MT – Verso e reverso (130) – A verdadeira história da UFR
Eduardo Gomes
@andradeeduardogomes
eduardogomes.ega@gmail.com
Capítulo 130 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto destaca a verdadeira história da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR).
Criada em 20 de março de 2018 pelo presidente Michel Temer, a UFR nasceu com o desmembramento do Campus Universitário de Rondonópolis da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Tem 6.700 alunos,320 professores titulares e 33 substitutos, 147 técnicos administrativos em seu campus, onde ministra 27 cursos de graduação, 22 de pós-graduação e seis EaD. Sua base territorial ancorada por Rondonópolis tem cerca de 580 mil habitantes.
O passo a passo pela Universidade

Alguns componentes da base populacional rondonopolitana foram importantes nos primeiros passos para se chegar à UFR. Tanto garimpeiros nordestinos, mineiros e goianos, que nos anos 1940 se incorporaram à sua gente, quanto sulistas e paulistas, que migraram 30 anos depois atraídos pelo cerrado para o cultivo da soja, queriam seus filhos na faculdade. Essa vontade juntou-se a de outros moradores surgindo assim, no começo da década de 1970, sob a liderança do bispo católico Dom Osório Wilibaldo Stoffel, o movimento pela criação do ensino superior na cidade.
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Mas como criar e instalar cursos superiores em Rondonópolis, em 1970, se somente em dezembro daquele ano Cuiabá ganhou sua primeira universidade federal (UFMT)? Não seria tarefa simples, mas políticos, educadores, empresários e lideranças classistas ainda assim somavam suas vozes à do bispo. Paralelamente a isso, entre o sonho e o projeto, o professor secundarista Jeson Rego aparecia oferecendo-se para montar uma faculdade na cidade. A iniciativa não se concretizou, mas esse desfecho não enfraqueceu o sonho coletivo.
Em 1970, quando a luta pelo ensino superior sacudia Rondonópolis, a base territorial de Mato Grosso incluía a área de 357 mil km² que se transformaria em Mato Grosso do Sul e, onde, no dia 16 de setembro de 1969, em Campo Grande, o governo mato-grossense tendo à frente o governador Pedro Pedrossian, instalou a Universidade Estadual de Mato Grosso (UEMT), que absorveu o Instituto Superior de Pedagogia, de Corumbá, e o Instituto de Ciências Humanas e Letras, de Três Lagoas, ambos criados em 1967, também por Pedrossian.
Ainda em 1970 às bases universitárias em Campo Grande, Corumbá e Três Lagoas juntaram-se os Centros Pedagógicos de Aquidauana e Dourados, criados naquele ano. Assim, na região Sul com 933 mil habitantes e que pouco tempo depois seria desmembrada de Mato Grosso, cinco cidades tiveram acesso ao ensino superior. A política direcionada desagradou a população de 606 mil habitantes dos municípios ao Norte, com área de 903 mil km²: Rondonópolis, Cuiabá, Acorizal, Alto Araguaia, Alto Garças, Alto Paraguai, Araguainha, Arenápolis, Aripuanã, Barão de Melgaço, Barra do Bugres, Barra do Garças, Cáceres, Chapada dos Guimarães, Diamantino, Dom Aquino, General Carneiro, Guiratinga, Itiquira, Jaciara, Luciara, Nobres, Nortelândia, Nossa Senhora do Livramento, Poconé, Ponte Branca, Porto dos Gaúchos, Poxoréu, Rosário Oeste, Santa Terezinha, Santo Antônio de Leverger, Tesouro, Torixoréu, Várzea Grande e Vila Bela da Santíssima Trindade.

A causa rondonopolitana era justa e empolgante. Na quinta-feira, 24 de janeiro de 1975 o prefeito Cândido Borges Leal Júnior, o Candinho, reuniu lideranças em seu gabinete e ao lado do bispo Dom Osório anunciou que uma lei estadual de 2 de dezembro do ano anterior instituiu o Centro Pedagógico de Rondonópolis (CPR) e que a UEMT por meio do campus de Corumbá criou uma extensão na cidade para oferecer cursos de Licenciatura Parcelada em Estudos Sociais e Ciências Exatas, voltado para professores da rede pública, que deveriam ser instalados ainda em 1975. Porém, o começo da atividade universitária somente aconteceria no ano seguinte. A luta era por algo maior, mas já havia motivo para comemoração.
