Vorcaro, Moraes, O Globo e o silêncio em Mato Grosso
Eduardo Gomes
@andradeeduardogomes
eduardogomes.ega@gmail.com
O tempo é saca-rolhas da verdade. Tenho profundo respeito pela verdadeira Imprensa. Humildemente milito no jornalismo mato-grossense e acompanho muita agressividade contra veículos de Comunicação e jornalistas, por figuras que coabitam as redes sociais nesta abençoada e ensolarada terra. São ataques generalizados, apunhalamento moral, profissional e pessoal, que em algumas circunstâncias tentam atingir até mesmo quem nada tem a ver com o texto em questionamento. Acompanho o escândalo do Banco Master, que desemboca no ministro Alexandre de Moraes (STF), sem que isso lhe negue a presunção da inocência. Creio que esse episódio dará discurso à raivosa rede social em suas críticas no plano nacional, mas não quebrará o silêncio sepulcral sobre os escândalos em Mato Grosso.
Fico feliz ao ver que as mensagens trocadas por Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes vieram a público pelas páginas de O Globo, que é o carro-chefe das Organizações Globo tão xingadas nas redes sociais em Mato Grosso. Esta é a Imprensa que respeito, e gostaria de vê-la reproduzida regionalmente pelos incontáveis sites din-dinnews em Cuiabá e tantos outros municípios mato-grossenses, mas não creio que isso aconteça, porque o mercado publicitário em nossa terra é praticamente zero e quem banca as redações é o cofre público, que não permite crítica aos políticos nem aos seus parentes que na vida pública roubaram a população e o erário.
Faço jornalismo regional, limitado por falta de estrutura e sem nenhum tipo de apoio financeiro. Espero levá-lo adiante mesmo que a acidez nas redes sociais teime em atingir a todos os jornalistas indistintamente; mesmo que meus textos sobre Mato Grosso e figuras mato-grossenses continuem sendo desconsiderados pela pequenez de alma e coração ou como forma de tentar desqualificar quem luta para não cair na vala comum da bajulação, da subserviência e da irresponsabilidade profissional.
Parabéns ao Jornal O Globo, pois foi ele – e não as redes sociais seletivas – quem denunciou as mensagens de Vorcaro e Moraes, enquanto por aqui, nada se fala sobre os escândalos dos xomanos e paralelamente dondocas deslumbradas vão para para os sites defender pena de morte e prisão perpétua para quem bate em mulher, mas não tocam na corrupção nos meios políticos, como forma de preservar suas linhagens.
Que o jornalismo regional abra espaço para o escândalo das emendas parlamentares estaduais na Seaf, tão abafado; para o escândalo de 308 milhões da Oi; para as denúncias sobre a saúde estadual durante a pandemia, há quatro anos; para a farra com o dinheiro público por Abílio Brunini contratando o Japonês da Federal como secretário decorativo da prefeitura; para o absurdo da proposta da criação de Gilmarlândia – tão paparicada por políticos e a imprensa amiga -; para a recuperação da memória coletiva, tão fortemente atingida por uma estranha amnésia, que a impede de ver máculas de origem em herdeiros políticos, beneficiados com comprovados esquemas de corrupção em seus berços, sobre os quais não tocam, pois eles lhes permitem levar vida nababesca; e tantos outros fatos que maculam a Terra de Rondon.
Creio que a partir da publicação de O Globo o Brasil deverá mudar. Espero que possamos respirar ares da plena liberdade de Imprensa e que não tenhamos que trabalhar como trabalho, debaixo de assédio judicial. Que os professores de Deus na Internet passem a ler e que não fiquem somente presos e vídeos e assuntos alheios a Mato Grosso. Uma demonstração de que pretendo levar adiante meu jornalismo é a série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem diária neste blog, focalizando fatos interessantes e importantes, além de figuras relevantes da nossa contemporaneidade.
Viva O Globo. Viva quem lê. Viva também aquele que no amanhã terá postura diferente do hoje silencioso sobre a bandalheira em Mato Grosso. Viva o tempo, saca-rolhas da verdade.