pré-candidata a deputada estadual e filha do senador e candidato à reeleição, Carlos Fávaro (PSD).

Guelda Andrade (PT) é professora e sindicalista. É pré-candidata a segunda suplência no Senado na chapa de Pedro Taques (PSB). É mulher do suplente de deputado estadual e pré-candidato a deputado estadual Henrique Lopes (PT).

Mauro Mendes e Virgínia Mendes

Virgínia Mendes (União/União Progressista) é empresária, foi primeira-dama de Cuiabá e de Mato Grosso. Seu nome foi apresentado por seu marido, Mauro Mendes (União/União Progressista), quando governador. No período em que Mauro Mendes governou Virgínia Mendes foi o segundo nome mais citado pelos sites e jornais mato-grossenses, que recebiam releases de sua assessoria e produziam textos com ela abordando os mais diversos temas. Apesar da massificação de seu nome, aparentemente ele não decolou politicamente e, Mauro Mendes tenta botar o deputado federal e seu correligionário Fábio Garcia para ser candidato a vice-governador de Otaviano Pivetta (Republicanos) para que ele não concorra a reeleição, o que diminuirá a dificuldade para se eleger Virgínia – Fábio é pré-candidato à reeleição e considerado o puxador de votos de sua legenda, seguido pelo ex-deputado Nilson Leitão (PP/União Progressista).

Os Riva: pai e filha

Janaína Riva (MDB)  é deputada estadual pelo terceiro mandato consecutivo. É filha do ex-deputado estadual José Riva, que durante 20 anos controlou a Assembleia, até ser alcançado pela Lei Ficha Limpa; José Riva assumiu em delação premiada que esteve à frente de um rombo de 175 milhões nos cofres públicos; foi condenado a quatro anos de prisão domiciliar e a devolver 94 milhões. Janaína Riva é nora do senador Wellington Fagundes (PL), pré-candidato ao governo.

Então filiada ao PSD, Janaína Riva foi eleita pela primeira vez para a Assembleia em 2014, o ano em que a candidatura de seu pai para novo mandato de deputado estadual foi impugnada; o pai a indicou para disputar em seu lugar e lançou Janete Riva (PSD), sua mulher e mãe de Janaína Riva, para governadora, e o pleito foi vencido em primeiro turno por Pedro Taques (PDT).

 

José Riva e Jéssica Riva em pré-campanha com Rosana Martinelli (c.) pré-candidata a deputada federal pelo MDB

Jéssica Riva (MDB) é empresária, nunca disputou eleição e foi lançada pré-candidata a deputada estadual por seu núcleo familiar. Ela é filha de José Riva, citado na nota acima.

Jéssica Riva tem convivência no mundo político. Além de filha de José Riva ela foi nora de Silval Barbosa quando ele governava Mato Grosso.

Samantha e o marido Abílio Brunini

Samantha Brunini (PL) é vereadora em Cuiabá, onde recebeu a maior votação para o cargo. É mulher do prefeito Abílio Brunini (PL). Brunini não é sobrenome de Samantha, que o adotou para melhor ser identificada na campanha eleitoral.

Dona Neuma e Zé do Pátio

Dona Neuma é professora secundarista, disputou a eleição para deputada federal em 2022, pelo PSB, mas seu partido não conseguiu votação suficiente para uma cadeira. É pré-candidata a deputada federal pelo PV federado com o PT e o PCdoB (federação Fé Brasil). É casada com Zé Carlos do Pátio, seu correligionário e pré-candidato a deputado estadual; Pátio foi vereador e prefeito de Rondonópolis, e deputado estadual.

O casal Ferreira: Cláudio e Alessandra

Alessandra Ferreira (Podemos) foi secretária municipal em Rondonópolis, na gestão de seu marido Cláudio Ferreira (PL) que a lançou na política. Alessandra é pré-candidata a deputada estadual.

Com dificuldade de legenda no PL, Alessandra se filiou ao Podemos do presidente da Assembleia, Max Russi, mesmo com seu marido permanecendo na condição de um dos líderes do PL bolsonarista em Mato Grosso.

Priscila Dourado (Podemos) é enfermeira e foi secretária municipal em Alto Araguaia, quando seu marido Gustavo Melo (PSB) foi prefeito. Priscila foi candidata a deputada estadual pelo PSB em 2022 e ficou na suplência; é pré-candidata a deputada estadual incentivada pelo marido.

Juliana Rosa (Republicanos) é pecuarista, veterinária e foi secretária municipal em Água Boa, em parte do mandato em curso de seu marido, Mariano Kolankiewicz (Republicanos). Em 2022, pelo MDB Juliana conquistou suplência de deputada federal. É pré-candidata a deputada federal e terá o marido no palanque.

Scheila e Roberto Dorner

Scheila Pedroso (Podemos) é arquiteta e foi secretária municipal em Sinop, quando primeira-dama. É pré-candidata a deputada estadual com apoio do amigo e ex-marido (se separaram recentemente) o empresário Roberto Dorner (PL), prefeito de Sinop.

 

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