Boa Midia

Ouro, história e futuro: o que os 307 anos de Cuiabá revelam

Valdinei de Souza*

CUIABÁ

Ao celebrar seus 307 anos de fundação, a cidade de Cuiabá revisita uma origem marcada pela coragem, pela descoberta e pela transformação econômica. Poucas capitais brasileiras carregam uma identidade tão profundamente ligada ao subsolo quanto Cuiabá. Afinal, foi o ouro que deu início à formação urbana, social e produtiva da cidade que hoje é referência no Centro-Oeste.

A história registra que, por volta de 1700, o bandeirante Antônio Pires de Campos informou ao também bandeirante Paschoal Moreira Cabral sobre a existência de minas na região. A partir dessa descoberta, nas proximidades da antiga comunidade de São Gonçalo Velho, atual São Gonçalo Beira Rio, surgiu o Arraial da Forquilha, primeiro núcleo populacional estruturado, impulsionado pela corrida do ouro. A fundação oficial de Cuiabá ocorreu em 8 de abril de 1719, consolidando o início de uma trajetória que se confunde com a própria história da mineração no Brasil.

Anos depois, com a presença da Coroa Portuguesa, o povoado foi elevado à condição de Vila Real do Senhor Jesus de Cuiabá, em 1727. Nesse período, novas descobertas reforçaram o protagonismo mineral da região, como a grande veia aurífera encontrada pelo bandeirante Miguel Sutil, conhecida como Lavras do Sutil. Registros históricos apontam que importantes pontos de extração estavam localizados onde hoje se encontra a Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, construída também como símbolo de fé e tentativa de pacificação em meio às disputas pelo ouro.

Mais de três séculos depois, a mineração segue fazendo parte do DNA econômico e cultural de Cuiabá e de toda a baixada cuiabana.

 Na minha avaliação, baseada em estudos geológicos e no histórico de exploração mineral em Mato Grosso, essa região pode ser considerada uma das maiores províncias de ouro de baixo teor do mundo. Isso se deve à grande extensão territorial com ocorrências auríferas disseminadas em diferentes formações geológicas, realidade apontada por levantamentos técnicos do Serviço Geológico do Brasil e por pesquisas acadêmicas sobre as províncias metalogenéticas do estado.

Natural de Nortelândia, eu me considero cuiabano de coração. Foi nesta cidade que construí minha trajetória profissional, constituí família, vi meus filhos crescerem e hoje acompanho o desenvolvimento dos meus netos. Cuiabá não é apenas o lugar onde trabalho, é o lugar onde vivi e continuo vivendo a maior parte das minhas conquistas pessoais e empresariais.

Também é aqui que está localizada a sede administrativa da Fomentas Mining Company, decisão que reflete o reconhecimento da importância histórica e estratégica da capital mato-grossense para o setor mineral. Estar presente em Cuiabá significa estar conectado com a origem de um ciclo econômico que ajudou a moldar o estado e que, com tecnologia, sustentabilidade e responsabilidade social, pode continuar contribuindo para o desenvolvimento regional.

É evidente que a mineração do século XXI não pode repetir práticas do passado. O desafio atual é transformar potencial mineral em riqueza socialmente distribuída, com geração de emprego qualificado, inovação tecnológica e respeito ao meio ambiente. Cuiabá já demonstrou ao longo de sua história uma capacidade extraordinária de se reinventar, do ouro colonial ao protagonismo no agronegócio, no comércio e nos serviços.

Neste aniversário de 307 anos, acredito que olhar para as raízes é também uma forma de projetar o futuro. Cuiabá nasceu do ouro, cresceu sobre ele e ainda pode encontrar, nesse legado mineral, oportunidades para continuar avançando. Planejamento, investimento e visão estratégica serão fundamentais para transformar esse potencial em desenvolvimento sustentável para as próximas gerações.

*Valdinei de Souza é CEO da Fomentas Mining Company

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