Todos os anos, em outubro, o câncer de mama ganha destaque nas campanhas de conscientização. Prédios ficam iluminados de rosa, ações de prevenção são realizadas e a importância do diagnóstico precoce volta ao centro das discussões. Tudo isso é necessário. Mas existe uma pergunta que não podemos deixar de fazer, o que acontece com essa mulher depois que a campanha termina e ela precisa, de fato, do atendimento da rede pública de saúde?
Essa é uma preocupação que carrego há anos, não apenas como vereadora, mas como alguém que conhece de perto a realidade dos pacientes oncológicos. Na minha trajetória nessa causa, aprendi que o enfrentamento do câncer envolve muito mais do que o diagnóstico e o tratamento. Envolve acesso, estrutura, continuidade da assistência e uma rede capaz de amparar o paciente em um dos momentos mais difíceis da vida.
Não podemos falar em diagnóstico precoce sem discutir o acesso aos exames. Não podemos defender o início rápido do tratamento sem cobrar que os serviços tenham condições de atender à população. E não podemos ignorar o sofrimento de quem, além de enfrentar uma doença grave, precisa lidar com a incerteza sobre quando será atendido. A saúde pública precisa funcionar justamente quando as pessoas mais precisam dela.
A Lei Federal nº 13.896/2019 estabelece prazo de até 30 dias para a realização dos exames necessários à confirmação do diagnóstico de câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS), quando houver solicitação médica fundamentada na principal hipótese diagnóstica. É um direito que precisa ser respeitado. A agilidade na investigação pode fazer diferença na condução do caso, e nenhuma paciente deveria ficar desamparada enquanto espera por uma resposta.
Em Cuiabá e em Mato Grosso, o fortalecimento da assistência oncológica precisa permanecer na agenda pública. Isso passa pela estrutura dos serviços especializados, pela regularidade dos recursos, pela organização dos fluxos de atendimento e pelo suporte oferecido às pacientes e suas famílias. Há desafios emocionais, sociais e financeiros que também precisam ser considerados.
Por conhecer essa realidade, considero fundamental cobrar resultados, acompanhar as políticas públicas e dar visibilidade às demandas de quem enfrenta o câncer. Campanhas ajudam a informar, mas são as ações permanentes que garantem atendimento. Precisamos de uma rede de saúde que acolha a mulher desde a primeira suspeita, assegure a investigação diagnóstica e ofereça condições para que ela siga o tratamento.
O Outubro Rosa não pode ser apenas um período de conscientização. Precisa servir para avaliar o que estamos fazendo, identificar o que ainda não funciona e cobrar as mudanças necessárias. Meu compromisso com essa causa continua durante todo o ano, porque o direito à saúde não pode depender do calendário. As mulheres precisam de menos obstáculos e mais respostas. E é isso que continuarei defendendo na vida pública.
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