Boa Midia

Safra 25/26: um ano de transformações com a nova Lei da Irrigação

Hugo Garcia*

NOVA MUTUM

A agricultura de Mato Grosso vive um momento decisivo. Somos líderes nacionais na produção de grãos e, cada vez mais, referência em tecnologia e competitividade. Nesse cenário, a atuação da Aprofir (Associação dos Produtores de Feijão, Pulses, Colheitas Especiais e Irrigantes de Mato Grosso) tem sido estratégica para impulsionar um novo ciclo de desenvolvimento, baseado na irrigação, na sustentabilidade e na inclusão produtiva.

Desde sua criação, a Aprofir atua como um elo entre produtores, pesquisa, tecnologia e políticas públicas. Defendemos a irrigação como instrumento fundamental para a segurança hídrica, a estabilidade da produção e a redução dos riscos climáticos. Também somos protagonistas na articulação de programas de incentivo, como o Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Prodeic).

Por meio do Imafir (Instituto Mato-grossense de Feijão, Pulses, Cultivos Especiais e Irrigação) e de parcerias com a Embrapa, levamos conhecimento técnico ao campo. Esse trabalho fortalece tanto os grandes polos produtivos quanto a agricultura familiar, com foco em culturas de maior valor agregado, como feijão, pulses, frutas e hortaliças.

Nesse contexto, a aprovação da Lei nº 12.717/2024, que institui a Política Estadual de Agricultura Irrigada e o Programa Estadual de Irrigação (Proei), representa um verdadeiro marco para os produtores mato-grossenses. Trata-se de uma conquista construída a muitas mãos, com forte participação da Aprofir, e que estabelece bases sólidas para ampliar a área irrigada, elevar a produtividade e garantir o uso racional dos recursos hídricos.

Atualmente, Mato Grosso conta com cerca de 220 mil hectares irrigados. Nosso objetivo é alcançar 4 milhões de hectares até 2030, sempre com responsabilidade ambiental e geração de renda no campo.

Já no primeiro ano de vigência da lei, é possível perceber avanços importantes. A nova legislação trouxe mais segurança jurídica, estimulou investimentos e reforçou a adoção de tecnologias mais eficientes no uso da água. Sistemas modernos de irrigação,como pivôs centrais de alta performance, gotejamento, sensores, painéis inteligentes com uso de inteligência artificial e integração com imagens de satélite, permitem produzir mais, com menos desperdício e menor impacto ambiental.

Na prática, a irrigação vem transformando a produção de feijão, pulses e colheitas especiais em Mato Grosso. Observamos crescimento consistente da segunda e até da terceira safra, maior padronização da qualidade e estabilidade de oferta. Esses fatores são essenciais para atender tanto o mercado interno quanto o externo. A irrigação deixou de ser apenas uma ferramenta de proteção contra o clima e passou a ser um instrumento estratégico de gestão da propriedade rural.

Há exemplos concretos dessa evolução. Produtores associados à Aprofir já conseguem ampliar significativamente sua área produtiva sem avançar sobre novas fronteiras agrícolas, utilizando tecnologia, energia solar e manejo eficiente da água. Esse modelo alia aumento de produtividade, redução de custos e preservação ambiental, alinhando Mato Grosso às melhores práticas do agronegócio mundial.

As expectativas para a safra 25/26 são positivas. A tendência é de crescimento da produção agrícola, impulsionada pela maior adoção de tecnologias de irrigação, conectividade no campo e agricultura de precisão. A irrigação cria condições para o planejamento de longo prazo, o escalonamento de plantio e colheita e maior resiliência frente às oscilações climáticas.

Outro ponto fundamental é a diversificação de culturas. Com a irrigação, Mato Grosso amplia seu potencial não apenas nos grãos tradicionais, mas também em feijão, pulses, sementes especiais, frutas e hortaliças. Isso fortalece cadeias produtivas, agrega valor à produção e abre novas oportunidades nos mercados nacional e internacional. Esse movimento também beneficia a agricultura familiar, promovendo desenvolvimento regional e inclusão produtiva.

É claro que ainda existem desafios. Os custos iniciais de implantação dos sistemas de irrigação, a necessidade de capacitação técnica e a adaptação a novas práticas de manejo são obstáculos para muitos produtores. No entanto, esses desafios podem, e devem, ser superados com planejamento, acesso a crédito, políticas públicas eficientes e assistência técnica qualificada.

A Aprofir tem papel central nesse processo. Atuamos no suporte aos produtores, na capacitação de técnicos, na articulação institucional e na defesa de políticas que estimulem a irrigação sustentável. Projetos como o AGROfamiliar, voltado à Baixada Cuiabana, demonstram que é possível crescer com equilíbrio, segurança hídrica e responsabilidade ambiental.

A safra 25/26 se apresenta, portanto, como um ano de transformações. A nova Lei da Irrigação nos oferece as ferramentas necessárias para avançar com segurança, inovação e sustentabilidade. O otimismo é real, mas vem acompanhado de responsabilidade: produzir mais, com eficiência, respeitando a água e o meio ambiente.

Convido todos os produtores a continuarem investindo em tecnologia, compartilhando conhecimento e fortalecendo a cooperação no campo. A irrigação é o presente e o futuro da agricultura em Mato Grosso. Juntos, podemos fortalecer ainda mais nosso setor, gerar renda, empregos e garantir alimentos de qualidade para Mato Grosso, para o Brasil e para o mundo.

* Hugo Garcia é presidente da APROFIR

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