Boa Midia

SÉRIE – Verso e reverso de Mato Grosso (6)

 

EDUARDO GOMES
@andradeeduardogomes
eduardogomes.ega@gmail.com

Sexto capítulo da Série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente.

Curva do Boi virou Curvelândia

Curvelândia (4.970 habitantes) foi implantada na Reserva Nacional da Caiçara onde os ocupantes não tinham título registrado em cartório. Num mesmo dia uma área às vezes era invadida por mais de um grupo. Com a emancipação o cenário mudou, e agora, o município não é mais identificado como terra da Caiçara, mas na condição de vizinho de Mirassol D’Oeste, que é uma das referências na faixa de fronteira.

A posse da terra na Curva do Boi e na Caiçara como um todo, era pacífica, mas o Incra ao invés de buscar solução para a regularização fundiária, costumava criar dificuldades. Vivi essa realidade.

Cai a noite sobre Curvelândia

A cidade de Curvelândia é resultado da transformação da vila de Curva do Boi, embrionário povoado que recebeu essa denominação em 1971, em razão de um atropelamento de bois que estavam numa curva da MT-170, então uma estradinha. Um caminhão boiadeiro passou sobre os animais e assim surgiu o sugestivo nome do lugar.

Sete anos depois do acidente com os bois o agricultor José Pedro da Silva, cearense de Crato, comprou uma cessão de direito de 25 hectares de um lote na Caiçara, para se dedicar ao plantio de arroz e milho. Devoto do pai do Menino Jesus, José Pedro deu ao seu lote o nome de sítio São José. Porém, vendo que era grande o número de moradores na região, criou arruamento e destinou 20 hectares para a construção de uma vila, que manteve o nome de Curva do Boi.

Com surpresa vi a mudança do nome de Curva do Boi para Curvelândia. Ouvi duas versões sobre a origem do nome do município. No final de outubro de 2014 fui à Curva do Boi passar o caso a limpo. Conversei com moradores antigos, mas somente o então secretário de Obras e Serviços Públicos, Gabriel Frades da Silva, que chegou ao lugar pouco antes de sua emancipação, contou a história da mudança, que retirou a bonita denominação de Curva do Boi para a atual, que julgo fria e distante.

Frades contou-me – e o seu irmão Luis Pereira Frades confirmou – que na campanha eleitoral de 1986 o suplente de deputado estadual Jalves de Laet reuniu-se com correligionários e simpatizantes em Curva do Boi. Além da luta encarniçada por votos, o político sugeriu a troca do nome para Curvelândia. A sugestão foi aceita por José Pedro; Diorando Marques de Azevedo – pioneiro -; Luis – o irmão de Gabriel -, e que mais tarde seria vereador; e outras figuras. Em 10 de julho de 1987, o governador Carlos Bezerra sancionou a lei oriunda de um projeto do deputado José Lacerda e aprovado pela Assembleia Legislativa elevando a vila de Curvelândia a distrito de Cáceres. Em 28 de janeiro de 1998 o governador Dante de Oliveira sancionou a lei de autoria do deputado Amador Tut, aprovada pela Assembleia Legislativa criando o município de Curvelândia em áreas seccionadas de Cáceres, Mirassol D’Oeste e Lambari D’Oeste.

A pecuária leiteira é o esteio econômico de Curvelândia, mas sua primeira atividade econômica foi a fabricação de tijolos em olarias e pequenas cerâmicas, para a construção civil em Cáceres, Mirassol D’Oeste, São José dos Quatro Marcos e Araputanga. A antiga vila Curva do Boi agora oferece boas condições de vida aos seus habitantes.

O município oferece boas condições de vida aos moradores. A pavimentação atende à 70% das ruas, a água tratada tem acesso universal. O prefeito Jadilson Alves de Souza, destaca que o município tem um sistema de transporte de estudantes, “muito bom”. Diariamente os ônibus percorrem 545 km, distância igual ao trajeto do Rio de Janeiro a Vitória (ES). A saúde fica a cargo de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), que mantém plantão médico de 24 horas.

Curvelândia situa-se no polo regional de Cáceres – distante 60 km daquela cidade – na faixa de fronteira e seu principal atrativo turístico é a Caverna do Jabuti, tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Estadual – é a maior de Mato Grosso. Situada na Serra Padre Inácio, Jabuti foi descoberta há 32 anos e tem 4 quilômetros quadrados. Seus principais salões receberam nome de: Pão de Açúcar, da Taça, da Cocada, Nossa Casa, Cortinado, das Colunas, Buracão, Vaca Seca, Templo da Expansão do Universo, Repolho e Altar do Sacrifício.

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De 1975 a 1978 costumava frequentar o bolicho do Rosino, que não passava de um casebre de tábuas coberto com folhas de babaçu, piso de chão, mas que em compensação servia a Brahma mais gelada daquelas bandas, na Reserva Nacional da Caiçara, no município de Cáceres. Já o tira-gosto não era nada aconselhável: ovo cozido, que ficava azulado no expositor, invariavelmente coberto pelo pó da estrada ao lado. Bons tempos aqueles.

PS – Continuem lendo a série. Na sexta-feira (27), será postado o sétimoo capítulo. Boa leitura.

Fotos: blogdoeduardogomes

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