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MT: Verso e reverso (50) – Nilson Leitão

Eduardo Gomes 

@andradeeduardogomes

eduardogomes.ega@gmail.com

No quinquagésimo capítulo da Série Verso e reverso de Mato Grosso – com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente – o focalizado é Nilson Leitão (UP) pré-candidato a deputado federal, que foi um dos tucanos históricos.

Menino pobre que trocou Cassilândia em Mato Grosso do Sul pela sedutora Sinop, Nilson Aparecido Leitão, técnico contábil, entrou cedo para a política. Aos 27 anos, em 1996, Leilão era um jovem pintor residencial e entusiasta desportista, com protagonismo no futebol amador. Naquele ano, conquistou mandato de vereador pelo PSDB e treve uma passagem opaca na Câmara. Em 1998 disputou uma cadeira à Assembleia Legislativa e amargou suplência, mas em 1º de junho de 1999 virou deputado por força de um rodízio parlamentar. Empossado, Leitão espalhou outdoors por sua cidade com o dizer: “Sinop agora tem deputado” e uma foto gigante dele em plenário. Essa propaganda soou mal, pois antes dele o município foi representado na Assembleia por Jorge Yanai, Jorge Abreu e Ricarte de Freitas.

PREFEITURA – Em 2000 Leitão foi eleito prefeito de Sinop e em 2004 repetiu a dose. Antes da reeleição, Leitão foi paparicado pelo tucanato nacional. O senador paulista José Serra era ministro da Saúde e escolheu Sinop para oficializar sua intenção de disputar a Presidência em 2002. Sinop tinha 79.513 habitantes e carregava a incômoda pecha de “Capital Nacional da Dengue“. A administração de Leitão foi feijão com arroz; Sinop cresce tanto que o prefeito não precisa ser bom – basta não atrapalhar.

Serra assumiu a candidatura e jogou fogueira no projeto do senador Antero Paes de Barros (PSDB) de concorrer ao governo com Janete Riva, do mesmo partido, em sua chapa. Janete é mulher do ex-deputado estadual José Riva.

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CÂMARA – Embalado com sua carreira política Leitão concorreu a deputado federal em 2010. O resultado não o abalou, muito embora seu nome não constasse entre os oito eleitos. Naquele ano a Justiça Eleitoral batia cabeça com a Lei Ficha Limpa, que não foi validada para o pleito de outubro. Mesmo sem vigência, na confusão, foram desconsiderados os 2.098 votos recebidos pelo candidato a deputado federal Tenente Willian (PTB), o que resultou na posse de Ságuas Moraes (PT). Leitão brigou na Justiça e em 13 de julho de 2013 ficou com a cadeira até então ocupada por Ságuas.

Leitão permaneceu na Câmara sem apresentar nenhum projeto relevante para Mato Grosso. No período, Leitão assumiu com tanta intensidade a bandeira ruralista, que nem mesmo um pé de soja transgênico parecia tanto com o agronegócio quanto ele. Firmou posicionamento contra a Funai e a demarcação de terras indígenas e abriu confronto com a agricultura familiar e o MST.

Reeleito em 2014 com 127.749 votos, Leitão foi o mais votado para o cargo naquele pleito em Mato Grosso. Leitão foi vice-líder da Oposição na Câmara. Em 14 de fevereiro de 2017 assumiu a presidência da FPA. Em 2018 foi líder do PSDB na Câmara e o presidiu regionalmente.

SENADO 2018 A bandeira do agronegócio não rendeu votos para Leitão em 2018 quando disputou o Senado numa chapa partidária ficando em quinto lugar com 330.430 votos. Seus suplentes: Luiz Carlos Nigro, de Cuiabá, e Rejane Garcia, que era vice-prefeita de Água Boa e agora é vereadora naquele município. Os eleitos foram: Selma Arruda (PSL), com 678.542 votos, e Jayme Campos (DEM), com 490.699 votos.

Atrás das grades

Leitão preso e levado para a Papuda

Em 17 de maio de 2007 a Polícia Federal cumpriu 40 mandados de prisão e 84 de busca e apreensão em Mato Grosso e outros estados. Os mandados foram expedidos pela ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça e resultaram na Operação Navalha. Investigações apontaram que teriam sido desviados ao menos 31 milhões na construção de obras com recursos de ministérios.

Pesava contra Leitão a suspeita que teria recebido 200 mil em propina da empresa Gautama – pivô de Navalha – que executaria uma obra de saneamento em Sinop para construir rede de esgoto e tratamento do mesmo em 40% da cidade. Agentes da Polícia Federal filmaram Leitão em Brasília com um envelope amarelo, onde estariam 100 mil que seriam antecipação de propina. O prefeito foi preso em Sinop e levado para a Penitenciária da Papuda, em Brasília, onde permaneceu atrás das grades por quatro dias, até sua prisão ser relaxada por Eliana Calmon. A abertura do envelope não foi acompanhada pela PF. Em nome do princípio da presunção da inocência, o Ministério Público Federal pediu sua soltura. Leitão nega a acusação. Inocentado, Leitão recebeu indenização para reparar danos morais.

Além desse caso, Leitão também esteve envolvido no escândalo Sanguessuga, em 2006. Nesse escândalo além de Leitão, também foram denunciados os prefeitos e ex-prefeitos Celso Banazeski (Colíder); Cidinho dos Santos (Nova Marilândia), à época presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM); Priminho Riva (Juara), Paulo Rogério Riva (Tabaporã); Ezequiel Fonseca (Reserva do Cabaçal); e dezenas de outros.

SUPLEMENTAR – Em 2020 Leitão disputou a eleição suplementar ao Senado ficando em terceiro lugar com 157.504 votos; seus suplentes foram Júlio Campos (DEM) e Zé Mário Guedes (PL) – Zé Márcio é assessor do senador Wellington Fagundes e foi secretário no governo de Silval Barbosa. O vencedor foi Carlos Fávaro (PSD), com 371.857 votos.

Sem mandato, Leitão assessorou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) até recentemente. Agora, percorre Mato Grosso tentando voltar para a Câmara dos Deputados. Recentemente assumiu a presidência do PP de Mato Grosso, partido que forma federação com o União Brasil.

PS – Continuem lendo a série. Na segunda-feira (20) o capítulo 51

 

 

 

 

 

 

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