Xavante de Barra do Garças quer ser vereador e critica prefeito Beto

O cacique Raimundo

  Raimundo Urébété Airero, 66 anos, é cacique xavante na reserva São Marcos, aldeado na aldeia São Braz, em Barra do Garças e foi educado pelos padres da Missão Salesiana em Mato Grosso. Mais: o cacique Raimundo é filiado ao PDT, pré-candidato a vereador pela Barra, e na tarde deste sábado, 26, na convenção estadual de seu partido, em Cuiabá, fez duras críticas ao prefeito de seu município, Beto Farias (MDB).

Num pronunciamento muito aplaudido o cacique Raimundo disse que seu povo é menosprezado e perseguido em Barra do Garças – fazendo referência a Beto Farias. Revelou que o prefeito não autoriza o patrolamento das rodovias que atendem às aldeias dos xavantes, por considerá-los inferior.

Salientando que é primo de Mário Juruna (boxe), o primeiro índio congressista no Brasil, o cacique Raimundo citou seu desejo de se eleger vereador para lutar “por minha gente e por todos”.

Após a fala o cacique Raimundo presenteou o governador Mauro Mendes (DEM); e o secretário de Estadio Allan Kardec, que acabara de ser eleito presidente regional do PDT, com colares indígenas. Ao presidente nacional do seu partido, Carlos Lupi, o político xavante ofereceu um bracelete de barbante, “que é símbolo da amizade”.

 

MÁRIO JURUNA – Líder indígena Xavante, Mário Juruna caiu como luva para Leonel Brizola, que anistiado, voltava do exílio e tentava se eleger governador do Rio de Janeiro pelo PDT nos braços do populismo, o que conseguiu. Brizola o lançou candidato a deputado federal por seu partido. O Rio deu o mandato a ele em 1982.

Juruna ficou famoso nacionalmente por andar com um gravador – novidade tecnológica à época – e gravar compromissos de políticos, que nunca eram cumpridos.

Nascido em 3 de setembro de 1943 na reserva indígena São Marcos, perto de Barra do Garças, Juruna morreu na noite de 17 de julho de 2002, aos 62 anos, no Hospital Santa Lúcia, em Brasília, onde morava, vítima de complicações renais e pneumonia em decorrência do diabetes.

Juruna saiu da aldeia, entrou na política e chegou ao folclore. Indivíduos com biótipo parecido com o dele, invariavelmente são apelidados com seu nome.

Indiferente a Juruna, que foi o primeiro índio eleito para o Congresso Nacional, Mato Grosso não reverencia sua memória. Foi jogado na galeria do esquecimento.

Redação blogdoeduardogomes

FOTOS:

1 – blogdoeduardogomes em 26 de outubro de 2019

2 – Agência Câmara em arquivo

 

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