Boa Midia

Sétimo capítulo sobre a vida pública de Júlio Campos

EDUARDO GOMES
@andradeeduardogomes
eduardogomes.ega@gmail.com

PREÂMBULO – Posto o sétimo dos 10 capítulos do livro que escrevi narrando a vida pública do deputado estadual Júlio Campos (União) – que em boa parte se funde e se confunde com a própria existência dele.

Nove capítulos estão editados e revisados. O décimo e último depende do desenrolar dos fatos políticos, sobretudo quanto à pretensão do seu irmão, o senador Jayme Campos (União), em concorrer ao governo. O governador Mauro Mendes que lidera a cúpula que verdadeiramente dá as cartas no União Brasil não apoia Jayme e defende o nome do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) para o Palácio Paiaguás. Aparentemente, quanto ao sonho de Jayme, Inês é morta. Porém, para o complemento e título da obra não basta a crença de que Jayme dançou: é preciso citar o caminho que os irmãos Campos tomarão e qual será o papel político de Jayme e Júlio.

No cenário de agora não é possível concluir a obra, mas em breve teremos o fim do impasse, o que me permitirá escrever o décimo capítulo e dar o nome ao livro. Aguardem!

Sugiro que leiam os seis primeiros capítulos neste blog buscando os títulos: Livro narra a vida e obra de Júlio Campos, o aniversariante de hoje (o primeiro)Segundo capítulo do livro sobre a vida pública de Júlio CamposTerceiro capítulo do livro sobre a vida pública de Júlio Campos;Quarto capítulo do livro sobre a vida pública de Júlio Campos; Quinto capítulo sobre a vida pública de Júlio Campos; e o Sexto capítulo sobre a vida pública de Júlio Campos.

Sétimo capítulo sobre a vida pública de Júlio Campos

Observo que o sétimo capítulo é ilustrado por oito fotos, mas que nesta amostragem há somente duas – e lamentavelmente sem o tratamento que lhes foi dado para a obra.

Em 2001, o Partido da Frente Liberal (PFL), com aval do vice-presidente Marco Maciel, indicou Júlio Campos diretor da Embratur, e em 2002 ele foi seu vice-presidente. Mas, deixou a função meses após, para ocupar uma cadeira vitalícia de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Naquela autarquia especial do Ministério do Turismo Júlio Campos não conseguiu abrir espaço para o turismo mato-grossense no calendário nacional, e não incluiu nem criou nenhum evento para o fortalecimento do  trade turístico de sua terra.

Em 28 de junho de 2002 Júlio Campos tomou posse para mais um cargo. Naquela data, indicado pela Assembleia Legislativa com a chancela do governador Rogério Salles (PSDB), Júlio Campos foi empossado conselheiro do TCE.

Dentre os parlamentares da Assembleia, somente Serys Slhessarenko e Gilney Viana, ambos do PT, se abstiveram na escolha de Júlio Campos, alegando discordância do método para definição dos conselheiros. O posicionamento de Serys e Gilney era parte do discurso do PT naquele que era um ano eleitoral.

Porém a indicação foi tranquila, quase unânime, pois contou com o apoio de 22 deputados: José Riva, Silval Barbosa, Humberto Bosaipo, Emanuel Pinheiro,  Chico Daltro, Eliene Lima, Dito Pinto, Joaquim Sucena, Hermínio Barreto, Carlão Nascimento, Carlos Brito, Moacir Pires, Alencar Soares, Amador Tut, Nico Baracat, Wilson Dentinho, Zé Carlos do Pátio, Renê Barbour, Campos Neto, Jair Mariano, José Carlos de Freitas e Pedro Satélite. Daquela legislatura não estão mais entre nós: Hermínio Barreto, Amador Tut, Nico Baracat, Renê Barbour, Dito Pinto e Pedro Satélite.

Oscar Ribeiro com Júlio Campos

Para assumir o cargo de conselheiro Júlio Campos foi beneficiado com a aposentadoria precoce do conselheiro Oscar Ribeiro, que havia sido nomeado por Júlio Campos, quando governador. Na Corte de Contas Júlio Campos sentiu-se em casa junto aos seus pares Antônio Joaquim, José Carlos Novelli, Valter Albano, Ary Leite de Campos, Gonçalo Pedroso de Barros e Ubiratan Spinelli. No período, Júlio Campos acompanhou seus pares e aprovou todos os balancetes de contas de José Riva, na Assembleia Legislativa, muito embora o Ministério Público insistisse em denunciar José Riva por improbidade administrativa, o que acabou resultando no seu enquadramento pela Lei Ficha Limpa que impediu o registro de sua candidatura pelo PSD para deputado estadual em 2014, tendo sido substituído por sua filha e então correligionária Janaína Riva. Com o pai inelegível, Janaína Riva se candidatou a deputada estadual pelo PSD com apoio do grupo de seu pai, e embora muito jovem e pouco conhecida fora do ambiente do gabinete paterno, recebeu a segunda maior votação ao cargo: 48.171 votos – o campeão foi Mauro Savi (PR), com 55.233 votos

Conhecedor das dificuldades e até mesmo da falta de informações de prefeitos de pequenos municípios para apresentarem os balanços de prestação de contas, Júlio Campos tratou de humanizar a relação conselheiro-prefeito e vice-versa, sem abrir mão da aplicação da legislação, mas colocando em primeiro lugar a didática educativa ao invés de aplicar o rigor da lei que tanto assusta a esfera política.

