MT: Verso e reverso (109) – Estrada Perdida
Eduardo Gomes
@andradeeduardogomes
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Capítulo 109 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto focaliza a antecipação da colonização de Santa Cruz do Xingu por um erro topográfico que resultou na Estrada Perdida.
Em janeiro de 1979 com a instalação de Mato Grosso do Sul, desmembrado em novembro de 1977, Mato Grosso tinha 998.730 habitantes concentrados em Cuiabá, seu entorno e nos poucos municípios da época, mas o Vale do Araguaia era imenso vazio demográfico, sobretudo em sua área mais ao Norte. Essa era a realidade a ser enfrentada pelo governo estadual, que precisava executar obras e promover a ocupação populacional como orientavam os bordões do regime militar: “Homens sem terra para terra sem homens” e “Integrar para não Entregar”. Nesse contexto, a iniciativa privada foi decisiva para a criação de cidades, a exemplo de Santa Cruz do Xingu.
Em abril de 1979 no alvorecer da nova realidade territorial mato-grossense a empresa Colonizadora e Representação do Brasil Sociedade Anônima (Corebrasa) requereu junto ao presidente do Incra, Paulo Yokota, a aprovação de um projeto de colonização numa área de 24.969 hectares então pertencente ao município de Luciara. O projeto levava a chancela técnica do engenheiro agrônomo Orlando Roewer, figura lendária na criação de Canarana, onde foi braço direito do colonizador e pastor luterano Norberto Schwantes, fundador de diversas cidades. O projeto da Corebrasa tinha uma definição fundiária ordenada. Era calcado na demarcação de 50 lotes de 400 hectares e de 20 com 200 hectares, e de 20 chácaras de 15 hectares no entorno do perímetro urbano de 123 hectares tendo ao lado uma pista de pouso. A empresa esperava que a vila que ali surgiria fosse transformada em cidade, o que aconteceu em 28 de dezembro de 1999, quando o governador Dante de Oliveira sancionou a lei de autoria do deputado estadual Humberto Bosaipo emancipando Santa Cruz do Xingu do município de São José do Xingu, numa área de 5.623 km², na divisa com o Pará.
Roewer é um pesquisador da agricultura tropical e apostava que a área da Corebrasa fosse apropriada para o cultivo de pimenta-do-reino. Tanto assim, que aquele condimento se tornou a cultura-âncora na proposta para convencer agricultores a investirem no plano. Essa meta popularizou a iniciativa, que na região era conhecida por todos e chamada de “Projeto Santa Cruz da Pimenta-do-Reino”.
Estrada Perdida
Mais dia menos dia a colonização de Santa Cruz do Xingu aconteceria, mas ela foi antecipada graças a um erro de engenharia na locação da BR-080, no começo da década de 1970. Moradores antigos na região contam que na fase de implantação da BR-080 ligando Mato Grosso ao Pará, cruzando o rio Xingu, via Matupá – onde ela se junta à BR-163 – um cálculo errado de engenharia no agora entroncamento conhecido como Bituca, ao invés de direcionar o picadão à esquerda o manteve reto e o levou adiante até a área onde se situa a cidade de Santa Cruz do Xingu. Por conta desse erro a sabedoria popular apelidou aquela mancada de Estrada Perdida.
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A abertura do picadão da Estrada Perdida facilitou o acesso ao imóvel da Corebrasa e aos demais na região. Após a constatação do erro na implantação daquele trecho da BR-080 sua obra foi retomada no rumo definido por seu projeto, passando por São José do Xingu e prosseguindo até Matupá à margem da BR-163. Essa rodovia foi estadualizada e rebatizada MT-322.
PS – Continuem lendo a série. Amanhã (27) o capítulo 110.
Capítulo 109 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto focaliza a antecipação da colonização de Santa Cruz do Xingu por um erro topográfico que resultou na Estrada Perdida.