Boa Midia

MT: Verso e reverso (106) – Don Tomasso Buscetta

Eduardo Gomes

@andradeeduardogomes

eduardogomes.ega@gmail.com

Capítulo 106 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto focaliza o mafioso Don Tommaso Buscetta.

Despercebido entre a população da cidade que crescia, o italiano Don Tommaso Buscetta – um dos mais temíveis mafiosos da Cosa Nostra – era pacato hóspede de um amigo na Rua Armando Araújo, no Parque Real, em Rondonópolis.

À noite, Buscetta costumava dar asas aos desejos e descambava para o cabaré Coqueirinho, à margem da BR-364, que era tocado pela Cristina.

Buscetta era velho conhecido do Brasil e inclusive foi casado com uma brasileira. No auge do poder o capo italiano foi chefe da família Porta Nuova, de Palermo (capital da Sicília), que integrava a Cosa Nostra.

Em janeiro de 1981 Buscetta deixou a Itália e oficialmente veio abrir uma terra de seu sogro no Pará. No entanto, naquele ano, optou por morar em Rondonópolis, o que em tese inviabilizaria seu projeto paraense.

O tempo arrastava-se e, ele, na surdina, levava adiante uma atividade criminosa e que não é engolida por nenhum judeu: o mercado do diamante, que Israel monopoliza mundialmente. Isso mesmo!

O Mossad, poderoso serviço secreto hebreu descobriu, mas não tinha interesse em eliminá-lo naquela época, porque vivo poderia ser mais útil. Porém, bastou uma denúncia e em 22 de outubro de 1983 Buscetta foi parar atrás das grades em São Paulo, preso pela Polícia Federal. O mundo conhece sua página de prisão, delação, extradição para os Estados Unidos e sua morte em 2 de abril de 2000, aos 71 anos.

No bairro Parque Real; não muito distante da casa onde morava Buscetta, seu vizinho mais famoso era o temível coronel belga Jean Pierre, que comandou o Batalhão Leopardo, em Léopoldville, no Congo, nos anos 1960, para proteger os interesses belgas no diamante e outros minérios contra o nacionalismo que surgiu com a independência do país.

O saudoso William Rodrigues Dias, advogado criminalista, cuidava da blindagem de Buscetta e certa vez revelou que ele escolheu Rondonópolis por ser o polo da extração de diamante em Poxoréu e no Vale do Garças. O mafioso mandava a pedra mais preciosa do mundo para a Europa. Seu negócio no Pará seria uma forma de justificar sua presença em Belém, para onde levava diamante sem jaça e o contrabandeava por navios. A revelação de William foi após Buscetta colaborar para o desmantelamento da máfia e receber apoio do governo americano.

ELE – Tommaso Buscetta nasceu em Palermo, na Itália, no dia 13 de julho de 1928. Morreu na cidade de Florida, nos Estados Unidos, vítima de um câncer. O mafioso delatou a máfia e recebeu nome, identidade, salário vitalício do governo americano e se submeteu a cirurgias para mudar o rosto.

PS – Continuem lendo a série. Amanhã (24), o capítulo 107.

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