MT: Verso e reverso (34) – Padre Geraldo
Eduardo Gomes
@andradeeduardogomes
eduardogomes.ega@gmail.com
Trigésimo quarto capítulo da Série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente.
Fronteira Brasil-Bolívia, município de Vila Bela da Santíssima Trindade, 22 de setembro de 2008. Aguardo para ser recebido pelo padre da igrejinha da vila Santa Clara do Monte Cristo, que antes tinha o charmoso nome de Ponta do Aterro. A espera foi curta. Em tom humilde e arrastando o mais puro sotaque cacerense, o sacerdote estendeu-me a mão num gesto de hospitalidade. Nossa conversa foi curta e objetiva.
Queria ouvi-lo sobre a onda de invasão de terra naquela região e a proposta de criação de um território para índios chiquitanos naquela área. Não aceitava um nem engolia o outro. Isso mesmo! Padre Geraldo* bateu o pé contra ambas as propostas.
Fiquei surpreso. Um padre católico, na fronteira, rodeado por organizações não governamentais e ambientalistas, manter aquele tipo de postura parecia surreal.
O tempo de padre Geraldo era curto. Além da evangelização, ele desenvolvia intenso trabalho social. Mesmo assim, conversou comigo sem demonstrar pressa para botar fim à entrevista.
À época padre Geraldo tinha 75 anos. Forte, obstinado, continuava em plena atividade sacerdotal em sua cidade natal, Cáceres, onde nasceu em 23 de janeiro de 1933, no bairro São Miguel, filho do casal Anna Luiz e Joaquim José dos Santos – ela costureira e ele alfaiate. Na pia batismal e no Cartório do Registro Civil recebeu o nome de Geraldo José dos Santos.
Uma vida evangelizadora de 64 anos, desde sua ordenações: diaconal em 28 de março de 1960, e sacerdotal, em 8 de dezembro de 1960, caracterizada pela humildade e amor ao próximo dividindo o tempo entre a evangelização e a ação social.
Fronteira Brasil-Bolívia, município de Vila Bela da Santíssima Trindade, 22 de setembro de 2008. Aguardo para ser recebido pelo padre da igrejinha da vila Santa Clara do Monte Cristo, que antes tinha o charmoso nome de Ponta do Aterro. A espera foi curta. Em tom humilde e arrastando o mais puro sotaque cacerense, o sacerdote estendeu-me a mão num gesto de hospitalidade. Nossa conversa foi curta e objetiva.