(SEM PESQUISAS) – O Senado nosso de cada dia
Eduardo Gomes
@andradeeduardogomes
eduardogomes.ega@gmail.com
Com cautela vejo a postagem de pesquisas de intenção de voto em Mato Grosso. Não se deve generalizar, mas nesse caso, seriedade é a exceção da exceção, como ficou claro nas eleições para prefeito em Cuiabá e Várzea Grande, no ano passado; e se buscarmos na memória veremos quantas aberrações foram jogadas para o eleitor digerir. Portanto, descartando os resultados apresentados por institutos que em muitos casos são sazonais, que funcionam na pasta do dono e que sequer contam com pessoal quantitativo para ouvir o cidadão, opino sobre as duas disputas para o Senado, tomando por base o histórico eleitoral mato-grossense, a capacidade de transferência de votos de lideranças nacionais para seus aliados regionais e alguns outros fatores.

Majoritariamente o eleitorado mato-grossense é bolsonarista ou quando nada de direita independentemente do ex-presidente Jair Bolsonaro. Este fato é inegável. Inegável também é a mística de Bolsonaro que o faz mestre na transferência de votos, capaz de eleger postes. Portanto, imagino que o candidato mais votado ao cargo deverá ser Antônio Galvan (DC), que é líder ruralista e sem a estrutura que o Congresso e a Assembleia conferem aos que defendem Bolsonaro, é a maior voz em defesa do ex-presidente agora condenado e preso.

Galvan é um dos nomes da fragmentada direita, que ora visa o Senado, também com o governador Mauro Mendes (União), o deputado federal José Medeiros (PL) e a deputada estadual Janaína Riva (MDB). Sem trocadilho nem alusão a eventuais ‘melancias’, mas trata-se de uma salada que procura se apresentar com formato, cor, sabor e som da direita, o que Michelle Bolsonaro chamou de oportunismo.
Imagino que no bloco da direita Mauro Mendes será o segundo mais votado, e não descarto a possibilidade de que Medeiros retire sua pré-candidatura e tente o terceiro mandato consecutivo de deputado federal.
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Até o momento não há ataques nem trocas de farpas, mas isso inevitavelmente acontecerá entre os candidatos e seus seguidores. Quando o tiroteio verbal começar, não somente para o Senado, mas de modo geral, mocinha deslumbrada vira bruxa, mocinho heroico passa a ser bandido. Sempre foi assim, mas não vejo força nos comitês da maldade para influenciar a decisão de modo a decidir o pleito.

Seria bom a eleição de um nome da direita, e melhor ainda com a esquerda também chegando lá. O Senado é a casa da maturidade, tribuna para o contraditório que o Brasil busca e precisa. Das discussões entre os senadores poderemos chegar ao cerne da democracia, com o país livre do protagonismo policialesco do Supremo Tribunal Federal e de tantas mazelas incorporados ao Sistema pelos sucessivos governos e legislaturas. Com um nome da esquerda e outro da direita eleitos em 2026 e Wellington Fagundes (PL) cumprindo a segunda metade do mandato, terá equilíbrio, pois Wellington é maleável, ora acende vela para uma ideologia, ora para outra.

A minha crença na eleição de Galvan e de um nome de esquerda é baseada na lógica. O lulismo sempre elegeu deputados federais e estaduais em Mato Grosso, além de conquistar uma cadeira no Senado em 2002 com Serys Slhessarenko. A canalização dos votos da esquerda para o ministro Carlos Fávaro (PSD), que também terá expressiva votação entre os trabalhadores rurais, assentados da reforma agrária e da comunidade acadêmica farão dele senador reeleito perdendo em votos somente para Galvan.
Imagino que o núcleo mais duro do Partido dos Trabalhadores dará o segundo voto para Pedro Taques (PSB) – o voto útil – e que o grupo mais próximo de Fávaro também o fará. Isso, para evitar que se fortaleça Janaína Riva, que transita bem entre os jovens e os meios universitários. É o chamado voto útil. Um percentual alto de votos de Fávaro canalizado para Taques dará mais consistência à sua candidatura para se manter senador.
Taques foi senador e cumpriu bem seu mandato durante quatro anos – renunciou para disputar e vencer a eleição ao governo em 2014 – sem se curvar e demonstrando lucidez parlamentar.

Esse chamado voto útil fez de Serys senadora, com o PFL de Jonas Pinheiro e o PT dela trocando votos, o que derrotou o tucano e ex-governador Dante de Oliveira assegurando a eleição de Jonas e Serys.
As pesquisas, generosas pesquisas, mostram Mauro Mendes disparado na liderança para o Senado, mas os institutos não entram nas urnas nem têm poder de convencimento. Inegavelmente Mauro realiza um governo que apresenta bons resultados em muitas áreas, mas o governante não tem a confiança da direita e muito menos da esquerda – além da rejeição do funcionalismo. A votação de Mauro será aquela que nasce da força do poder, mas não suficiente para levá-lo ao Senado. Mauro será o candidato dele mesmo, sem apadrinhamento do presidente Lula e de Bolsonaro, e estará fora do poder quando subir ao palanque.
Para evitar reação palaciana a Imprensa omite um fato que também poderá contribuir para a derrota de Mauro: o governo teima em eleger sua mulher Virgínia Mendes deputada federal imitando Carlos Bezerra, com Teté Bezerra, e Jonas Pinheiro com Celcita Pinheiro. Virgínia é o segundo nome mais divulgado pela mídia, mas em textos de superficialidade que em nada somarão na campanha eleitoral.
José Medeiros foi suplente de Taques no Senado, e por quatro anos exerceu o mandato, mas não passou de um zero à esquerda. Mato Grosso não pode se dar ao luxo de insistir em voltar a desocupar uma cadeira de senador no tocante à defesa de seus interesses.

Com cautela vejo a postagem de pesquisas de intenção de voto em Mato Grosso. Não se deve generalizar, mas nesse caso, seriedade é a exceção da exceção, como ficou claro nas eleições para prefeito em Cuiabá e Várzea Grande, no ano passado; e se buscarmos na memória veremos quantas aberrações foram jogadas para o eleitor digerir. Portanto, descartando os resultados apresentados por institutos que em muitos casos são sazonais, que funcionam na pasta do dono e que sequer contam com pessoal quantitativo para ouvir o cidadão, opino sobre as duas disputas para o Senado, tomando por base o histórico eleitoral mato-grossense, a capacidade de transferência de votos de lideranças nacionais para seus aliados regionais e alguns outros fatores.
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