Entendendo que a demanda universitária de Rondonópolis não era atendida em sua dimensão, Afro Stefanini e Carlos Bezerra, ambos deputados estaduais pelo município, pressionaram o governador José Fragelli pela criação de um Centro Pedagógico em sua cidade. Numa reunião dos dois parlamentares com o governador, em seu gabinete, com a participação do prefeito Candinho; bispo Dom Osório; professor Antônio Schommer; chefe da Receita Federal, Lamartine da Nóbrega; coronel e médico do Exército, Osvaldo Moreira de Figueiredo; vereador Ildon Peres; empresários Nain Charafeddini, João Moraes, Amir Donato e William Moraes; e outros representantes rondonopolitanos, Afro e Bezerra falando por todos exigiram que a reivindicação fosse atendida.
A data histórica
Um ano depois da cobrança a cidade ganhou o Centro Pedagógico de Rondonópolis (CPR). Na noite de 5 de maio de 1976 foi proferida a aula inaugural daquela instituição vinculada ao campus de Corumbá da UEMT. O evento, na Escola Estadual Adolfo Augusto de Moraes, em Vila Aurora, reuniu as forças representativas da região e aconteceu numa data reverenciada pelo povo rondonopolitano, por ser o dia do nascimento do Patrono do município, das Comunicações e da Arma de Comunicação do Exército, o Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon (5 de maio de 1865 em Mimoso, à margem da Baia Chacororé, em Santo Antônio de Leverger, no Pantanal).
Os principais vultos rondonopolitanos assistiram à aula inaugural proferida pelo coordenador do CPR professor Flávio Batalha. Presentes o secretário de Estado de Educação, Louremberg Ribeiro Nunes Rocha, Candinho, bispo Dom Osório, deputados Afro e Bezerra, e outras autoridades.
Rondonópolis comemorou e brindou a instalação do CPR. Todos, independentemente de condição social, escolaridade, ideologia, credo vibraram com a conquista. Foi assim com Candemar Cecílio Fechner Victorio, Duílio Piato, Pedro Teixeira Campos, Antônio Duarte Saldanha (Heleno), Gilberto Lopes, (Gilbertinho Piloto), José Alberto de Oliveira e Silva (Zé Pretinho), Argemiro Ribeiro, Antônio Arcanjo Ribeiro (Arraia), Deyse Pimentel Lopes, Elizardo Dourado (Poxoréu Manga Larga), José Antônio Sanches, Newton Pinto da Fonseca, Valton Ramos, Epitácio Rodrigues Parateco, Júlio Alcides Sanches, Expedito Ferreira Luiz Gonçalves (Mineirinho), Beatriz Rondon, Arolda Dueti Silva, Francisco Antônio Pires (Chico Bundinha), Geraldo Batista da Silva (Geraldo Dentista), Beatriz Gonçalves (Beth), Virgílio Almeida Brito (Lizico), Benedito Parente (Dito), Eduardo Thum, João Carvalho, Valdemar Nestor, Terezinha Portocarrero, Durval Itacaramby, Edelson Vilela, João Antônio Fagundes (João Baiano), Eduardo Alberto Acuña, Edilma Braga, Zoroastro de Brito, Homero Vilas Boas, Idalina Alves Pereira (Zizi da Pastelaria), Antônio Augusto de Lima (Lima), Gastão de Matos, Ildon Peres, Sílvio Araújo, Veni França, Valfredo Dantas Matos, Alcindo Pereira dos Santos, Baltazar Ferreira de Melo, Nivaldo Luiz de Barros, Isaias Campos Filho, José de Oliveira (Cearense), Ivens Wagna, Barnabé Marras da Silva, Jairo Antônio da Cruz (Patureba), Badi Farah, Celso Gomes dos Santos, Sebastião Buquigaré, Janice Logrado, Eutímio de Matos, Carmem Miranda de Almeida, Álvaro Peres, Genésio do Carmo Neponuceno, Vilson Marino, Nelson Heitor Machado, Pérsio Borges Leal, Santo Goda, Joaquim Inácio, Aguinaldo Lucena, Benedito Araújo da Silva (Dito Indaiá), Alberto Saddi, Onilpho Senhorino, Bionor Fernandes Feitosa, Sebastião Arlindo de Souza, Gilberto Alves Athayde (Capitão), Etualpe Corrêa (Índio), Arnóbio