Júlio Campos foi corregedor-geral do TCE e desempenhou suas atribuições com dedicação. Em 12 de dezembro de 2007 aposentou-se e voltou à política partidária no Democratas (DEM), ao qual pertenceu desde sua origem na Aliança Renovadora Nacional (Arena) e nas siglas PDS e PFL, que a sucederam. Com a fusão do DEM com o Partido Social Liberal (PSL) surgiu o União Brasil, pelo qual Júlio Campos se elegeu deputado estadual em 2022.

A cadeira de Júlio Campos foi ocupada pelo ex-secretário de Estado de Fazenda, Waldir Júlio Teis, indicado pelo então governador Blairo Maggi. Teis e os conselheiros Sérgio Ricardo, Antônio Joaquim, José Carlos Novelli e Valter Albano foram afastados do TCE pelo STJ, em setembro de 2017, após a delação premiada do ex-governador Silval Barbosa, que os acusou de receberem propinas milionárias para abafarem a roubalheira quando das obras para a Copa do Mundo de 2014. Todos foram reintegrados em 19 de fevereiro de 2021.

Ainda sobre Júlio Campos no TCE: aos 89 anos, vítima do Alzheimer, Oscar Ribeiro morreu em Cuiabá no dia 19 de dezembro de 2025. Na tribuna da Assembleia Legislativa, enaltecendo Oscar Ribeiro, o deputado Wilson Santos (PSD) disse em outras palavras que Oscar Ribeiro foi honrado e caso único de conselheiro que não pediu nem recebeu dinheiro para abrir vaga no pleno do TCE.

Com a aposentadoria de Júlio Campos o TCE perdeu um conselheiro, mas em compensação a política mato-grossense ganhou seu retorno, o que aconteceu na eleição de 2008, quando disputou a Prefeitura de Várzea Grande.

A volta de Júlio Campos à política foi marcada por uma derrota em Várzea Grande, seu município. Pelo DEM ele disputou a prefeitura numa chapa com Mara Rúbia de Oliveira Leite (PP); seus adversários foram: Murilo Domingos (PPS) que tentava a reeleição, tendo em sua chapa o vice Sebastião dos Reis Gonçalves, o Tião da Zaeli, do mesmo partido; e com Nico Baracat (PMDB). Murilo foi reeleito com 72.519 votos (57,89%), Júlio Campos recebeu 45.688 votos (36,47%) e Nico Baracat 7.051 votos (5,63%).

Naquela campanha aconteceram fatos atípicos em Várzea Grande. Em junho, Maksuês liderava as pesquisas de intenção de votos. Murilo Domingos estava desgastado pela administração e Júlio Campos era citado por Maksuês como sendo coronel político. Porém, entendimentos nos bastidores levaram Maksuês a retirar sua candidatura e indicar sua mulher, Mara Rúbia, vice na chapa de Júlio Campos.

À época não faltaram comentários dando conta de que Maksuês teria sido pressionado pelo deputado estadual Gilmar Fabris, que o levou a recuar, mas ainda assim ele exigiu a vice-prefeitura e secretarias. Júlio Campos e Maksuês escolheram o gabinete apontado como o mais corrupto do Brasil para o anúncio do acordo entre eles. Para que não paire dúvida, os dois conversaram com os jornalistas no gabinete do mandachuva na Assembleia, José Riva. A população várzea-grandense não avalizou o acordo.

A derrota para Murilo Domingos foi a terceira consecutiva de Júlio Campos, das quais, duas diretas. Batido por Dante de Oliveira em 1998, Júlio Campos não disputou eleição em 2004, porque à época era conselheiro do TCE. Em 2004, Murilo Domingos  (PPS) foi eleito prefeito de Várzea Grande com 50.113 votos numa chapa com o vice Nico Baracat (PSB); Walace Guimarães (PFL) apoiado por Júlio Campos recebeu 49.525 votos tendo em sua chapa a vice Isabela Cristina de Freitas Magalhães (PFL); e o jornalista Maksuês Leite (PDT) cravou 16.815 votos numa dobradinha com a vice Hulda de Souza Prado (PRP).

