Boa Midia

Uma página virada para o MDB em Mato Grosso

EDUARDO GOMES

Da Reportagem

Nenhum partido político brasileiro tem tanto ativo democrático quanto o MDB do Dr. Ulysses Guimarães, Carlos Bezerra, outros vultos e do cidadão que respeita e luta pela democracia. Esta legenda, que no cinzento ciclo da face mais cruel da ditadura era carinhosamente chamada de Manda Brasa, sofreu um achatamento em Mato Grosso e está à beira do abismo esperando por uma mão salvadora.

O implacável relógio biológico aposentou o líder Carlos Bezerra e a presidência regional do MDB foi entregue à deputada estadual Janaína Riva, que conduziu uma política partidária atípica, o que resultou na quase pulverização da legenda, levando-se em conta o resultado das urnas e o perfil dos poucos eleitos.

Antes mesmo de ser presidente do MDB, Janaína Riva já manifestava a intenção de ser senadora – não confunda com ser candidata ao Senado. Assim, aplainou o caminho de sua candidatura, que embora do partido era dissociada dele e tentava por todos os meios eleger o senador Wellington Fagundes (PL) para o governo; Wellinton é sogro de Janaína Riva.

Na caminhada não houve nenhuma manifestação pública, com a intensidade devida, para tentar manter filiados os deputados federais Emanuel Pinheiro e Juarez Costa, nem seus suplentes Valtenir Pereira e Juliana Kolankiewicz. Enquanto eles saíam, sites davam conta de que estaria sendo montada uma chapa para a Câmara, com os ex-prefeitos Kalil Baracat, de Várzea Grande, e Rosana Martinelli, de Sinop, e a empresária Jéssica Riva, irmã de Janaína Riva. Porém, num passe de mágica a chapa desmoronou com Janaína Riva explicando que os recursos do partido eram poucos e que seriam priorizadas as chapas do Senado e à Assembleia, com Jéssica Riva em sua composição.

Em tom altivo e elegante, Rosana Martinelli lamentou a rasteira sofrida, pois ela acalentava o sonho de se candidatar.

Sem candidatura para governador, vice-governador e deputado federal, o MDB ainda perdeu a vice-prefeita de Cuiabá, Coronel Vânia, que seria candidata à Assembleia, e o ex-vereador Damiani da TV, de Sorriso, que também concorreria para deputado estadual.

O ano para o MDB também foi marcado por outros episódios. O prefeito de Pontal do Araguaia, Adelcino Lopo, deixou aquele partido e migrou para o Podemos, pelo qual foi eleito deputado estadual. O deputado estadual Juca do Guaraná foi para o PSDB, e em meio à debandada a legenda ganhou a filiação do deputado estadual Eduardo Botelho, que tentou a reeleição, sem sucesso.

Candidata consolidada ao Senado, Janaína Riva trocou seus suplentes escolhendo os empresários Danilo Trento e Rafael Torres, ambos envolvidos em escândalos, e fez essas mudanças sem nenhum alarde, procurando mantê-las longe do conhecimento público.

Oradora nata, com boa presença cênica, jovem, Janaína Riva ocupava as redes sociais fazendo uma campanha diferente das demais, onde se autoproclamava Onça. Habilidosa, ela não citava o pai, nem mesmo quando narrava sua infância em Juara; assim José Geraldo Riva, o patriarca dos Riva, não era peça da campanha.

Nenhuma figura política em Mato Grosso ocupou tanto espaço na Imprensa, sobretudo nos sites, quanto Janaína Riva. Ela virou um produto de marketing apresentado pelos melhores ângulos e focalizada longe do passado turvo de seu pai quando deputado estadual que por 20 anos controlou a Assembleia.

Desidratado, o MDB chegou às eleições com meia dúzia de prefeitos, mas nenhum dos grandes municípios. Aparentemente Janaína Riva estava eleita. Apurada a votação ouviu-se a voz do povo – juiz que não erra. Mauro Mendes (União), com 1.187.352 votos e Zé Medeiros (PL) com 977.434 votos foram eleitos. Janaína Riva ficou em terceiro lugar, com 519.434 votos. Foi uma derrota acachapante.

Janaína Riva somente foi a mais votada em Jangada, General Carneiro e Ribeirãozinho.

Foi a segunda em Nova Brasilândia, Nova Canaã do Norte, Acorizal, Dom Aquino, Cocalinho, Itaúba, Alto Paraguai, Luciara, Nortelândia, Araguaiana, Arenápolis e Nova Brasilândia.

Oscilou entre o terceiro e o quinto lugar nos demais municípios. Em Alta Floresta, Barra do Garças, Cáceres, Confresa, Colíder, Cuiabá, Juara – o município onde nasceu – Rondonópolis, Sinop, Tangará da Serra, Várzea Grande e outros municípios, ficou na terceira posição. Em Araguainha, Cláudia, Denise, Nova Maringá, Campo Verde, Lucas do Rio Verde e outros municípios ficou em quarto lugar. Em Alto Boa Vista, Canabrava do Norte, Nova Nazaré e outros municípios foi a quinta.

 

A derrota de Janaína Riva não foi resultado de uma manifestação localizada, mas a resposta de Mato Grosso a ela pois seus números foram capilarizados, em todas as regiões.

A candidatura de Janaína Riva é página virada. O que precisa entrar em jogo é o MDB. O partido elegeu os deputados estaduais Léo Bortolin, Dr. João e Thiago Silva. Bortolin não tem identidade partidária emedebista; assessorou o suplente de deputado estadual Luizinho Magalhães, que dava sustentação a José Riva e caiu nas graças dos Riva. Dr. João está no partido por circunstâncias eleitorais. Somente Thiago Silva é o chamado filiado raiz, de carteirinha.

A força do MDB que não exerce mandato eletivo no plano estadual e nos municípios precisa entrar em cena. Restaurar o MDB. A experiência familiocrata para eleger Janaína Riva e Jéssica Riva não deu certo. Isso acontece nas democracias.

Um pleito perdido não significa o fim de uma legenda. O partido se renova a cada eleição. Que em 2028, nas eleições municipais tenhamos o velho e bom Manda Brasa de volta e que 2026 seja uma mera página virada.

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