Boa Midia

E essa tal familiocracia que não acaba

Eduardo Gomes

@andradeeduardogomes

eduardogomes.ega@gmail.com

 

Mato Grosso está mergulhado na familiocracia política há bom tempo e essa prática da valorização dos clãs não apresenta saldo positivo para o Estado e o cidadão. Embora a campanha não tenha começado oficialmente, estamos diante de desfiles de glamour, promessas e abraços incontáveis que as redes sociais nos mostram de modo massificante. Para se entender o quê familiocrata é preciso buscá-lo no passado, mas sem elucubrações – apenas citando fatos que ninguém pode negar.

No final dos anos 1990 e começo da década de 2000, Jonas Pinheiro liderou o clã Pinheiro. Numa eleição Jonas disputou para o Senado; sua mulher, Celcita Pinheiro, para a Câmara dos Deputados: e Leôncio Pinheiro, irmão de Jonas, para deputado estadual, todos pelo PFL. Jonas e Celcita se elegeram, e Leôncio perdeu.

A base eleitoral dos Pinheiros é Santo Antônio de Leverger. Jonas foi deputado federal e senador, era chamado de ‘Pai do agronegócio’, mas em Leverger não há nada, absolutamente nada que tivesse sido levado por Jonas para aquele município. A cidade fica à margem do rio Cuiabá, no Pantanal, mas somente recentemente a orla de Leverger foi construída, o que estimulará o turismo.

O clã dos Campos dominou Várzea Grande durante décadas. Da família, o patriarca Fiote foi prefeito por dois mandatos; o senador Jayme Campos administrou o município por três mandatos, e sua mulher, Lucimar Campos, por dois; e o deputado estadual Júlio Campos – irmão de Jayme, cumpriu um mandato no chamado Palácio Couto Magalhães.

Além dos mandatos exercidos por integrantes da família Campos, outros tiveram à frente liderados pelos Campos, como foi o caso de Kalil Baracat (2021/24), pelo MDB.

Júlio e Jayme Campos no passado

Os Campos militam politicamente na federação União Progressista desde os idos da Aliança Renovadora Nacional (Arena). A longevidade dos Campos à frente de Várzea Grande pode ser dimensionada pela crônica falta de água na cidade, o que finalmente deverá ser solucionado após o governador Otaviano Pivetta anunciar recursos e uma parceria para tanto.

Jayme é senador e pré-candidato ao governo. Júlio é vice-presidente da Assembleia Legislativa e pré-candidato à reeleição para deputado estadual.

Depois de ser prefeito de Juara, José Riva controlou a Assembleia Legislativa por 20 anos consecutivos, num período marcado por corrupção, operações policiais, processos e prisões de deputados, inclusive dele. Em 2014 alcançado pela Lei Ficha Limpa, José Riva ficou impedido de disputar mais um mandato e em seu lugar lançou a filha Janaína Riva, pelo PSD, ela se elegeu e se reelegeu em 2018 e 2022, e agora é pré-candidata a senadora pelo MDB; ainda naquele ano, José Riva tentou eleger Janete Riva governadora pelo PSD, mas o pleito foi vencido em primeiro turno por Pedro Taques, com Lúdio Cabral (PT) em segundo lugar.

Após ser alcançado pela Lei Ficha Limpa Riva firmou delação premiada com o Ministério Público, homologada pelo desembargador Marcos Machado (TJ), assumiu que esteve à frente de um desfalque de 175 milhões nos cofres públicos, foi condenado a quatro anos de prisão domiciliar e a devolver 94 milhões.

No auge do poder, Riva presidia a Assembleia e lançou seus irmãos Priminho Riva e Paulo Rogério Riva, para prefeito em Juara e Tabaporã, respectivamente, e ambos foram eleitos. No mesmo ciclo Riva indicou sua mulher, Janete Riva, candidata a vice-governadora na chapa tucana encabeçada pelo então senador Antero Paes de Barros, mas o pleito foi vencido por Blairo Maggi (PPS).

Portanto, o clã Riva presidia a Assembleia e administrava as prefeituras de Juara e Tabaporã, além de ter tentado a vice-governadoria. Na eleição deste ano os Riva concorrem com Janaína Riva e com sua irmã Jéssica Riva, para deputada estadual pelo MDB.

Além de pertencerem ao clã Riva, Janaína Riva e Jéssica Riva têm outras ligações familiares no ambiente político; Janaína Riva é nora do senador Wellington Fagundes (PL), pré-candidato ao governo; e Jéssica Riva foi nora do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

Em Rondonópolis, o ex-prefeito e ex-deputado estadual Zé Carlos do Pátio (PV) é pré-candidato a deputado estadual, e sua mulher, Dona Neuma (PV) é pré-candidata a deputada federal.

FAMÍLIA – Também pela familiocracia outros nomes estão em cena:

O ex-governador Mauro Mendes (UP) é pré-candidato ao Senado, e sua mulher, Virgínia Mendes (UP), é pré-candidata a deputada federal.

O senador Carlos Fávaro (PSD) é pré-candidato à reeleição, e sua filha, Rafaela Fávaro (PSD) é pré-candidata a deputada estadual.

O produtor rural Antônio Galvan (Avante) é pré-candidato ao Senado, e sua mulher, Paula Boaventura (Avante) é pré-candidata a deputada federal.

Os primos Márcio Lacerda (MDB) e Irajá Lacerda (PSD) são pré-candidatos a deputado estadual e a deputado federal, respectivamente. Márcio é filho de Márcio Lacerda, que foi deputado estadual, deputado federal, senador e vice-governador. O pai de Irajá é o suplente de senador José Lacerda, que foi vice-prefeito de Cáceres, deputado estadual e secretário de Estado.

Há outros casos de familiocracia, mas com apenas um membro da família concorrendo a cargo eletivo, enquanto outro ou outros permanecem no poder. Citá-los aumentaria o texto, mas eles serão tratados numa matéria à parte.

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