Boa Midia

BR-163 – Berço de cidades (IV)

EDUARDO GOMES

@andradeeduardogomes

eduardogomes.ega@gmail.com

 

Muito mais que uma rodovia a BR-163 foi verdadeira ferramenta de integração nacional e incorporou ao sistema produtivo agropecuário um nicho de carne bovina e suína, de aves, soja, algodão, milho, DDG, ouro, etanol de milho, óleo de soja e muitos outros itens que ocupam lugar de destaque no abastecimento nacional e na balança comercial. Celebrando os 50 anos de sua entrega ao tráfego numa solenidade que aconteceu em 20 de outubro de 1976, o blog posta uma série abrangente sobre a Cuiabá-Santarém que os paraenses chamam de Santarém-Cuiabá e que também pode ser vista como verdadeiro berço de cidades.

 

De um modo ou de outro era preciso vencer os desafios da BR-163

Mais dia menos dia o Nortão seria colonizado, porém, a construção da BR-163 antecipou sua ocupação. O mesmo fenômeno se observa no trecho paraense da rodovia. Portanto, ela teve o papel de integrar o país, num período em que havia temores de invasão da Amazônia pelos Estados Unidos e alguns países europeus. A melhor tática militar para garantir a soberania de um território é ocupá-lo com a população civil – os militares que estavam no poder fizeram exatamente isso.

Nortão é a região que se espalha por uma área da Amazônia Mato-grossense situada abaixo do Paralelo 13 até as divisas com Pará e Amazonas e delimitada pela margem esquerda do rio Xingu e alguns de seus formadores, e pela direita do rio Arinos até sua foz no Juruena, prosseguindo por esse rio em sua margem direita até o encontro das águas com o Teles Pires, onde começa o Tapajós. No tocante aos municípios banhados pelo Arinos, para efeito de limites consideram-se como partes integrantes do Nortão somente os que têm sede em sua margem direita. A base territorial da região tem 36 municípios e alguns são distantes da BR-163, a exemplo de Alta Floresta.

Os primeiros passos de Alta Floresta

Essa área com 233.038 km² representa 25,80% do território mato-grossense de 903.198,091 km² e se divide em dois ciclos históricos. Um do vazio demográfico anterior à rodovia BR-163 e outro após sua construção nos anos 1970. Se fosse estado, o Nortão seria o 12º em extensão e maior que Rondônia, Acre, Roraima, Amapá, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina ou o Distrito Federal.

Nasce Sinop

A ocupação do Nortão passa pela BR-163 e pela fundação de Sinop, em 14 de setembro de 1974, pelos colonizadores Ênio Pipino, Nilza Pipino e João Pedro Moreira de Carvalho; o ato contou com a presença do ministro do Interior, Rangel Reis, e do governador José Fragelli.

BR-163 sendo aberta e Sinop começando

O Nortão tem 964.459 habitantes, o correspondente a 24,41% da população mato-grossense de 3.950.330 residentes. Antes da BR-163 havia somente uma cidade na região: Porto dos Gaúchos, e uma vila, Novo Horizonete do Norte. A população de Porto dos Gaúchos em 1970, quando começou a obra da BR-163 era de 1.235 habitantes e estima-se que na vila de Novo Horizonte do Norte e na zona rural da região morassem 723 cidadãos. À época, a área mato-grossense que mais tarde seria remanescente da divisão territorial que criou Mato Grosso do Sul em 1977, tinha 612.827 residentes, dos quais, 100.860 em Cuiabá.

1985 – Rua do Comércio em Peixoto de Azevedo

A base territorial do Nortão é composta por 36 municípios sendo os mais habitados: Sinop, com 231.452  habitantes, Sorriso (128.727), Lucas do Rio Verde (99.291), Nova Mutum (65.663), Alta Floresta (63.017), Juara (36.276), Peixoto de Azevedo (33.907), Colíder (32.099), Guarantã do Norte (31.092), Matupá (22.437), Tapurah (16.001), Nova Bandeirantes (14.519),  Paranaíta (12.167), Nova Canaã do Norte (11.697|), Marcelândia (11.298), Vera (10.930), Terra Nova do Norte (10.541), Feliz Natal (10.482)  e Carlinda (10.196) . Na outra ponta, os menores: Novo Horizonte do Norte, com 3.227 habitantes, Santa Rita do Trivelato (3.609), União do Sul (3.910), Nova Guarita (4.503), Nova Santa Helena (4.572), Itaúba (5.241), Porto dos Gaúchos (5.720), Santa Carmem (5.912), Boa Esperança do Norte (5.983), Novo Mundo (6.292), Itanhangá (8.463), Nova Monte Verde (8.489), Apiacás (8.693), Ipiranga do Norte (8.904), Cláudia (9.168), Nova Ubiratã (9.929) e Tabaporã (9.982).

Isolamento – Antes da BR-163 havia somente um meio de acesso por terra à parte do Nortão: a Estrada do Rio Novo, um caminho carroçável paralelo à rodovia, que ligava a BR-364/163 em Posto Gil (de Diamantino) ao ponto onde mais tarde foi criada a cidade de Feliz Natal; no trajeto a travessia do rio Teles Pires, que no local se chamada Paranatinga, era feita por uma balsa do Departamento de Estradas e Rodagem de Mato Grosso (Dermat). A Estrada do Rio Novo era utilizada para o escoamento do látex extraído em seringais nativos da região, no período do Verão Amazônico, pois no Inverno alguns de seus trechos ficavam intransitáveis.  O principal comerciante do produto era o empresário e  presidente da Assembleia Legislativa, Mário Spinelli.

Por uma variante à esquerda (no sentido Sul-Norte) a Estrada do Rio Novo dava acesso ao ponto onde surgiu o povoado de São Cristóvão, pertencente à Lucas do Rio Verde, e avançava rumo a Porto dos Gaúchos. Esse trajeto ficou conhecido como Estrada da Baiana, em razão da Pensão da Baiana, no trajeto, e que era de propriedade da comerciante Rosalina de Jesus Maciel, a Baiana. Pavimentada, a Estrada da Baiana ganhou a nomenclatura de MT-338.

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