Boa Midia

Taques e Pivetta chamam adversários para o duelo verbal

Eduardo Gomes 

@andradeeduardogomes

eduardogomes.ega@gmail.com

Até então, a disputa eleitoral em Mato Grosso transcorria em banho-maria, como se os protagonistas fossem meninos e meninas comportados, ao estilo nerd. Porém, dois fatos recentes deverão mudar o curso das pré-campanhas arrastando-as ao ringue verbal, que embora seja criticado é importante para se conhecer o verso e o reverso dos que sonham com o poder ou já se encontram nele, mas não querem se desgrudar. Os fatos: o depoimento de Pedro Taques (PSB) na CPI do Crime Organizado, no Senado; e a ripada oral que Otaviano Pivetta (Republicanos) deu no – com licença da má palavra – Dnit.

Taques é um turrão que consegue ser didático em suas falas. Ao denunciar suposta ligação do Banco Master com os consignados dos servidores públicos estaduais em Mato Grosso, e seus tentáculos com a Rota do Oeste – que explora a concessão da BR-163 – ele abriu um ringue para enfrentar Mauro Mendes, Fábio Garcia, o Fabinho e Cidinho dos Santos, todos pré-candidatos e integrantes da cúpula governista que no próximo dia 31 deixará o poder para correr atrás de votos.

Em Rondonópolis, Pivetta fez uma dura fala, sarcástica, ao lado do prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), inteiramente direcionada ao senador Wellington Fagundes, seu virtual concorrente ao governo e correligionário do anfitrião Cláudio.

Lamentavelmente a cobertura jornalística da fala de Taques foi mínima, o que não é de se estranhar pelo alinhamento do dito quarto poder com os verdadeiros donos do poder, independentemente de quem o exerça. Porém, as denúncias poderão ganhar desdobramento na esfera judicial, além do desgaste que causaram a Mauro Mendes, Cidinho e Fabinho.

Creio que as respostas ao denunciante Taques serão duras.

Fabinho não figura entre os políticos ditos truculentos, mas sua veia nordestina (do vovô paterno, o ex-governador Garcia Neto, sergipano oxente) não deixa por menos e ele não leva desaforo para casa. Quem se lembra que há pouco tempo a deputada estadual Janaína Riva (MDB) abriu bateria contra ele o acusando de reter suas emendas parlamentares e de outros fatos. O troco de Fabinho foi muito duro. Ele disse que Janaína Riva vem de berço corrupto (alusão ao seu pai, o ex-deputado José Riva, corrupto confesso em delação premiada onde assumiu que esteve à frente de um rombo de 175 milhões nos cofres públicos) e que ela não pode falar sobre corrupção; ainda a acusou de racismo. Janaína Riva preferiu o silêncio e não representou judicialmente contra Fabinho.


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Mauro Mendes é um goiano que não aceita desaforo e não deixa de dar o troco, ainda que tenha que comer um saco de sal enquanto espera. Taques pode se preparar, pois diretamente ou por meio de seus aliados a resposta de Mauro Mendes virá em tom azedo, porque o governante não engole a chacota do panhô ou não panhô.

Quanto à Cidinho avalio que Taques pode dormir em berço esplêndido, que ele não costuma retrucar nem se defender pela imprensa. Em 2006, quando a imprensa nacional abriu manchete para o escândalo da Máfia das Ambulâncias, Cidinho permaneceu calado, apesar do fogo cerrado sobre a AMM – da qual era presidente – que foi o epicentro daquela corrupção que deve ter sido o maior escândalo da saúde no Brasil; Wagner Santos, irmão de Cidinho e então superintendente da AMM foi preso pela Polícia Federal, mas ele não se manifestou. Quando do Escândalo do Maquinário no governo de Blairo Maggi, Cidinho foi citado ao lado de Eumar Novacki, Vilceu Marchetti e Éder Moraes, como protagonista daquele caso providencialmente abafado. Cavalheiro, Cidinho sempre se pauta pelo silêncio.

Acho que Pivetta botou a mão no vespeiro ao cutucar Wellington, que não aceita pecha que o ligue ao Dnit. Porém, é preciso que fique claro: Wellington controlou o Dnit no ciclo Lula/Dilma/Lula 2. Foi ele quem apadrinhou as nomeações de Cinésio Nunes e Luiz Antônio Ehret Garcia (primo de Fabinho) para a chefia do Dnit xomano. Cinésio também foi apadrinhado por Wellington para ser secretário de Transporte de Silval Barbosa, cujo governo dispensa comentários; José Márcio Guedes, braço direito de Wellington, também secretariou Silval.

Wellington deverá devolver a fala de Pivetta em tom nada amistoso.

Aguardemos!

Foto:

Meramente ilustrativa

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