Candidatura a governadora é sinuca de bico para Natasha
Eduardo Gomes
@andradeeduardogomes
eduardogomes.ega@gmail.com

– O que a senhora faria (se fosse governadora) para interligar o Vale do Araguaia e o Nortão, por rodovia?
– Bem eu faria uma imersão. Reuniria ambientalistas, indígenas, empresários e todo mundo para discutir a questão durante uns três dias. E o senhor, o que faria?
O curto diálogo acima foi meu primeiro contato com a médica e pré-candidata a governadora Natasha Slhessarenko (PSD), porém com ela respondendo com outras palavras, mas no sentido do que relato. Vale observar que Natasha usou a expressão “imersão”.
Na tarde desta terça-feira, 17, vi Natasha na porta de acesso ao Auditório Milton Figueiredo, na Assembleia Legislativa, onde Wilson Santos (PSD) concederia uma coletiva para narrar sua navegação de 900 km pelo rio Cuiabá, da barragem de Manso, em Chapada dos Guimarães, à foz do rio São Lourenço, no Baixo Pantanal. Natasha acompanhava sua mãe, a ex-senadora Serys Slhessarenko, ora assessora parlamentar de Wilson Santos.
Aproximei-me de Natasha. Disse meu nome e observei que sou repórter. Fiz uma única pergunta e ela não soube responder, e ainda tentou transferi-la para mim. Notei que minha presença não era agradável e que a pré-candidata ensaiava passos para se afastar.
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Entendo que todos os aptos perante a Justiça Eleitoral e seus partidos podem postular candidaturas. Ao mesmo tempo avalio que em respeito a Mato Grosso é preciso que as lideranças partidárias escolham nomes que conheçam a realidade mato-grossense ou quando nada exijam que essas figuras busquem assessoramento que lhes transmitam informações sobre o Estado que querem governar ou representar no Congresso e na Assembleia Legislativa.
Infelizmente, a campanha política é caracterizada por assessoramento bajulativo, mas com conhecimento prático com a profundidade de um pires. Carlos Fávaro, o cacique da ala lulista, precisa ter uma conversa com Natasha para que ela se interesse em buscar as informações básicas sobre Mato Grosso, ou se isso não for possível, que a substitua por outra figura, como por exemplo o também médico Ságuas Moraes (PT), que exerceu mandatos de deputado estadual e deputado federal, além de secretário de Estado.
Longe de mim fazer deste texto ferramenta agressiva contra Natasha. Porém, é preciso que ela saiba que candidatura está umbilicalmente ligada ao dever dos jornalistas em questioná-la, o que raramente ocorre nesta abençoada e ensolarada terra, pois a gente varonil das redações imagina que o mundo gira entre o Trevo do Lagarto e o Coxipo.
PS – Se Natasha participar de um debate com Otaviano Pivetta, Jayme Campos e Wellington Fagundes, sem que tenha o mínimo conhecimento sobre a realidade mato-grossense, não haverá imersão que a impeça de ser ridicularizada, o que terá efeito dominó sobre as demais candidaturas lulistas, inclusive a de Fávaro à reeleição ao Senado.
Foto:
Redes sociais de Natasha Slhessarenko