Em 2004 Júlio Campos era conselheiro do TCE, mas participava das reuniões do Diretório do PFL e longe do olhar da população opinava com a desenvoltura de quem não tem impedimento legal para tanto. Nos meios políticos dizia-se com ironia que Júlio Campos era o Líder do PFL no TCE. 

A derrota de Júlio Campos não tirou os Campos do poder, pois em 2006, Jayme Campos foi eleito senador pelo PFL, com apoio do governador Blairo Maggi (PPS), que estava no auge do poder. A chapa de Jayme Campos, com os suplentes Luiz Antônio Pagot (PPS) e Osvaldo Sobrinho (PTB) recebeu 781.182 votos (61,16%) o a segunda colocada foi a chapa do tucano Rogério Salles, com 266.957 votos (20,90%); outras seis chapas também concorreram. 

Jayme Campos não mantinha boa relação com Luiz Antônio Pagot, seu suplente e presidente do Dnit e, por isso, pediu licença no Senado por 121 dias. Pagot teria que substituí-lo, mas se o fizesse correria o risco de não voltar para o Dnit, por conta da pressão do empresariado mineiro que sempre comandou aquela autarquia. Pagot preferiu não assumir o Senado, e Osvaldo Sobrinho o fez em 9 de setembro de 2009. O regimento interno do Senado não permite que o primeiro suplente abra mão para o segundo, e se recusar o cargo tem o diploma cassado – foi isso que aconteceu com Pagot.

Mais um palanque para Júlio Campos 

Júlio Campos se elegeu deputado federal em 2010

O ano de 2010 começou com Júlio Campos no cenário político. Numa campanha em que o irmão Jayme Campos mergulhou de corpo e alma, ele filiado ao DEM recebeu a sexta maior votação para deputado federal: 70.958 votos. Em ordem decrescente os eleitos foram Wellington Fagundes (145.460 votos/PR), Homero Pereira (112.421/PR), Valtenir Pereira (101.907/PSB), Carlos Bezerra (90.780/PMDB), Ságuas Moraes (88.654/PT), ele, Nilson Leitão (70.958/PSDB) e Eliene Lima (66.482/PP).

Em março daquele Blairo Maggi renunciou ao governo para disputar e vencer a eleição ao Senado. Assumiu o vice-governador Silval Barbosa (PMDB), que em outubro conquistou o Palácio Paiaguás em primeiro turno, com 759.805 votos (51,21%) tendo em sua chapa o vice Chico Daltro (PP). A segunda chapa mais votada foi a de Mauro Mendes (PSB) com o vice Otaviano Pivetta (PDT), que recebeu 472.475 votos (31,85%); em terceiro ficou a chapa Wilson Santos (PSDB) com o vice Dilceu Dal’Bosco (DEM), com 245.527 votos (16,55%). O PSOL disputou com Marcos Magno, que cravou 5.771 votos (0,39%).

Blairo Maggi pelo PR não somente foi eleito senador, mas o primeiro candidato mato-grossense que recebeu mais de um milhão de votos: 1.073.039; seus suplentes foram Cidinho Santos e Rodrigues Palma. O segundo eleito foi Pedro Taques (PDT), com 708.440 votos; o primeiro suplente de Taques foi José Medeiros (PPS), que debateu judicialmente com Paulo Fiúza (PV), sobre qual seria o primeiro na suplência. Em 2014 Taques renunciou para se candidatar a vencer a eleição para governador, e Medeiros ocupou sua cadeira.

Para a Assembleia foram eleitos: José Riva, Ezequiel Fonseca, Walter Rabello, Antônio Azambuja e Airton Português (PP), Sérgio Ricardo, Sebastião Rezende, Mauro Savi, Wagner Ramos, João Malheiros e Hermínio Barreto (PR), Romoaldo Júnior, Baiano Filho, Teté Bezerra, Walace Guimarães e Nilson Santos (PMDB), José Domingos e Dilmar Dal Bosco (DEM), Percival Muniz (PPS), Guilherme Maluf (PSDB),  Ademir Brunetto (PT), Luiz Marinho (PTB), Zeca Viana (PDT) e Luciene Bezerra (PSB).

José Riva era quase uma entidade; campeão nas urnas, com 93.594 votos, sua votação formou quociente eleitoral que arrastou figuras com baixa popularidade, à exceção de Walter Rabello que tinha o nome massificado por ser apresentador de programa popular na televisão e no rádio.

Para efeito comparativo, José Riva recebeu para deputado estadual 22.636 votos a mais do que Júlio Campos para deputado federal, e sua votação superou individualmente os votos recebidos por quatro deputados federais eleitos.

Júlio Campos voltou ao cenário político, mas sem protagonismo. Mesmo com a lenta renovação da classe política mato-grossense estavam em cena Blairo Maggi, Pedro Taques, Silval Barbosa e José Riva, todos com mais destaque do que ele. 

 

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

4 × 5 =

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está bem com isso, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia Mais

Política de privacidade e cookies