Vieira de Andrade, Cacilda Pinto Cozatti, João Batista dos Santos (João Poteiro), Abelardo Silva, Décio Ferreira Paes, Sandra Farah, Cléo Renato dos Santos, Herly Heberle, Ailon do Carmo, Dilson Cardozo, Ariel Marques Fernandes da Silva, Sebastião Soares da Silva, Orlando Camargo, Daniel Moura, Manao Ninomiya, Hermenegildo Reis de Almeida, Luziano Muniz, Valdivino Laranjeira, Abraão de Oliveira, Adiney Sacchetin Pimenta, Gilberto do Val Pereira Silva, Leônidas Faustino, Gerson Ney Duarte Vilela, Maria Conceição Saddi (Mariazinha), Alberto Luz, José Pinto, Zeca D’Ávila, Marco Antônio Miranda Soares, Antônio dos Santos Muniz, Carlos Paniago, José Salmen Hanze (Zé Turquinho), Victor Hugo Santos, José Moraes (Beda), Hisahiro Kida, David Soares da Silva, Edimundo Nunes Marras, João Batista Ferreira Borges, Antônio Estolano, Urbano Cardoso, Celina Bezerra, Onely Viegas, José Roveri, Benedito Rodrigues da Cunha (B.Cunha), Getúlio Balbino Guimarães, Alarico de Barros, João Moraes, Luiz Beni Maia, Hélio Cavalcante Garcia, Samir Muhammad Abdel Jalil, Benedito Ferreira Moura (Bené), Luiz Lopes Martinez, Abelino Cardoso, Airton Santana, Crisóstomo Franco, Antenor Dias de Souza Filho (Pretinho), Marley Pereira de Andrade, Lucas Pacheco de Camargo, Etevaldo Clementino Leite (Pancoso), José Miranda, Manoel Machado (Maneco), Fernando Moreira, Adevair Ferreira Marques, Jupia Oliveira Mestre, Lassimi Perrone, Leodete de Pinho Carvalho, Raimundo Alves de Castro, João Miranda, Francisco Alves (Chico Alves), Manoel Novaes, Alael de Matos, Leonildo Rabelo Machado (Léo Rabelo), Afonso Egea, Francisco das Chagas Ferreira de Souza (Chico Fogueteiro), Alaeste de Paula, Leonese de Pinho Carvalho, Ailton Lima, Bailon Batista, Dario Matos, Oliveiros Ribeiro da Silva, José Marino de Paula, Josefino Francisco Ramos, Levanir Conceição Gomes, Armando Guidio, Raimundo Balbino Guimarães, Helenice Martine Acuña, Heloísa Bezerra, João Ferreira Cajango, Lourenço Ferrari, Lufti Mikhael Farah, Luiz Carlos Ferreira dos Santos (Luizão), Luiz Carlos Soares, Aníbal de Araújo, José César Ferrari, José Clemente Mendanha, Moacir Martins Silveira, Alcebíades Fávaro (Coroa), Celso Jardim Rodrigues da Cunha, Pedro Pereira Neves, Cláudio Xavier de Lima, José Coelho, Marinho de Oliveira Franco, Moisés Feltrin, Alcides Cruzeiro, Elson Moreira dos Santos, Elza Lima, Miguel Avena, Álvaro da Costa Nery, Walter José de Oliveira, Dagmar Parini, Elias Farah, Antônio Alva, Moacir Moussalem, José de Lima Alves, Manoel Pereira da Silva, Elias Zaher, Alminedes Ribeiro Nogueira (Lelo Brega), Raimundo Moraes, Isidoro Abílio de Moraes, Almir Lopes de Araújo, Ivo Ferreira Mendes, Elmo Bertinetti, Élzio Borges Leal, Ângelo Bernardino de Sá (Dino), Antônio Ferreira Neto, Pedro Pereira Campos Filho, Antônio Nestor, Adelino Matos, João Lellis, Itamar Torremocha Fim, Antônio Carlos de Almeida (Paxá), Valeste Nunes Marras, Sátiro Phol Moreira de Castilho, Amélia Stefanini, Antônio Prado, Veni França, Zanete Cardinal, Ana Rúbia Cardozo, Áureo Cândido Costa, Conrado Sales de Brito, Benedito Duarte Libânio, Aurino Feltrin, Carlos Eloy Prata, Rosalvo Farias, Rutenio Pinto de Matos Filho, Salwa Farah, Samir Muhammad Abdel Jalil, Sandra Farah, Santo Goda, Sebastião Arlindo de Souza, Sebastião Buquigaré, Antônio Frange, Augusto Mário Vieira, Célio Marcos Duarte, Antônio Luiz de Castro, Cremilda Menezes Aigner, Gustavo Moraes, Antônio Martins Duarte Júnior (Boca Rica), João Roberto Ziliani, Jairo Garcia Guedes, Nair Ferrari, Apotâmio de Carvalho, Celso Weigert, Emir Grachet, Nabil Nahsan, Odair Xavier de Lima, José Osvaldo Mendonça, Silso Dias da Silva, Ari Torremocha Fim, José Norbiato Martins, Antônio Joaquim Alves (Abóbora), João Saldanha, Natanel Cruz, Aparecida Deveza, Osvaldo Pinto, Padre Lothar Bauchrowicz, Simeão Santana Alves, Geni Alves Leite, Emanuel Bezerra, Antônio Ribeiro Torres, Otacílio Fontoura, José de Souza Alves (Zezinho), Aristides Zonatto, Pastor Juvêncio Erasmo da Cunha, Joana Murta Brandão e Silva, Orivaldo Pedroso dos Santos (Poxoréu), Renata Herbele, Aroldo Marmo de Souza, Arlindo de Souza, José Carlos Pfeifer, Adão Riograndino Mariano Salles, Jonas Rocha dos Santos, Padre Miguel Rodas, José Caetano Filho (Zé da Kibon), Ataíde Pereira de Figueiredo, Carolino Rodrigues, Valdivino Alves, Jason José de Almeida, Mariozan Pacheco de Camargo, Raul Silva, Valdir Clemente, Nilmo Costa Gomes, Odenil Botelho, Justino José Libânio (Cuiabano), Nelson Silveira de Carvalho, Pedro Cauhy, José Benedicto Torquato Mendonça (Zezinho Torquato), João Rangel Soares, Wilson de Oliveira Nogueira, Olavo Aguiar, Armindo Carrasqueira, Paulo Lopes, Pedro Caetano Garcia, José Eduardo Meimberg, Wilson Luís Ferrari, Lupércio Bolonhese, Rubens Ferreira de Brito, Marcos Coimbra, Antônio Dias Coutinho (Macaco), Simeão Santana, Valdir de Souza (Valdir Cuiabano), Maria Alves Dias, Sebastião Fidélis, Creuza Angélica de Lima, Martinho Joa, Geraldo Majjela Prados, Otacílio Alves Pereira (Cearense), Dorothi Arruda Barros Stefanini (Dora), Manoel Prado, Luiz Pimentel (Luiz Cabeça Branca), Ananias Andrade (Nem), Genésio Rondon, José Ângelo Cavalari, Sebastião Venega, Jorge Borges Alves, Maria Elza Ferreira Inácio, João Mendonça, Milton Queiroz de Matos (Sinhozinho), Sebastião Guimarães da Silva. Diógenes Fagundes, Oswaldo Barros Duarte, Israel Pereira da Silva, Antonino Gonzales (Toninho), João Dourado (João Poxoréu), Pedro Costa Marques (Pedrinho), Sílvio Nunes Morais (Silvão) e tantos outros.
O Centro Pedagógico oferecia os cursos de Pedagogia, Ciências Contábeis, Letras, Ciências Exatas e Estudos Sociais, mas sequer tinha uma sala para tanto. Seu funcionamento inicial foi na Escola Estadual Adolfo Augusto de Moraes, mas em busca do espaço que não havia na instituição que o abrigava, foi transferido para a Escola Estadual Joaquim Nunes Rocha, em Vila Salmen.
A formatura das turmas pioneiras aconteceu em 1979. Oito alunos de Estudos Sociais e 15 de Ciências Exatas colaram grau. O Patrono desse grupo de 23 formandos foi o reitor da UEMT, professor Edgard Zardo. O Paraninfo foi o reitor da UFMT professor Gabriel Novis.
Enquanto o CPR dava seus primeiros passos, em Cuiabá e Campo Grande as forças políticas travavam queda de braço por questão territorial. Na primeira a defesa era contrária à divisão e defendia a manutenção do território de 1.260.000 km². A outra lutava pelo nascimento de Mato Grosso do Sul, o que acabou acontecendo em 11 de outubro de 1977 por decisão do presidente Ernesto Geisel.
UFMT na região
Em 9 de janeiro de 1980, na fase de transição para transferência dos próprios de um e outro Estado ao seu legítimo titular, o CPR integrou-se à estrutura da UFMT, mas ainda não tinha campus. No improviso suas aulas eram ministradas cidade afora na Escola Estadual Joaquim Nunes Rocha, no salão paroquial da Igreja Santa Cruz, no bairro de igual nome, e na Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE).

Capítulo 130 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto destaca a verdadeira história da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR).